terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Tendo consciência da santidade de Deus




- Texto para reflexão: E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui. Prosseguiu Deus: Não te chegues para cá; tira os sapatos dos pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus (Ex.3.4-6).
O capítulo 3 de Êxodo mostra que Moisés estava apascentando o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midiã e diz que ele levou o rebanho para trás do deserto e chegou a Horebe, o monte de Deus. O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo do meio duma sarça. Quando Moisés olhou havia uma sarça que ardia no fogo e não se consumia.
E vendo o Senhor que ele se virara para ver o chamou e disse que não era para se chegar e para tirar os sapatos dos pés porque o lugar em que estava era terra santa.
E Deus se revela como Deus de seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E o texto nos afirma algo que deixa a gente bem reflexivo. O texto diz que Moisés escondeu o rosto porque temeu olhar para Deus.
Diante desta experiência extraordinária que aconteceu com Moisés há alguns detalhes na vida espiritual que devemos dar atenção:

1. Devemos ter reverência diante do Deus santo: às vezes fazemos a obra do Senhor de qualquer maneira, não consideramos a sua obra com reverência e achamos que estamos servindo a qualquer um. No encontro com a majestade de Deus Moisés entende que a sua vida deve ser marcada pela reverência diante do seu Deus. Por isso, imediatamente ele se prostra em rendição diante do seu criador e Senhor. Moisés tira as sandálias dos seus pés porque ele entende pela graça do Senhor que aquele a quem ele serve, é um Deus santo, puro e separado dos pecadores. Quanto precisamos desta visão de reverência diante do nosso Deus, visão que fazia parte da vida dos monges dos Séculos passados, homens que tinham um fim na vida: Deus e não se desviavam deste propósito por nenhuma outra finalidade. Um monge vivia no segredo da face de Deus. Um monge queria estar imerso na presença santa e divina do eterno Deus (MERTON, 2002, p. 46). Quando temos uma visão da reverência diante de Deus andamos com cuidado e seriedade na vida cristã e somos cada vez mais levados a nos inclinar e nos prostrar diante do nosso Senhor.

2. Devemos andar com temor e santidade na vida: a santidade cristã não é apenas uma questão de recolhimento e isolamento das coisas mundanas. Ela é amor e temor acima de tudo diante de Deus Pai. Quando nos prostramos diante da santidade de Deus consequentemente temos temor, nem queremos olhar para Deus porque nos vemos absolutamente pecadores e indignos diante dele. Temos a mesma postura que Isaías quando ele afirmou: Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos! (Is. 6.5) A vida santa é vida vivida em plenitude e união com o Deus vivo quando temos consciência de que somos pecadores e precisamos andar em santidade diante do Deus que é totalmente santo e puro (MERTON, 2002, p. 24).
Que a graça dele venha sobre nós para que andemos com reverência e santidade diante dele!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Crie um ambiente especial para o seu tempo com Deus


- Texto para a reflexão: Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará (Mateus 6.6).

