A tragédia do excesso


- Texto para meditação: "Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas...." (recomendação de Paulo ao jovem Timóteo em II Tm 4:5).
Excesso, segundo o dicionário Aurélio, é aquilo que excede ou ultrapassa o permitido, os limites, o legal, o normal. Alguns podem gerar incômodos e transtornos, como excesso de barulho, excesso de gordura ou peso, excesso de suplementos alimentares. Outros podem gerar discórdias, riscos, perigos, como o excesso de vontade, de velocidade, de trabalho; excesso de zelo, excesso de disciplina.
Vemos muitos adolescentes e jovens experimentando o excesso do álcool, da droga. Adultos em excesso de trabalho, de falsidade, de mentiras.
Hoje sofremos com o excesso de informações. Alguns chegam a chamá-la de “mal do século XXI”. Para concordar com isso, basta pensar nos jornais que você precisa ler diariamente; nas revistas que devem mantê-lo informado; nos livros que esperam na fila para serem lidos; nos filmes que gostaria de assistir; na centena de emails a serem lidos e respondidos, alguns, inclusive, cheio de informações aparentemente interessantes
Alguns sofrem com o excesso de confiança, desconsiderando riscos, menosprezando princípios, contemporizando valores.
A verdade é que todos estamos sujeitos à prática de excessos. Ele pode acontecer ou se apresentar das mais diferentes formas e roupagens. Às vezes ele será de difícil discernimento. Quando percebemos ou damos conta, já estamos metidos nele.
É preciso uma constante, cuidadosa e intencional vigilância, como uma boa dose de humildade, e com muita oração para prevenir-se dos excessos.
Até mesmo quando falamos de um dos direitos fundamentais do homem – a liberdade, devemos nos cuidar para que o excesso de liberdade não desvirtue, deforme, gere conflitos, ou transforme-a num mal a nós e à nossa sociedade.
Charles Kingsley, escritor inglês do séc XIX, escreveu: “Há dois tipos de liberdade – o falso, no qual o homem é livre para fazer o que bem entende; e o verdadeiro, no qual o homem é livre para fazer o que deve”.
Pode o excesso de liberdade confundir-se com o excesso de tolerância com a ausência de valores, de limites, de princípios.
E o excesso de tolerância com essas ausências pode gerar inverdades que tentam se impor como verdades em nossa sociedade. É assim que nos tornamos tolerantes com a mentira, ao ponto de transformá-la em instrumento de conduta em nossos relacionamentos. É assim que nos tornamos tolerantes com os princípios de honestidade, e agimos à margem deste principio através de nossas escolhas.
“Você não pode controlar o que acontece a você, mas você pode controlar as suas atitudes em relação a tudo que acontece a você e ao fazer isto, estará controlando ao invés de ser controlado.” Brian Tracy, autor canadense nascido em 1944.
Não podemos fechar os olhos diante dos perigos do excesso. Ou agir como se a vida não nos apresente a conta ou nos puna pelos excessos.
A recomendação do apóstolo Paulo ao jovem Timóteo em sua segunda carta nos é bastante oportuna nesses tempos: “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas....” (II Tm 4:5).
Por isso...

ESCOLHA AGIR COM SOBRIEDADE

Agir com sobriedade é ser sóbrio, temperante, sob medida, comedido, moderado.
É agir com ausência de artificialidade, de complicação. É agir com simplicidade.
Essa sua atitude pode ter como base as condições e circunstancias que o cercam, o modo que as pessoas lhe tratam, ou uma série de outras coisas. Mas ela deve ser exatamente aquela atitude que você escolheu tomar.
Tenha a disposição de fazer isso!
O jornal “USA Today” contou uma história certa vez sobre um rapaz que entrou em coma por conta de um terrível acidente de automóvel. E lá permaneceu, não por dezenove dias ou meses, mas por dezenove anos. Eles o entrevistaram logo depois que ele despertou de sua longa inconsciência e perguntaram-lhe: “Como você finalmente foi capaz de começar a falar?”. Bem, ele disse, parando para considerar isso pela primeira vez, “eu apenas decidi começar a mexer meus lábios”.
Enquanto li o artigo do jornal não pude evitar em pensar: “Se tudo o que foi preciso para romper um coma de dezenove anos foi começar a mexer os lábios, por que você não fez isso dez anos atrás?” (citado por Bill Hybels em “Axiomas”, Ed Vida, pág 161)
Por que viver os excessos da amargura e do ressentimento, em vez da temperança e do perdão?
Por que viver o excesso da superficialidade, da artificialidade, da complicação, em vez de desejar uma vida mais simples e prazerosa?
Por que viver a vida excessivamente voltada ao exterior, ao aparente, em vez de cultivar a vida interior?
Por que viver a vida excessivamente voltada ao seu “mundinho” sem enxergar um mundo imenso que há lá fora?
Saiba: há dois mundos diante de você – um interior e outro exterior. Aprenda a apreciá-los.
Por que viver o excesso da crítica, em vez da alegria do elogio, do apreço, do reconhecimento do outro, no outro e através do outro?
Por que viver o excesso da arrogância, da soberba, da prepotência, em vez de praticar a humildade como sinal da verdadeira coragem e confiança?
Deseje uma vida da maneira mais autêntica, transparente e verdadeira possível. Fuja da artificialidade, superficialidade e complicação. Exercite a temperança. Seja moderado. Sóbrio.
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,

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Pr. Hilder C Stutz

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