A vantagem da tensão

Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado (Pv 19:2).

Uma da coisas mais indesejadas na experiência humana talvez seja a de ter que lidar com as tensões. Ou será que não?
Tensões estão sempre presentes em nossa vida, em nosso dia a dia, em nossas casas, nossos relacionamentos. Elas podem surgir a partir de uma critica de alguém ou a alguém com quem nos relacionamentos. Ela pode se fazer presente através de nossas dúvidas. Ou de nossas escolhas, por elas ou pela falta delas. Ela pode trazer consigo um estresse ou gerá-lo.
Pode acontecer no exercício de uma liderança em seus mais variados estágios, níveis ou locais. Ela pode traduzir ou ser produzida a partir de nossos medos, ou ainda diante de mudanças.
Enfim, as tensões estão aí e acontecem com todos nós.
Recentemente participei de mais uma edição brasileira do The Global Leardership Summit, um evento que acontece desde 2005, patrocinado pela Associação Willow Creek (USA) e voltada para treinamento de lideranças ao redor do mundo.
Especialmente na edição deste ano tive o privilégio de ouvir uma palestra de Andy Stanley, pastor sênior da North Point Community Church (Alpharetta, Geórgia, USA) com o título acima e que muito apreciamos e que gostaríamos de compartilhar com você nesta edição.
Quando diante de tensões temos a idéia, na maioria das vezes errônea, de que só nós as vivemos, principalmente com as particularidades que nos envolvem, com a intensidade que nos afetam, e podemos nos sentir, diante do êxito aparente de outros ao nosso redor, de que somente nós é que não sabemos enfrentá-las, ou pior, somos os responsáveis por gerar essas tensões e impotentes em resolvê-las.
Temos, geralmente, pouca sensibilidade para perceber que não somos os únicos a experimentar essas tensões, mesmo porque, normalmente as pessoas falam pouco de seus fracassos e apresentam-se sempre mostrando seu sucesso como parte de seus próprios currículos.
Temos a falsa compreensão de que a medida que nos tornamos maduros, e experientes, as tensões e problemas deixarão de existir, ou, sempre teremos soluções e respostas a eles.
Assim sendo, gostaria de sugerir três observações:
 
I – Todos passam por problemas e tensões

E alguns desses problemas e tensões sequer serão ou tem que ser resolvidas com uma solução definitiva. Um problema ou tensão entre família e trabalho. Como resolver em definitivo esta questão? Ela pode envolver momentos (tanto da família como do trabalho). Ela pode trazer componentes pessoais de cada um de nós.
Não adiante negar a tensão, ou dizer: “vamos discutir isso de uma vez por todas”.
Ou ainda adotarmos uma postura de fuga do tipo: “não me venha mais falar sobre esse assunto”. Isso não é bom e não trará resultados duradouros ou que trarão satisfação ou conforto permanente.
Alguém escreveu que: “A vida é muito preciosa para ser desperdiçada por inúteis e destrutivos comportamentos; use essa energia para realmente viver, para fazer uma poderosa diferença no mundo e - assim - colher a recompensa de viver uma vida com propósito”.
 
II– Aprenda a distinguir entre problemas a resolver e tensões a administrar

Com que pretensão você julga que pode resolver definitivamente um problema em sua empresa ou ambiente de trabalho entre um gerente da área comercial e um gerente da área financeira?
Você consegue fazer com a excelência do pessoal de criação, sem conflito com a planilha de custos?
Como você pode ter a pretensão de dizer que tem a solução para os conflitos entre filhos de diferentes idades, interesses, ou entre gostos, ou dizer que você conhece completamente sua esposa ou esposo?
Se usarmos cada momento de forma positiva, procurando extrair o melhor deles, administrando os problemas ou tensões, isso vai gerar crescimento. Isso diz respeito a uma organização, a pessoas ou a você mesmo.
Perguntas como: “este problema sempre acontece?” podem indicar a necessidade de geri-lo, em vez de querer resolve-lo em definitivo.
Ou talvez pessoas com idéia diferentes, porém maduras e sensatas em lados apostos, devem despertar interesse de nós por esses pontos de vistas, pois podem ser pontos que vão gerar crescimento.
Ou ainda, dificuldades que embora possam parecer representar lados opostos, são interdependentes. Não dá para abandonar a família pelo trabalho e nem o trabalho (como se não viesse dele o sustento) e ficar em casa.
Por isso,
 
III– Aproveite para crescer com as tensões e pressões

Os dedos de nossas mãos são um bom exemplo de um bom uso da tensão e da pressão. Usando-os, você pode colocar uma lente de contato sem pressionar seus olhos sensíveis e delicados. Esses mesmos dedos podem jogar uma bola de basquete a uma longa distancia em direção a cesta, fazendo na bola a pressão necessária e imprimindo a força necessária ao arremesso. Ou ainda, você pode pressionar o lápis ou a caneta numa escrita.
Talvez gerir um problema trará melhores resultados que simplesmente resolvê-lo; ou melhor, geri-lo pode fazer parte desse processo de solução.
É muito mais que ganhar ou perder. É desejar crescer juntos.
Por isso, aprenda a valorizar as pessoas.
Você pode ser até apaixonado ao defender seu ponto de vista, mas deve ser maduro o suficiente para entender essa realidade, e administrar as tensões com sabedoria.
O sábio Salomão teve que aprender essas verdades e lidar com elas, assim como eu e você em nosso dia a dia. E era tendo Deus como a fonte de toda sabedoria que ele escreveu: “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado.” (Pv 19:2)
Vale a recomendação e boa prática!
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,
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Pr. Hilder C Stutz

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