Há alguns locais que gostamos muito, como um restaurante preferido, onde comemoramos datas importantes, um cinema que valorizamos pela qualidade de som e conforto. Nos lugares especiais gostamos do ambiente e lá con­versamos com descontração e aguardamos uma nova oportunidade de voltar ali.
Algumas famílias passam férias sempre no mesmo lugar, por­que é como se estivessem num segundo lar. Fatos importan­tes acontecem ali, lembranças agradáveis são geradas. As famí­lias esperam com ansiedade pelas férias.
De igual modo semelhante, quando criamos um local secreto onde podemos orar de verdade, com o tempo ficaremos ansiosos para ir para lá. Começaremos a apreciar o ambiente íntimo, o aroma, os objetos conhecidos, começaremos a gostar do ambiente espiritual onde conversamos livremente com Deus.
Eu encontrei um espaço assim no meu escritório pastoral. Este espaço do escritório se tornou num lugar sagrado para mim. Eu chego todos os dias por volta de 8 horas da manhã e lá começo a conversar inti­mamente com o Senhor. Lá neste local tenho o propósito de derramar o meu coração diante do eterno Deus. Lá neste espaço eu o adoro e oro: pela minha família, pela minha vida e pelos membros da minha comunidades. Depois passo um tempo lendo as Escrituras para saber o propósito de Deus para o meu coração.
Há muitos anos me encontro com o Senhor neste local nas manhãs e isto tem sido refgrigério profundo para o meu coração. As respostas não vêm na hora, mas percebo que este ambiente especial é o local onde o eterno Deus se encon­tra comigo também. Eu percebo nos momentos da minha história o quanto o tempo com Deus traz resultados extraordinários para o meu coração e para a minha vida espiritual. Porque o propósito segundo nos ensina o mestre é que devemos ter um tempo a sós com o Pai, no secreto do nosso coração. Como diz Henri Nouwen, este é o lugar onde nós “entramos na solidão antes de tudo para encontrar nosso Senhor e estar com ele e só com ele conservando os olhos da mente e do coração naquele que é o nosso Divino Salvador. Só no contexto da graça enfrentamos nosso pecado; só no lugar da cura ousamos mostrar nossas feridas; só com atenção sincera a Cristo desistimos de nossos medos ferrenhos e enfrentamos nossa verdadeira natureza” (NOUWEN, Henri. A espiritualidade do deserto e o ministério contemporâneo o caminho do coração. São Paulo: Loyola, 2000, p. 48).
Lembrar deste local é como se lembrar de casa onde encontramos graça e segurança. Se queremos aprender a orar, procuremos um lugar tranquilo, livre das distrações. Porque orar é descer com a mente ao coração e ali ficar diante da face do Senhor, onipresente, onividente dentro de nós. Orar é ficar na presença de Deus com a mente no coração, isto é, naquele ponto de nossa existência em que não há divisões nem distinções e onde somos totalmente um. Ali habita o Espírito de Deus e ali acontece o grande encontro. Ali, coração fala a coração, porque ali ficamos diante da face do Senhor, onividente, dentro de nós.
Não precisa ser uma capela. Pode ser a des­pensa, o quarto de ferramentas, o seu escritório ou a varanda da casa. Desde que o ambiente seja silencioso e íntimo não importa qual seja. Precisamos ir para lá na melhor hora do dia seja, pela manhã, tarde ou noite. Precisamos nos encontrar num espaço especial com o Senhor e lá deixarmos que o silêncio nos ajude a manter a mente e o coração apoiados no mundo divino que nos ensina sobre o presente e o futuro conforme a graça do soberano criador.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Este livro é fera: D. Willard... Conspiração divina...


Vejam algumas frase dele:

"O curso atual de ética aplicada não busca transmitir um conjunto de verdades morais, mas tenta incentivar o aluno a refletir cuidadosamente sobre e tão somente sobre ideologia moral....O importante são as idéias e não a vida... Daí td se tornar relativo....".pg. 22.

"O humanismo secular é um movimento de idéias e nele as pessoas são pouco mais que peões num jogo de xadrez....".pg. 26.

"Jesus se oferece com a porta de Deus para a vida que é verdadeiramente vida... Ter fé nele nos leva hj, como em outros tempos, a nos tornar aprendizes do eterno viver nele....". pg. 32

"O Reino de Deus não é uma realidade social, ele é o único lugar onde toda a criação se envolve com a sua vontade e onde sempre ela prevalece e não a do homem....". pg. 46


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A Graciosa Graça - Glenio Fonseca Paranaguá


- Texto para reflexão: Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai Mateus 10:8.

