segunda-feira, 29 de julho de 2019

Maturidade divina

No livro A sabedoria dos monges na arte de liderar pessoas, Anselm Grun trabalha a importância da palavra, "maturidade". Ela vem do latim maturitas, de maturus, e significa o que vem cedo, maduro, a tempo, em momento favorável. Ela se refere a fruta, que amadureceu e que então pode ser colhida. Apenas a fruta madura é saborosa. A fruta verde tem um paladar amargo ou ácido. 
A tarefa do cristão tem a ver com maturidade. Os critérios para o amadurecimento cristão são: paz interior, serenidade, integridade e a identidade centrada em Cristo Jesus. Uma pessoa sábia sabe como agir diante das lutas enormes da vida sem perder a paz interior. Uma pessoa sábia anda em integridade e tem Jesus no centro de tudo. 
Salomão afirma em Provérbios 15:22: Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem sucedidos quando há muitos conselheiros. Evidentemente que esses conselheiros tratados por Salomão, são aqueles que retém a maturidade no coração, que é fruto da sabedoria divina. Como necessitamos dessa maturidade divina para falarmos, para agirmos, para ouvirmos as pessoas em sua demandas. 
Precisamos de maturidade para lidarmos com todas as questões da nossa vida. Peçamos ao Eterno Deus maturidade par discernir os processos da nossa vida e assim, respondamos com graça e sabedoria! (Alcindo Almeida)

terça-feira, 23 de julho de 2019

O íntimo do ser

Certa vez, de maneira bem humorada, Karl Valentim disse: Hoje vou me visitar; espero que eu esteja em casa! Parece algo sem sentido, algo estranho dizer isso. Mas não é, enquanto não estivermos, uma vez mais, em casa, enquanto não voltarmos para nós mesmos, entrando em contato com mais íntimo de nós mesmos, com nossa profundidade, com nossa alma, jamais nos tornaremos sensíveis e atentos a presença de Deus dentro de nós. 
Agostinho disse: “Deus está em nós, mas nós nos encontramos fora de nós mesmos.” Quem não está em contato com mais íntimo do ser terá dificuldade para cultivar a presença de Deus. 
Não somos ingênuos a tal ponto de negar que Deus está presente em cada parte do nosso ser, mas falo de essência e conhecimento de quem nós somos e quem Deus é. Aumentamos nossa comunhão com Deus quando vamos para dentro do nosso ser e lá cultivamos esse Deus de graça e amor. Saibamos dessa verdade: “quem não escuta a si mesmo, quem não tem sensibilidade para os silentes impulsos de seu coração, não poderá construir qualquer relacionamento com Deus.”
Quando não conhecemos a nós mesmos ficamos impedidos de conhecer o Deus da nossa vida. Não deixemos de notar esse detalhe em nossa prática da espiritualidade, pois essa realidade é imprescindível para o nosso crescimento e amadurecimento na jornada espiritual. ( Alcindo Almeida)

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Ele desceu até nós

O anseio mais profundo do ser humano está em ser divinizado, em ser preenchido com a vida divina. Ele luta para aparecer, ele luta para se mostrar e afirmar que é alguém. O ser humano gosta de ser visto, de ser notado e precisa de um preenchimento dentro dele. Algo está vazio no ser.
A boa nova é que somente o próprio Deus, em Jesus, desceu até nós, para trazer a realidade profunda de participarmos de sua vida divina. Temos uma vida divina habitando dentro de nós. Em Cristo, o Eterno Deus nos faz participar da sua natureza. Ele coloca em nós algo de divino. Deus coloca em nós, através de Cristo, a sua imagem e temos traços emprestados da divindade eterna.
Não precisamos e nem conseguimos subir até Deus, ao contrário, ele por graça, amor, bondade, misericórdia e compaixão, desce até nós e nos plenifica com sua vida divina. Temos parte com a graça do pertencimento de Cristo, ele está dentro de nós. Respiramos Cristo e sua vida. Por isso, o texto afirma: Sim, eu sou a videira; vocês são os ramos. Quem permanece em mim, eu nele, produz muito fruto. Porque sem mim nada podem fazer. Mas, se vocês permanecerem em mim e as minhas palavras permanecerem em vocês. 
Não precisamos sofrer com essa busca frenética de todo ser humano, de que precisa ser um semideus, jamais seremos isso, mas temos o divino Jesus dentro de nós. Somos os seus eleitos e participamos da sua glória por graça e amor. 
Pertencemos ao Senhor, somos envolvidos pelo seu amor em todo tempo. E um dia, ele virá novamente e nós o veremos e tocaremos nele e o glorificaremos para sempre nessa terra redimida! (Alcindo Almeida)

