Estudo 26: A mulher sunamita: generosa e hospitaleira - (II Reis 4.8-37)


Há um cântico que nos ensina muito é o Salmo 37.4-5, a letra diz:

“Agrada-te do Senhor e ele fará aquilo que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, e o mais ele fará. Descansa no Senhor e espera nele. Pois, ele é a tua salvação, ele é o teu castelo e o teu refúgio na tribulação. Confia no Senhor e ele agirá, confia no Senhor e ele agirá“ [1]
                    
É exatamente sobre essa providência de Deus na vida do seu povo que quero falar, usando esse exemplo da mulher sunamita. Esta que foi agraciada por Deus pela instrumentalidade do profeta Eliseu. Sabemos que o significado do nome de Eliseu é: Jeová é salvação. A meu ver combina com sua missão como profeta desse período. Ele foi um dos maiores profetas desse período juntamente com o seu antecessor, o profeta Elias. Ambos foram profetas no Reino do Norte de Israel.
Eliseu era filho de Safate, habitava em Abel- Meolá do Vale do Jordão e pertencia a uma família próspera. Quando Elias estava no monte Horebe desanimado e triste, Deus falou que ele deveria ungir a Eliseu em seu lugar. E ele encontrou Eliseu lavrando com doze juntas de bois adiante dele, a assim lançou a sua capa sobre Eliseu (I Reis 19.16-19). Assim, Eliseu foi a sua casa e se despediu dos seus pais e entendendo o ato anterior, seguiu o profeta Elias. Quando Elias passou o Jordão para ser trasladado, Eliseu estava do seu lado e Elias perguntou o que ele queria que o alcançasse antes de partir. E aquele jovem pediu porção dobrada do espírito de Elias (cap. 2.9-10) [2].
No capítulo 2 vemos o ministério de Eliseu se caracterizando pelo atendimento às necessidades diretas de seus concidadãos. O seu ministério é caracterizado por vários milagres em socorro às necessidades do próximo [3]. No capítulo 3 ele salva os três reis e os seus exércitos, no capítulo 4.2 vemos um profeta querendo oferecer ajuda às pessoas diante das suas necessidades. Ele possibilitou como instrumento de Deus, a viúva receber um aumento em seu suprimento de óleo, pagar suas dívidas, de maneira que ela pôde vender seu óleo para pagar suas dívidas e livrar seus filhos da escravidão (cap. 4.3-7).
E aqui no texto em que lemos, Eliseu é usado por Deus para suprir uma necessidade afetiva da mulher sunamita.
Vejamos o impacto da vida dessa mulher na vida de Eliseu:

1- Ela cuida das necessidades físicas do homem de Deus:

Vejam que no versículo 8 Eliseu vai para Sunem e lá uma mulher o retém para ele comer pão e isso começou a acontecer sempre que ele passava por ali. Ela reconhece diante do seu esposo que aquele homem era alguém muito especial, e o chama de santo homem de Deus. Assim ela resolve fazer um pequeno quarto para Eliseu ficar quando passasse ali (versículos 10-11).
Vemos uma mulher de coração dócil e sensível. Ela percebe que Eliseu, o profeta de Deus, passava sempre por sua cidade. O que ela faz?

Ela abre as portas de sua casa;
Ela abre seu coração para acolhê-lo.

Sua atitude mostra o quanto a sunamita amava e era sensível aos que estavam precisando dela. Ela foi hospitaleira, gentil e demonstrou cuidado para com o homem de Deus. Percebam que ela é abastada, ela tem posses e resolve investir de maneira gentil na vida do homem de Deus. Ele não tem uma casa, não tem lugar onde comer e Deus na sua graça, usa-a como instrumento precioso de providência. 
Interessante que a hospitalidade e coração aberto dessa mulher resultou em bênção para o seu coração. O texto nos informa que Eliseu vendo essa preocupação por parte da mulher, chamou Geazi seu moço e mandou perguntar à mulher se havia alguma coisa para fazer por ela. Demonstrando assim, a sua compaixão para com aquela mulher. E Geazi disse para Eliseu que ela não tinha filhos e o seu marido era já muito velho (versículo 14).
Eliseu pediu para que Geazi a chamasse e disse Eliseu a ela: Ao tempo certo, segundo o tempo da vida abraçaras um filho. E ela disse: Não meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva. E concebeu a mulher, e deu à luz a um filho, no tal tempo determinado, segundo o tempo da vida que Eliseu lhe dissera (versículos 16-17).
Vemos a compaixão de Eliseu em favor desse casal que tinha provavelmente condições financeiras boas (versículo 13b). Mas, não tinha a felicidade de ter um filho, alguém para eles partilharem a alegria. A sunamita não poderia acreditar nisso, pois eles eram já de certa idade. Mas, o fato é que Eliseu se apresenta diante dessa mulher e diz que no tempo devido ela ficaria grávida e daria à luz a um filho. Isso provavelmente transcendeu, ultrapassou a compreensão daquela mulher. Pois, essa palavra de Eliseu era meio estranha. Pois, como uma mulher poderia ter um filho de um homem velho?