Graça é um Deus justo e santo imputando gratuita e favoravelmente sua justiça e santidade a um pecador vil e rebelde.
A graça é o conceito mais ofensivo ao mérito. A nobreza do valor não pode aceitar uma dádiva que não tenha correspondência. Tudo o que somos neste mundo é resultado de algum merecimento. Há um comércio muito forte no plano dos relacionamentos. Só vale quem tem algum valor. Há discriminação no pedaço. Os bonitos e sadios sempre levam vantagem sobre os feios e debilitados.
A pedagogia que prevalece só qualifica os capazes. Os aprovados são aqueles que apresentam suas aptidões superiores. Esta filosofia é um retrato do espírito espartano. Naquela cidade antiga, costumava-se eliminar as crianças que nascessem lesadas. Não era razoável manter as deformidades numa sociedade guerreira, que precisava de soldados inteiros. Os aleijados deviam ser alijados.
Este pensamento seletivo continua operando em quase todas as áreas das conexões humanas, por isso, lançamos fora todos aqueles que não são úteis. Descartamos os pesados e inconvenientes para facilitar nossa trajetória. Desembaraçar-nos dos inúteis é um jogo sábio no tráfico das influências. Não podemos perder tempo com trastes, no mercado das convivências lucrativas. As pessoas valem na medida das permutas proveitosas. O que você pode me acrescentar em termos positivos? É uma questão importante na escolha dos nossos amigos. Entretanto, a graça não tem goela de baleia. Este pensamento miúdo e estreito não faz parte dos limites da graça. Por definição, graça é a dádiva incondicional de Deus aos desconceituáveis. É Deus dando e fazendo tudo para o indigno. Graça é favor imerecido. É a plena suficiência de Deus, para a total incapacidade do homem. É a menção honrosa para os desqualificados. É o pódio dos falidos. É o brilhante de muitos quilates para um anel de metal barato. Graça é um Deus justo e santo imputando gratuita e favoravelmente sua justiça e santidade a um pecador vil e rebelde.
Santo Agostinho dizia que a graça não encontra homens aptos para a salvação, mas torna-os aptos para recebê-la. Na verdade, a graça encontra os homens na desgraça ou na anti-graça. O nosso mundo funciona na base de impertinentes cobranças e a religião é muito sem graça. O mundo exige e reclama do desempenho das pessoas e a religião envergonha o fracasso dos trôpegos. Neste contexto infeliz de imposições e vexames, surge uma mensagem sublime da graça plena, que assume a responsabilidade do castigo e transfere gratuitamente os benefícios da aceitação. Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Tito 2:11 e 3:7. O ser humano não conquista a graça de Deus, pelo contrário, a graça de Deus invade a falência humana.
O doente carece do médico porque está doente. Jesus disse que os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento. Lucas 5:31-32. Ninguém se arrepende para ser chamado, mas porque é chamado se arrepende. A vocação divina antecede a decisão humana. O morto precisa ser vivificado para poder se levantar. O pecador necessita ser regenerado para crer e arrepender-se. Jesus, como médico da alma, veio em busca do doente espiritual. Neste caso, não é o doente quem busca o médico, mas é o médico quem procura o doente. Isto é graça. A Bíblia mostra que, não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Romanos 3:11. Foi Deus, em Cristo, quem buscou o homem no pecado. Jesus, como médico gracioso, veio salvar o pecador independentemente de qualquer iniciativa deste. A ação da graça de Deus precede qualquer reação do ser humano. Apesar de Deus nunca salvar um espectador, Ele não salva um executivo, isto é: alguém que realiza primeiro, para receber depois. A salvação de Deus não é uma permuta. No reino da graça não existe câmbio. Como disse Dr. Pink: Nenhum pecador jamais foi salvo por ter dado o coração a Jesus. Não somos salvos por termos dado, mas sim pelo que Deus deu.
O homem é um ser que nasceu estragado e vive tentando se consertar com os seus próprios expedientes. Mas nada consegue restaurar o desmantelo. O sistema criado pelo homem é sempre dirigido pela não-graça, e isto gera muito esforço e provoca cansaço. O enfado da religião é insuportável, e sempre acaba produzindo muita hipocrisia. Mesmo sem conseguir a experiência autêntica, o religioso desempenha com denodo o seu papel de idiota consumado. Santidade exterior e corrupção interior é a mistura mais insustentável para a saúde da alma. Alguém disse que, não há nada pior do que ser por fora aquilo que não se é por dentro. O manto de púrpura pode encobrir as chagas mas não pode disfarçar o seu mau odor. A aparência muitas vezes recebe aplausos por algum tempo, mas logo vem a zombaria, em razão do descrédito. A falsificação é contravenção penal, e a hipocrisia, segundo Dante Alighieri, é uma atitude duvidosa, que nem o fogo infernal a quer consumir. Por isso, não vale a pena fingir quando a graça nos é facultada. Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens, para a justificação que dá vida. Romanos 5:18. Diante da aceitação plena da graça não há necessidade de reservas pessoais. Se Deus me aceitou em Cristo Jesus, com todos os meus pecados, traumas, defeitos e imperfeições, por que eu tenho de me fantasiar com a tanga da figueira? É a graça que assegura a nossa aceitação. Somos salvos pela graça e somos santificados pela graça. Dr. Lloyd-Jones foi exato: Tudo é pela graça na vida cristã, do início ao fim. O Deus de toda graça é o autor de toda a salvação e santificação do homem.
A graça plena de nosso Senhor Jesus Cristo transforma lobos em cordeiros, pecadores em santos, monstros em anjos. Os transformados pela graça são convocados para o ministério da graciosa graça. A Igreja de Jesus Cristo é um organismo da graça, a serviço da graça. De graça recebestes, de graça dai. Se fomos aceitos pela graça, somos chamados a aceitar, pela graça, os que caíram. Não fomos chamados pela graça para vivermos no pecado ou na anti-graça. O mesmo Deus que perdoa, purifica. O mesmo Deus que salva, santifica. O mesmo Deus que nos aceita pela graça, nos faz graciosos para com os outros. Um cristão cheio de graça é aquele que olha para o mundo com o mesmo enfoque de graça com que ele foi alcançado. Onde abundou o pecado, superabundou a graça. Romanos 5:20b. Quem foi perdoado plenamente pela graça, sabe perdoar totalmente, pela mesma graça. Todos os que receberam da graça, sabem dar graciosamente. A romancista e humanista secular Marghanita Laski afirmou, em uma entrevista de TV: O que eu mais invejo em vocês, cristãos, é o seu perdão. Eu não tenho ninguém que me perdoe. Se fomos perdoados completamente por nosso Senhor Jesus Cristo, não temos outra alternativa. Alice Clay pontuou: Nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão. Somente aqueles que, pela graça, receberam o perdão de Deus, podem perdoar com graça. Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo 1Pedro 1.13.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Contando as histórias do coração


