Bonhoeffer e o Sermão no Monte

A exposição do Sermão no Monte é outro elemento importante de O Custo de Discipulado. Nele, Bonhoeffer coloca ênfase especial nas beatitudes por entender ao Cristo encarnado e crucificado. É aqui que os discípulos são chamados "bem-aventurados" por uma lista extraordinária de qualidades.
Os pobres de espírito aceitam a perda de todas as coisas, especialmente a perda de si, de forma que eles podem seguir o Cristo. Os que choram são pessoas que vivem sem a paz e prosperidade deste mundo. O choro é a rejeição consciente da alegria na qual o mundo se regozija, e encontrar a própria felicidade e realização na pessoa de Cristo.
Os mansos, diz Bonhoeffer, são aqueles que não falam em defesa de seus próprios direitos. Subordinam continuamente seus direitos e eles mesmos para a vontade de Cristo primeiro e, por conseguinte, para o serviço dos outros. Igualmente, os que tem fome e sede de justiça também renunciam a expectativa que o homem pode fazer do mundo um paraíso. Sua esperança está na justiça que só o reino de Cristo pode trazer.
Os misericordiosos deixaram sua própria dignidade e se consagram aos outros, ajudando os necessitados, os fracos, e os desterrados. O puros de coração já não estão preocupados pelo chamado deste mundo; eles se resignaram para o chamado de Cristo e Seus desejos para suas vidas.
Os pacificadores detestam a violência que se usa freqüentemente para resolver problemas. Este ponto seria de significado especial para Bonhoeffer, que escrevia às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Os pacificadores mantêm a comunhão onde os outros encontrariam uma razão para romper uma relação. Estes indivíduos sempre vêem outra opção.
Os que são perseguidos por causa da justiça estão dispostos a sofrer pela causa de Cristo. Qualquer e toda causa justa se torna sua causa porque é parte da obra geral de Cristo. O sofrimento se converte em forma de comunhão com Deus. A esta lista se junta a bênção final pronunciada àqueles que são perseguidos para causa da justiça. Estes receberão uma grande recompensa no céu e serão comparados aos profetas que também sofreram.
A ênfase de Bonhoeffer no sofrimento est diretamente ligada ao sofrimento de Cristo. A igreja é chamada para suportar todo o fardo de Cristo, especialmente no tocante ao sofrimento, senão, irá se desmoronar sob o peso do fardo. Cristo sofreu, diz Bonhoeffer, mas seu sofrimento é eficaz para a remissão dos pecados.
Nós também podemos sofrer, mas nosso sofrimento não é para propósitos redentores. Nós sofremos, diz Bonhoeffer, não só porque é o que corresponde à igreja, mas de forma que o mundo possa nos ver sofrer e entender que há uma forma em que os homens possam suportar os fardos da vida, e que esse caminho é só através de Cristo.
O discipulado, para Bonhoeffer, não foi limitado ao que nós podemos compreender - tem que transcender toda a compreensão. O crente tem que mergulhar nas águas profundas, mais além da compreensão e ensino cotidiano da igreja, e isto deve ser feito individualmente e coletivamente.

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