Amadurecimento e crescimento

Para alguns o sofrimento é um estimulo para se decidir contra Deus. Ivã Karamasow age assim no romance de Dostoievski Os irmãos Karamasow. Ele não quer aceitar o mundo criado por Deus. Para ele, o preço que, como ser humano, deve pagar pelo sofrimento que enche o mundo é demasiadamente alto. Ele diz: “Meu bolso não me permite absolutamente pagar uma taxa de admissão tão alta. Com pressa devolvo o meu ingresso. Não porque eu desprezo Deus, mas, sinceramente, devolvo-lhe o ingresso.” 
Para outros, o sofrimento é justamente o desafio para se colocarem no caminho diante de Deus. Para alguns, o sofrimento os acode e os coloca num patamar para enxergar melhor a Deus!
Penso dessa maneira olhando para as Escrituras Sagradas. Acredito que o sofrimento vem sobre nós parta que reconheçamos em Deus o sentido e o fundamento de nossa vida e história. Precisamos entender que o sofrimento não é uma prova favor ou contra Deus. O sofrimento nos ajuda a ver quem somos, seres limitados, frágeis e fracos no sentido de estrutura. Basta perdermos a nossa saúde e vemos o quanto somos pequenos e insuficientes nessa vida. 
A Bíblia diz que todas as questões que acontecem na nossa vida, cooperam para o nosso bem. Logo, podemos entender perfeitamente que todas, incluem dor, sofrimento, alegria, vitória, derrota, tristeza e regozijo. Todas as áreas da nossa vida contribuem para a dependência divina daqueles que andam com Deus. 
O sofrimento é um dos itens que gera amadurecimento e crescimento em nosso relacionamento com Deus. Permitam-me discordar de Ivã Karamasow. Ele viu um Deus diferente do que temos nas Escrituras Sagradas. Nelas, aprendemos a dizer como Paulo: Quando sou fraco, aí sou forte! (Alcindo Almeida)

O sopro divino

Falamos e pregamos pouco sobre a terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo. Ele é o que representa a passagem entre o céu e a terra, ele torna essa passagem fluida. Ele nos ajuda também a encontrar o justo equilíbrio entre o céu e a terra.
O Espírito Santo fala conosco nas Escrituras, ele nos orienta como devemos andar e nos aponta para Cristo. O Espírito Santo é a pessoa que nos traduz diante do Pai e do Filho. Ele nos ensina sobre a justiça, juízo e a misericórdia. Ele é aquele que sopra em nós o sopro divino para respirarmos a santidade na vida. Ele varre de nós o pó e é a fonte que brota o amor da Trindade em nós.
Podemos falar com o Espírito Santo. Ele é uma pessoa e como Paulo afirma, ele intercede por nós diante do Pai. Ele nos ajuda nas fraquezas e nos ensinar a orar.
Agradeçamos ao Espírito Santo por atuar em nosso coração para que nos voltemos para a Trindade sempre! (Alcindo Almeida)

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Diálogo silencioso da oração