- Texto para reflexão: Vivo, mas não eu, e sim Cristo em mim. De forma que a vida que agora vivo, vivo pela fé no Filho de Deus o qual me amou e a si mesmo se entregou por mim(Gálatas 2:20).
Quando contamos histórias do coração não é simplesmente o fato de ilustrar ou de contar parábolas da vida. As histórias do coração não são apenas palavras, mas são sentimentos e vida de uma pessoa. Então, contar histórias do coração é falar da atenção que Deus está dando para nós como o seu povo e quanto falamos de histórias assim, percebemos que elas são insubstituíveis, são marcantes e profundas. Elas são presentes de experiência pessoal. E com clareza o nosso próprio desenvolvimento depende do desenvolver de nossa própria capacidade de contar histórias porque somos seres históricos. E a nossa fé tem que possuir um desenvolvimento histórico. A constante participação na Palavra de Deus faz com que nos abramos para as histórias do coração. Sem esta prática nós acabamos secando e estagnamos na nossa falta de crescimento e maturidade na vida cristã. Contar histórias do coração é participar de uma nova maneira de viver. Quando contamos a história de Deus na nossa vida, afirmamos e mostramos a influência que Deus tem sobre a nossa vida e sobre o nosso coração. Vejam a experiência de Paulo em Gálatas 2:20. Ele conta a história de que quem vive não é ele, e sim, Cristo nele. Esta realidade nos dá todo um novo sendo de identidade e um novo senso de propósito também. A vida cristã é uma vida compartilhada e socializada. Não sou “eu” e sim “Cristo em mim”. É ser parte do corpo de Cristo que é a essência de ser cristão. Então temos uma identidade comunitária para evidenciar a nossa história. É a igreja que deve nos formar para que tenhamos esta maneira de viver contando histórias do coração. Paulo entende quem Cristo é na sua vida e começa a narrar às histórias do seu coração dizendo o que Cristo fez nele. A narrativa da sua vida é a história da redenção. Ele em todos os lugares conta o que Cristo fez em sua vida. Ele diz que Cristo morreu e ressuscitou por ele. Ele conta isto no Sinédrio perante Félix, perante o sumo sacerdote Ananias, perante Festo e Agripa. Em Éfeso ele conta as histórias da redenção, na Grécia, na prisão em Filipos, em Roma, em Corinto e Atenas. Nas suas viagens missionárias ele faz questão de narrar às histórias do seu coração totalmente voltado para o Reino de Deus. Ele conta como a graça de Deus o alcançou. Necessitamos de espaço para contar histórias do coração, contar aos outros o que Deus fez por nós, em nós e através de nós. O cristianismo é um convite para narrarmos histórias do coração, o que Deus tem feito em nós.