Para aplicar na vida:

*                 Na nossa vida é assim que Deus mostra a sua providência. Quando estamos em angústias e tribulações, pode parecer que Deus nos abandonou, que ele nos deixou, pode parecer que ele está distante de nós. Mas, ele jamais faz isso, pelo contrário, ele manda sua providência, no tempo certo, na hora certa, como foi na vida daquela mulher que não imaginaria que com a idade avançada do seu marido ela poderia ter um filho, como Eliseu dissera.

*                  Deus sempre supre as necessidades do seu povo. E isso acontece de diversas maneiras na nossa vida. Desde uma simples visita de um irmão trazendo suprimentos físicos, materiais, até algo mais sério e complicado de ser resolvido.

*                  A verdade é que Deus demonstra a sua bondade e misericórdia suprindo as necessidades do seu povo, como foi no caso dessa mulher.

*                  Deus usou o profeta Eliseu para através de uma retribuição do cuidado demonstrado para com ele, lhe desse um filho suprindo assim a sua necessidade emocional e afetiva.

*                  Na nossa vida sempre será assim, Deus sempre suprirá as nossas necessidades segundo a sua boa vontade. Como disse o apóstolo Paulo em Fil. 4.19: O meu Deus, segundo as suas riquezas suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.

*                  Um exemplo: Houve um tempo que eu era seminarista na IP de Ermelino Matarazzo. Em 1995 eu não tinha um centavo no bolso, e não tinha dinheiro para a provisão da semana e nem dinheiro para ir embora. Acabou o culto e a uma irmã me procurou e disse: Alcindo, as senhoras da SAF prepararam uma oferta para você (70,00 reais). E eu vim entregar para você antes da sua volta para o Seminário. E lembro que ela disse também: é pouco, mas é de coração.

*                  Precisamos aprender a confiar no Senhor e a descansar nele, pois, ele sempre supre as nossas necessidades em glória por Cristo Jesus.

*                  Deus quer nos usar com os nossos recursos para abençoar outros nas suas necessidades.

*                  Tenhamos as atitudes da mulher sunamita:

  1. Ela teve a alma aberta às necessidades daqueles que o Senhor colocou diante dela;
  2. Ela enxergou de longe os que precisaram dela;
  3. Ela ajudou com docilidade, amabilidade aqueles que necessitaram dela;
  4. Ela não mediu esforços em dividir o que tinha com aqueles que precisavam dela;
  5. Ela esteve pronta para ajudar o seu próximo;
  6. Ela teve a percepção espiritual para perceber que Eliseu era homem de Deus.
  7. Ela foi um exemplo de hospitalidade, bondade, coração piedoso e contente.