Thomas Merton reinaugura uma perspectiva mística nova, de encontro com Deus na história: “Quanto mais aprofundava sua busca pela transcendência, mais encontrava o seu tempo, com suas dores e angústias. E, inversamente, quanto mais descobria a seus semelhantes, num abraço cada vez mais amplo – tanto na perspectiva inter-religiosa como na perspectiva humana, mais encontrava o divino”. 
Sendo um monge contemplativo, recolhido ao diálogo silencioso da oração e da meditação, Merton não se furtou ao diálogo com o mundo, abrindo sua alma e coração com rara franqueza e honestidade. Como mestre espiritual que foi, é uma referência incontornável nos estudos da espiritualidade cristã e da experiência religiosa num sentido mais geral. 
Merton nos convida para o tempo de oração na presença de Deus, tempo em que nos abrimos e dizemos quem somos. Ele nos motiva a ter um tempo de silêncio no coração para ouvir Deus falando. Esse silêncio exige de nós renúncia, abnegação e prioridade. Não gostamos muito de ficar quieto num canto para refletir, ponderar e pensar sobre a nossa espiritualidade. 
Davi tem muito a nos ensinar sobre isso, ele nos convida a ir para lugares de silêncio e ali, meditarmos sobre a alma e sobre o ser diante de Deus. Ele diz: Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória. 
A alma de Davi tem sede de contemplar Deus. Ele quer ter esse tempo de comunhão e oração diante daquele que é o seu alimento divino. Que tenhamos esse encontro com o Deus da nossa vida. (Alcindo Almeida) 

sábado, 6 de julho de 2019

Sensibilidade espiritual

Edificado com a leitura de Gênesis 37 e tentando ver os detalhes que estão nesse capítulo que retrata a história do jovem José. Quando olhamos para Jacó, percebemos um pai que tem um amor louco por José. Faz a túnica para seu filho querido. Isso causa ciúmes por parte dos irmãos. José fala do sonho que teve. O ódio toma conta dos seus irmãos. Eles ironizam o próprio irmão. 
Essa é a realidade do povo que se chama o povo da aliança. Acontece que tem o problema do pecado enraizado. Então tem inveja, ciúmes e ódio no meio daqueles que andam com Deus e professam a fé nele. Os irmãos de José estão perdidos no meio do ódio e da inveja. Quando José vai lá para saber notícias deles, eles dizem: Lá vem o sonhador! Que insanidade, que falta de olhos divinos para enxergarem o futuro. Eles humilham e desprezam seu irmão. O que fizeram? 
O texto diz que o agarraram e o jogaram na cisterna vazia, ou seja, sem água. Mais tarde, quando se sentaram para comer, viram ao longe uma caravana de camelos vindo em sua direção. Era um grupo de negociantes ismaelitas, que transportavam especiarias, bálsamo e mirra de Gileade para o Egito. Judá disse a seus irmãos: O que ganharemos se matarmos nosso irmão e encobrirmos o crime? Eles acabam vendendo o sangue do sangue deles, eles deixam seu irmão precioso ser jogado para um povo que não conhecem e nem sabem o que será do seu jovem irmão. 
Os irmãos precisam dar uma noticia para o velho Jacó. Eles mataram um animal e mergulharam a túnica de José no sangue do animal. Enviaram a linda túnica para o pai, com a seguinte mensagem: Veja o que encontramos. Não é a túnica de seu filho? Jacó a reconheceu de imediato e disse: Sim, é a túnica de meu filho. Um animal selvagem o deve ter devorado. Com certeza José morreu despedaçado! Que ações terríveis dos membros da família da aliança, mentiras, falsidade, ódio, inveja e ciúmes no mesmo pacote. 
Que Deus nos livre disso, que aprendamos a amar no meio da diversidade, no meio dos estilos diferentes. Que Deus nos livre da inveja e do ódio que nos tornam pessoas cegas e sem noção do que é certo e errado. Que Deus nos dê sensibilidade para discernir sua vontade mesmo que não a entendamos. (Alcindo Almeida)

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Um legado na vida

Meditando em Atos 13.36, percebemos que Davi serviu conforme o propósito do Eterno Deus. Ele andou na presença do Eterno Deus seguindo e realizando aquilo que Deus desejava. E nesse processo todo, salvou vidas, resgatou cidades, protegeu gente, entregou a planta do templo de Salmão com tudo o que precisava. Davi acolheu gente ao seu redor e realmente foi uma pessoa feliz e que trouxe alegria ao coração de muita gente. 
É verdade que no percurso Davi falhou e teve vários erros. Mas, no todo da vida, ele marcou a sua história e geração. E o convite para nós hoje é que também deixemos o legado da nossa vida servindo, fazendo algo pela nossa geração diante de Deus. Lancemos pontes servindo, amando e trazendo alegria as pessoas que estão ao nosso redor. (Alcindo Almeida)