O Significado de ministério na Tradição Reformada


Embora tivesse “ido à frente” aceitar a Cristo somente há um mês atrás, Bob, que recentemente encerrara sua carreira na NFL (Liga Nacional de Futebol Americano), tinha acabado de informar seu grupo de discipulado que havia sido chamado para o ministério. De fato, na semana seguinte ele se juntaria a um comerciante que também decidira que havia sido chamado para o ministério. Juntos, eles formariam uma equipe evangelística para o meio esportivo.
Uma história familiar para aqueles dentre nós que foram criados num círculo evangélico, este relato fictício ilustra a importância prática da pergunta “O que é ministério?”
O verbo “chamar” (kalein) e o substantivo “chamado” (klesis) têm uso abundante e, até certo ponto, variado no Novo Testamento. Ser “chamado” é ser afetuosamente convidado por Cristo a vir e receber vida eterna. Mas nem todo o que ouve esse convite universal responde; o Espírito Santo deve conduzir o eleito a Cristo através de um verdadeiro despertar da morte espiritual. Lázaro nunca poderia ter saído do túmulo simplesmente pelo convite de Cristo, à parte da ação poderosa de Deus internamente, restaurando vida. Da mesma forma, “ninguém pode vir a Mim”, disse Jesus, “a menos que o Pai, que Me enviou, o traga; e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo. 6:44).
Jesus não somente chamou pecadores ao arrependimento (Mt. 9:13); Ele chamou os doze para serem Seus discípulos (Mt. 4:21). Ele não somente chamou e justificou os que foram predestinados (Rm.8:30), mas chamou alguns do Seu povo para serem seus representantes e supervisores da sua igreja.
Mas o que dizer do sacerdócio de todos os crentes?
Um dos temas centrais da Reforma, claro, era o feliz anúncio no Novo Testamento que, nas palavras de Lutero, “O nome e ofício de sacerdote são comuns a todos os cristãos”. No Éden, Adão era ministro de Deus, mas falhou em preservar o templo de Deus do engano do maligno. No deserto, Deus separou entre os de Israel, sacerdotes que O serviriam e O representariam junto ao povo. Deus disse a Moisés “Ajunta-me setenta homens dos anciãos e superintendentes do povo; e os trarás perante a tenda da congregação, para que assistam ali contigo. Então descerei e ali falarei contigo; tirarei do Espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles: e contigo levarão a carga do povo, para que não a leves tu somente.” (Nm. 11:16-17). E ainda assim, há o anseio por algo maior: “Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o Seu Espírito” (vs. 29). Desde cedo na história vemos o destino futuro de Israel como “reino de sacerdotes e nação santa” (Ex. 19:6).
Mais tarde, através dos profetas, Deus puxa a cortina ainda mais: “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias” (Jl 2:28-29). Cumprido no Pentecostes, como Pedro proclamou em seu sermão (At. 2:17), esta profecia refere-se ao dia quando toda a Igreja será cheia com o Espírito e cada crente será um sacerdote, de modo que o mundo saberá que Jesus é o Cristo.
Assim, a promessa feita a Israel não é inválida mas é, na verdade, cumprida na Igreja do Novo Testamento: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, vós, sim, que antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (1 Pd. 2:9-10).
Portanto, o sacerdócio do Velho Testamento está revogado, como a sombra é substituída pela realidade sólida: Cristo sendo o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm. 2: 5). Unidos com Cristo, o definitivo Profeta, Sacerdote e Rei, todos os crentes compartilham do sacerdócio do Salvador na medida em que proclamam o Cordeiro de Deus e o perdão uns para com os outros. Assim, os crentes são ordenados, “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg. 5:16). Todos os crentes são “chamados” e “sacerdotes” desde que a cortina do templo foi rasgada de alto a baixo e agora cada crente se encontra no Santo Lugar. Porque está coberto com a justiça de Cristo, o crente agora se encontra onde antes somente o Sumo Sacerdote poderia permanecer. Assim como o Espírito Santo estava sobre Moisés, e depois sobre os setenta anciãos e profetas através dos quais Ele deu a revelação de Deus em Cristo, assim hoje o Espírito está sobre e verdadeiramente dentro de cada um de nós. O verdadeiro Israel de Deus tornou-se testemunha de Cristo “em Jerusalém e em toda Judéia e Samaria, e até os confins da Terra” (At. 1:8).
