Temos uma presidenta


Feliz a nação que tem Deus como o seu Senhor... (Salmo de Davi, 33.12).

O Brasil elegeu no último dia 31 de Outubro sua primeira presidenta da República. Dilma Vana Rousseff, 63 anos, nascida em Minas Gerais e filha de pai búlgaro e mãe mineira, será a primeira mulher a governar o país, desde a instalação da República.
Embora seja um fato marcante e relevante, aliás, eram duas mulheres e um homem os três principais postulantes ao cargo, ela hoje soma-se ao quadro de outras mulheres que estiveram ocupando lugar de destaque no poder ou na sociedade, como Isabelita Perón (Argentina), Golda Meir (Israel), Michele Bachelet (Chile), Margaret Thatcher (Inglaterra), Indira Gandhi (India), Benazir Bhutto (Paquistão) ou Ângela Merkel (Alemanha).
No Brasil, pessoas como a Princesa Isabel (responsável pela assinatura da Lei Áurea), Bertha Lutz (que lutou pelo voto feminino), ou Carlota Pereira Queiros (primeira mulher eleita deputada federal em 1933) escreveram seus nomes em nossa História.
Tem nossa presidenta a oportunidade de fazer história ou ser apenas parte da história. Suas escolhas, suas atitudes, suas decisões, haverão de construir isso.
Nós também fizemos nossa escolha, ou até nos omitimos, como cerca de 20 milhões que se abstiveram de votar no segundo turno, número esse suficiente para mudar o resultado da própria eleição.
Cansamos de ouvir, ver e assistir políticos apresentando suas visões conflitantes, incoerentes, recheadas de mentiras sem parcimônia, para desenharem nosso futuro, seduzindo-nos com sua visão de país. Fico pensando: que país? Ou país de quem? Nosso ou deles?
Promessas de segurança, saúde, educação, estabilidade financeira, oportunidades para todos nos eram oferecidas por candidatos que pareciam acreditar que nós acreditávamos neles. E, o pior, tem muitos que realmente acreditaram.
Não dá para acreditar que a política possa nos levar ao paraíso que muitos sonham.
Daqui a dois, ou quatro anos, lá estão eles de novo vangloriando-se de suas realizações, ou atacando as fragilidades do adversário, e os marqueteiros, novamente organizando estratégias de convencimento.
Temo pela visão que temos do que seja um líder
A.Cohen (bilionário americano), escreveu: “Liderar é a arte de influenciar pessoas”. Ou seja, é apontar caminhos, é antecipar-se aos problemas que a maioria não vê e não é capaz de identificar e tomar ações concretas de provimento de soluções a esses problemas. E essa influencia deve estar calcada em valores e princípios.
Isso é muito mais que julgar-se “o salvador da pátria”. Muito mais do que julgar-se “o cara”. Mais do que ver-se “acima do bem e do mal”, desrespeitando abundantemente a lei, e banalizando sua transgressão.
C.S.Lewis em “A Abolição do Homem”, faz uma advertência dirigindo-se a sociedade pós-cristã que vem destruindo, sistematicamente, as raízes de sua moralidade, que julgamos atual e relevante para nossa análise e percepção dos nossos dias: “Nós continuamos a clamar pedindo exatamente aquelas qualidades que estamos tornando impossíveis... Fazemos homens sem peito e deles esperamos virtudes e iniciativa. Rimos da honra e nos sentimos chocados quando encontramos traidores no nosso meio. Castramos e pedimos que os castrados sejam frutíferos”.
Sobre que padrões, valores e princípios vamos edificar nossa sociedade, nossas famílias, nossa vida?
 
Sobre o dinheiro?

Se olharmos o que acontece em nosso mundo e, particularmente o que aconteceu ao longo desses últimos três anos, poderíamos dizer que o dinheiro parece uma fundação que é mais areia que rocha.
Talvez alguns de nós tem confiado nosso futuro ao sistema financeiro, guardando o suficiente para viver bem, ter uma boa aposentadoria, e podemos acabar vendo esse dinheiro desaparecer em meio a uma crise.
Há dois séculos, John Wesley advertiu os Metodistas sobre os perigos do sucesso e seus efeitos sobre a fé religiosa: “Eu temo que em todas as partes onde as riquezas aumentaram a essência da religião diminua na mesma proporção... pois aumentará o orgulho, a ira e o amor ao mundo em todas as suas ramificações”.
De modo contrário, muitas vezes os problemas financeiros podem reconduzir-nos à dependência de Deus. Começamos a prestar atenção às necessidades humanas concretas em vez de acreditar nas ilusões de uma cultura de futilidades.

Sobre a política?

Acredito que para que nossa sociedade seja mais sadia e funcione, nós precisamos de uma ajuda que a política não nos pode oferecer.
Como disse o filósofo alemão Jürgen Habermas: “A democracia exige de seus cidadãos qualidades que ela não pode oferecer”.
Os políticos podem invocar uma visão exaltada de uma sociedade próspera, sadia e livre, mas nenhum governo pode suprir as qualidades de honestidade, compaixão e responsabilidade pessoal que devem sustentar essa visão.
Cremos que o Estado é laico, e isso é saudável para a liberdade de cada cidadão. Porém, o indivíduo, as pessoas não são “laicas”, a não ser por também liberdade de escolha. Os ataques aos princípios cristãos de uma nação, esquecendo-se da importância dos resultados positivos que ela traz à essa população em resposta as questões existenciais mais agudas, são fruto, na maioria das vezes, de uma visão distorcida, míope ou preconceituosa.
Este nosso país, bem como nosso mundo, precisa do amor de Deus e também de sua justiça. Precisamos sim, ouvir as palavras de Jesus e praticá-las.
Se agirmos assim, aconteça o que acontecer, quer seja no mercado financeiro nacional ou mundial, quer na economia ou na política, ou outra ameaça qualquer, quando as dificuldades surgirem, as crises se estabelecerem, os vazios se colocarem diante de nós, teremos uma fonte inesgotável de vida, onde poderemos nos apoiar e sermos sustentados pela fé.

“Ainda que a fé seja um “pulo no escuro” como insistia Soren Kierkgaard, ela escuta muito bem a voz dos céus antes de saltar. No Reino de Deus não há confiança estúpida, desconectada da revelação, e nós precisamos conhecer a verdade com mais exatidão”, como escreveu Glênio Fonseca Paranaguá, em “A Tara da Balança”, Ed Ide.
Sobre que base estamos construindo nossa nação, nossas casas e nossa vida?
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,

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Pr. Hilder C Stutz
 

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