terça-feira, 2 de julho de 2019

A vida é curta

Não podemos simplesmente esperar que o poço que vemos, ouvimos e experienciamos nos revele o todo da nossa existência. Somos um pouco míopes para enxergar as realidades dinâmicas da nossa existência. Somos frágeis demais para ver além. Precisamos da ajuda de Deus para ver, olhar e perceber os detalhes da nossa vida. Jesus vem e anda ao nosso lado para percebermos os movimentos da vida. Ele nos ajuda a ver que somos pequenos, somos limitados e não temos controle da vida.
Jesus nos mostra que somos como uma nuvem, passamos rápido pela vida, somos finitos no sentido de vida humana. Somos pequenos demais para enxergar sozinhos que não somos fortes para suportar as perdas e tristezas dessa vida. Jesus nos ajudar a viver essas realidades confiados na sua direção e graça.
A vida é curta, vivamos a realidade divina em nós. Vivamos cada momento da vida dependendo da graça de Cristo. Refletindo sobre esse assunto, me lembro de uma parte da música do Logos, que afirma: "Momentos maus, difíceis pra valer, a vida se esvai até tudo se misturar, tudo perder valor. Nada mais fazer sentido para mim. Ainda bem que em meio as minhas trevas vejo a luz, nessas horas mais difíceis sinto Cristo, me enxugando o rosto, motivando-me outra vez, a seguir em frente, sem olhar pra trás." Jesus está presente em todos os momentos dessa breve vida que temos! (Alcindo Almeida)

O sinal do amor de Deus


Cada vez mais, a cruz coloca diante de nossos olhos a imagem do verdadeiro ser humano, que une em si todos os opostos. A a cruz é sinal do amor de Deus e, ao mesmo tempo, um constante protesto contra a repressão do sofrimento. Precisamos fazer uma reflexão teológica e espiritual sobre a cruz. 
A cruz tem o sentido mais profundo do significado do cristianismo. Na cruz encontramos o nosso eu crucificado com todos os seus traços de defeitos do Éden. A cruz mostra quem de fato nós somos, pecadores, miseráveis, indignos, imerecedores do amor e da graça divinas. 
A cruz é o lugar onde o nosso Senhor Jesus cravou profundamente toda a nossa deformidade de alma e de caráter. Lá foram pendurados todos os processos terríveis do pecado, da maldade e da podridão do ser humano. Lá, sobre Cristo foi exposto o drama da raça humana, toda a pecaminosidade nossa estava pendurada no terrível madeiro. Ali vemos a expressão da graça sendo marcada. 
Deus em seu Filho pendurado, naquele madeiro chamado cruz, pagou a nossa dívida de pena. Ali naquela cruz, Deus amou pecadores e para os tais, ele trouxe redenção através do Cordeiro divino. Bendito seja o nome do Senhor, porque nessa cruz, o Cordeiro de Deus foi morto e depois ressuscitou. Hoje, por meio dessa cruz de Cristo temos paz com Deus, temos redenção e estamos livres da condenação eterna. (Alcindo Almeida)