2. Eliseu foi um instrumento divino para restaurar a vida do filho da sunamita:

No versículo 18 vemos que o menino cresceu e um dia saiu para seu pai, que estava com os segadores. Então, ele disse ao seu pai que estava com dor de cabeça. O moço o levou à sua mãe (versículo 19).
O fato é que o menino acabou morrendo (versículo 20). Assim a sua mãe o deitou sobre a cama do homem de Deus, e fechou a porta (versículo 21). A mulher sunamita solicitou a presença do homem de Deus. E Eliseu mandou perguntar se ela estava bem, e ela disse que tudo estava bem (versículo 23).  Mas, ao chegar diante do profeta pegou nos seus pés, e Geazi chegou para retirá-la. Mas, Eliseu disse para deixá-la, pois, a alma dela estava triste de amargura (versículo 27). Ela questiona a Eliseu dizendo: Pedi eu a meu senhor algum filho? E Eliseu respondeu, não. Ela disse: Não me enganes (versículo 28).
Eliseu mandou a Geazi cingir-se e levar o bordão de Eliseu, e para ele não saudar a ninguém pelo caminho, pois, uma saudação demoraria muito tempo no contexto de Israel. E disse para que ele pusesse o bordão sobre o rosto do menino (versículo 29). O fato é que não aconteceu nada, o menino não despertou (versículo 31).
O homem de Deus foi até onde o menino estava morto. E entrou, fechou a sua porta e começou a orar em favor do menino (versículo 33). Eliseu deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua boca sobre a boca dele, e os seus olhos sobre os olhos dele, e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele, e a carne do menino aqueceu (versículo 34). Depois voltou e passeou naquela casa duma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele; então o menino espirrou sete vezes, e o menino reviveu (versículo 35). Assim disse Eliseu à mulher: Toma o teu filho. E ela prostrou-se a seus pés, se inclinou a terra; e tomou o seu filho e saiu (versículos 36-37).
Vemos uma mulher agora desesperada, pois, perdera seu filho amado e ainda novo. Ela anda aproximadamente 40 Km (versículo 25) com a esperança de que o homem de Deus faça alguma coisa por ela, já que ela não pedira um filho. E Eliseu sabia que ela estava angustiada, mas não sabia que ela perdera o seu filho.
Depois que ele fica sabendo da morte do menino, ele manda primeiro Geazi para colocar o bordão sobre o menino. Talvez mostrando que o poder de realizar milagres não era inerente ao bordão que ele utilizava. O bordão somente simbolizava a sua autoridade como profeta de Deus. O fato é que a coisa não funciona com Geazi. Então, ele vai até o menino.
Com toda a insistência de ver o menino vivo novamente, Eliseu se colocou diante do Senhor pedindo em favor do menino. E Eliseu insistiu, até que o menino aqueceu, ele não sossegou, andou no quarto uma vez de lá para cá, e tornou a subir e se estendeu sobre o menino, e ele reviveu, ele reviveu. Eliseu foi instrumento da providência de Deus na vida daquela mulher. De satisfazer uma necessidade afetiva da mulher que perdera um filho amado.

*                  Eliseu foi um profeta com compaixão, com misericórdia para com a dor dos outros.

Ele ficou muito comovido com a situação daquela mulher, e não mediu esforços para ajudar, para atender aquela mulher. Neste sentido podemos dizer que ele era um tipo de Cristo. Pois, o nosso Senhor em toda a sua vida usou de compaixão para com o homem nas suas dores. O exemplo do profeta, como homem de Deus serve para nós, em que devemos sempre nos compadecer das necessidades dos outros, em que devemos nos colocar diante do Senhor como instrumentos para ajudar aos outros em suas necessidades e angústias.

*                  Eliseu se colocou na brecha em favor do sofrimento daquela mulher.

Eliseu orou ao Senhor pelo filho dela. Ele colocou o problema diante do Deus verdadeiro de Israel. Como agente do Senhor, prefigurou ao Senhor Jesus se colocando na brecha em favor das necessidades do povo de Deus. Nós também devemos nos colocar na brecha em favor das necessidades no povo de Deus. Devemos sempre orar ao Senhor pelos nossos irmãos.   
                                                       
*                  Eliseu foi um precioso instrumento nas mãos do Senhor para atender as necessidades afetivas daquela mulher.

Conosco não é diferente também! Deus sempre usa alguém, ou alguma situação para suprir as nossas necessidades, angústias, tribulações mostrando o seu precioso cuidado para conosco, a sua preciosa providência.
Deus sempre demonstra a sua preciosa providência em nossa vida dia após dia. Ele sempre satisfaz as nossas ansiedades segundo a sua vontade. Por isso, creio que devemos sempre dar graças ao Senhor como nos exorta o salmista: Bendize, ó minha alma ao Senhor, e tudo quanto há em mim bendiga ao seu santo nome (Salmo 103.1).
Devemos louvar sempre ao Senhor como diz o cântico, ele aquele em quem podemos descansar, ele é a nossa fonte de vida, ele é o nosso consolo, a nossa força, o nosso abrigo, ele é o nosso eterno amigo, ele é a nossa salvação, ele é o nosso castelo e o nosso refúgio na tribulação.
Que o Senhor nos ajude a depender sempre da sua providência e sermos exemplos de hospitalidade, bondade, coração piedoso e contente como a mulher sunamita.



[1] Cântico cantado pelo Marcos Goes.
[2] DAVIS, John D. O Dicionário da Bíblia. Rio de Janeiro: JUERP, 1985, p.183.
[3] GRONINGEN, pp. 400-401.

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