Vida contemplativa

Thomas Merton disse: "A liberdade do cristão contemplativo não é a liberdade em face do tempo, mas a liberdade dentro do tempo". Essa é a tônica que perpassa sua experiência contemplativa profundamente existencial. Contemplação como experiência de plenitude de vida. Tenho lido bastante as obras que falam acerca da vida contemplativa de Merton. Percebo a vida contemplativa sempre foi um verdadeiro eixo em torno do qual girou toda história e obra. Merton sempre falava do encontro com Deus no tempo e na história.
A experiência contemplativa nos torna mais receptivos ao amoroso de Deus. A contemplação nos motiva a ter um tempo mais a sós com Deus, um tempo de comunhão e amizade. Nesse momento podemos ouvir mais a voz silente de Deus dentro de nós. É a ideia de Davi no Salmo 27.4: A única coisa que peço ao Senhor, o meu maior desejo, é morar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar em seu templo. Davi quer morar e quer contemplar a beleza do Eterno Deus dentro de si mesmo. Isso é precioso demais para o nosso coração, quando encontramos os sentidos em Deus, quando encontramos o nosso significado na presença de Deus. 
Thomas Merton disse: “A contemplação é a mais alta expressão da vida intelectual e espiritual do homem. É a própria vida do intelecto e do espírito plenamente despertada, plenamente ativa, plenamente consciente de que está viva. É um espanto espiritual, uma admiração. Um temor espontâneo, reverencial, diante do caráter sagrado da vida, do ser.” Ele diz mais: "A vida contemplativa é movida por singular ressonância, onde todas as coisas reverberam movidas pela presença do Eterno.”
Que tenhamos momentosa de contemplação essa beleza divina dentro de nós! (Alcindo Almeida)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Leituras em junho de 2019



LEWIS, C. S. Além do planeta silencioso. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2019. O livro conta a história do filólogo Elwin Ransom, um pacato professor universitário que tem como passatempo fazer longas viagens a pé pelo interior da Inglaterra. Por uma sucessão de fatos, Ransom é sequestrado por dois homens: o cientista Weston e o magnata Devine, e embarcado numa nave espacial para o planeta Malacandra (Marte). Nessa primeira parte da trilogia, C. S. Lewis não perde tempo descrevendo batalhas espaciais ou engenhocas tecnológicas dignas de Júlio Verne e H. G. Wells, autores que povoaram sua infância. O interesse do autor é utilizar esse mundo desconhecido e que se extingue, com paisagens exóticas e desoladas, para mostrar a evolução espiritual do protagonista e levá-lo através de alegorias, a questionar, analisar e, finalmente, aceitar a existência de uma grande força espiritual em regência ao universo. Contém 224 páginas.


LEWIS, C. S. Perelandra. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2019. A Trilogia Cósmica criada por Lewis é resultado de uma aposta entre ele e seu grande amigo J.R.R. Tolkien. Segundo relatos, os temas foram decididos no cara ou coroa; Lewis ficou com viagem no espaço, e Tolkien com viagem no tempo. Tolkien acabou não cumprindo a aposta, enquanto Lewis não parou em um só livro. A famosa amizade entre os dois foi eternizada pela criação do personagem principal, Elwin Ransom, professor e filólogo, assim como Tolkien. Nessas aventuras de Dr. Ransom pelo espaço encontramos criaturas mágicas, um mundo de encantos, batalhas épicas e revelações de verdades transcendentes. São Paulo: Cultura Cristã, 2018. Contém 320 páginas.

LEWIS, C. S. Aquela fortaleza medonha. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson, 2019. Esse volume é chamado de conto de fadas na esperança de que os que não gostam de fantasia não sejam enganados pelos capítulos expostos. O cristianismo é presente, mas durante a primeira metade, enquanto as coisas estão sendo explicadas, ele é simplesmente ignorado, sua importância está na discussão de porque essa batalha está acontecendo. Os antagonistas do livro não são demônios nem pessoas que o seguem, mas conceitos e ideologias que Lewis considerava malignas e que ganhavam força na época, expondo seu ponto de vista de dentro e como elas são contraditórias ou inalcançáveis. Os personagens são constantemente criticados como rasos ou simplórios. De fato, nenhum deles é explorado muito a fundo. Enquanto nos dois primeiros livros a quantidade de personagens era resumida a menos de uma dúzia, Lewis apresenta vários personagens em Uma Força Medonha, mas o foco aqui não é explorar os personagens, mas contar uma historia. Os personagens são tão profundos quanto a historia exige, isso agradando os leitores ou não. Contém 534 páginas.


LEEMAN, Jonathan. A igreja centrada na Palavra. Como as Escrituras dão vida e crescimento ao povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2019. Para Jonathan Leeman, a resposta é simples: “Não!”. O autor defende que a única ferramenta que precisamos para criar e fazer uma igreja crescer é a Palavra de Deus. Em vez de apresentar novos conceitos e abordagens, Leeman nos convida a olhar para trás, em direção às igrejas do Novo Testamento, cujos membros se tornaram cristãos vibrantes por terem a Palavra como a base do evangelismo, do ensino, da adoração, do discipulado, da oração e, claro, da pregação. Em onze capítulos, o autor mostra que a Escritura é essencial para a vida da igreja e deve permear não só a pregação, mas também nossas músicas, orações e relacionamentos. A razão é simples: foi a Palavra que fez a igreja florescer e a sustenta até hoje. A exemplo dos primeiros cristãos, devemos nos apegar a ela o tempo todo. Contém 218 páginas.

CARSON, D. A. Soberania divina e responsabilidade humana. Perspectivas bíblicas em tensão. São Paulo: Vida Nova, 2019. A tensão existente entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana é tema debatido com frequência nas áreas da filosofia e da teologia. No cristianismo, essa discussão é ainda mais aguda, pois, ao considerarem Deus ao mesmo tempo onipotente e benevolente, os cristãos precisam lidar com vários questionamentos: - Se Deus é soberano, como podemos falar de vontade humana? - Como devemos relacionar passagens bíblicas que realçam a transcendência e a onipotência divinas com aquelas que falam do arrependimento de Deus?Como a tensão soberania-responsabilidade afeta o problema da teodiceia? - Será que Deus precisa ser reduzido para acomodar a liberdade de escolha do ser humano? Ao analisar como o assunto era tratado no Antigo Testamento, nos escritos judaicos intertestamentários e no Evangelho de João, Carson aprofunda o debate acerca do tema e mostra as implicações teológicas dessa discussão para o ministério e a missão na atualidade. Contém 301 páginas.

NOUWEN, Henri. Com o coração em chamas - Meditação sobre a vida eucarística . Sao Paulo: Editora Santuário, 2005. "Com o Coração em Chamas", Nouwen fala consigo e com seus amigos sobre Eucaristia, tecendo uma rede de conexões entre a celebração diária da Eucaristia e a experiência humana cotidiana. O evento eucarístico revela as experiências humanas mais profundas, as de tristeza, atenção, convite, intimidade e engajamento, o que resume a vida que somos chamados a viver em nome de Deus. Falando sobre perda, presença, convite, comunhão e missão, essa história abrange os cinco principais aspectos da celebração eucarística.O autor desenvolve nesta obra os cinco passos desse movimento do ressentimento para gratidão, de forma que se torne claro que o que celebramos e o que somos chamados a viver são essencialmente uma só e a mesma coisa. Contém 78 páginas.

O falso eu



Para o escritor e monge Thomas Merton, o “falso eu”, que à primeira vista poderia parecer fundamentalmente um conceito psicológico, mas é um conceito teológico antropológico, ou antes, uma ameaça perene que se tornou uma realidade trágica, tanto no nível do indivíduo quanto da cultura. O falso eu, no nível mais profundo é o ser humano desconectado de sua relação com Deus. A relação do ser humano com Deus é a sua identidade. O homem só é si mesmo dentro do contexto de sua relação dinâmica com Deus. 
Interessante que esse é um assunto que não gostamos de tratar muito, porque falar do ego é expor o que temos dentro de nós. Gostamos do ego, amamos esse falso eu que quer aflorar por causa das inseguranças geradas pela queda no Éden. Sofremos com o ego e sempre queremos nos afirmar. Queremos mostrar para os outros que somos alguma coisa. Precisamos mostrar que pertencemos a alguém. Queremos mostrar que temos um significado nessa existência. 
Saibamos dessa verdade profunda, quando temos um relacionamento com Deus através de Jesus Cristo, passamos a viver a identidade divina em nós. Não precisamos mais da dependência falso eu, porque a nossa identidade em Cristo nos preenche, nos traz graça para viver em função dele e não de nós mesmos. 
A nossa identidade em Cristo nos faz viver em função da cruz e não do falso eu, que é inseguro e não consegue se preencher sozinho em si mesmo. Vençamos o nosso falso eu através da identidade marcada na pessoa de Jesus Cristo de Nazaré. (Alcindo Almeida)