Quando os reformadores acusaram o sacerdócio romano de um retorno as sombras do Velho Testamento (infância), entendendo que a realidade tinha vindo em Cristo (maturidade), eles estavam, em essência, expondo novamente o Livro de Hebreus.
Lutero bradou, “Cada cristão verdadeiro deveria saber que não existe nenhum sacerdote externo, visível, exceto aqueles aos quais o diabo tem levantado e exaltado através de mentiras de homens”.
Mas embora esta doutrina libertadora tenha sido usada para subverter o sacerdotalismo romano, ela tem sido adulterada para distorcer o conceito bíblico de ministério. Nós freqüentemente esquecemos que a Reforma foi um conflito contra dois movimentos: Roma e os Anabatistas ou “sectarismo”.
Embora criticando noções de uma casta sacerdotal com status e poderes elevados em virtude da ordenação deles, os reformadores eram, da mesma forma, severos nas suas críticas de um “livre-para-tudo” no qual, como Calvino colocou, “tudo está em confusão”. Os pregadores ambulantes, auto nomeados, e seus entusiastas foram “misturando-se aqui e ali, de forma incerta, sem designação, concentrando-se em um lugar e abandonando suas igrejas a bel-prazer”. Sobre tais “fanáticos” Calvino acusou: “em seu orgulho, eles desprezam o ministério dos homens e até as próprias Escrituras, para conseguir o Espírito. Eles então, orgulhosamente, tentam espalhar todos os enganos que Satanás lhes sugere, tais como revelações particulares do Espírito”. Tais são os libertinos e indivíduos desvairados como eles. Quanto mais ignorante um homem é, maior é o orgulho com o qual ele está cheio. “Assim, pessoas com nenhuma qualificação, que se impõem sobre a Igreja, são fanáticos, guiados por um espírito maligno. Existem muitos, por exemplo, que se ufanam de serem movidos a agir pelo Espírito, e se vangloriam de um chamado particular de Deus, quando o tempo todo eles são incultos e totalmente ignorantes”. Nós temos confundido sacerdócio com ministério, como se o sacerdócio de todos os crentes significasse que todos os crentes são ministros. Assim, juntamente com o sacerdotalismo romano, o sectarismo fanático foi também evitado a todo custo.
Mas se todos os crentes são sacerdotes, isto não significa que não há diferença entre um ministro ordenado e uma pessoa leiga? A esta questão os reformadores responderiam “sim e não”. Sim, não há diferença em termos de pessoa. Um ministro e uma pessoa leiga são igualmente justificados e chamados para a vida eterna, co-herdeiros com Cristo em igual medida.
Tornadas eficazes mais pelo ministério de Cristo do que por qualquer virtude da ordenação, as orações dos ministros não são mais poderosas do que aquelas de uma pessoa leiga. Deus não concede atenção especial aos ministros. Eles não têm um telefone vermelho em seus gabinetes, nenhuma linha direta especial com Deus, que o resto do rebanho de Cristo não usufrua. Não obstante, existe uma diferença entre ofício e vocação. Assim como um médico não é um advogado, a pessoa leiga não é um ministro
Aqui é onde, na minha opinião, nós temos nos afastado neste assunto. Temos confundido sacerdócio com ministério, como se o sacerdócio de todos os crentes significasse que todos os crentes são ministros.
Certamente este não é o entendimento de Lutero e Calvino sobre o sacerdócio de todos os crentes.Outra vez, diz Lutero:
Pois embora todos sejamos sacerdotes, isto não significa que todos nós possamos pregar, ensinar e governar. Certamente alguns da congregação devem ser eleitos para tal ofício. E aquele que tem tal ofício não é um sacerdote por causa de seu ofício, mas um servo de todos os outros, que são sacerdotes. Quando ele não mais estiver habilitado para pregar e servir, ou se ele não mais quiser fazê-lo, ele uma vez mais, se torna parte da congregação comum de cristãos. Seu ofício é transferido para outra pessoa e ele se torna um cristão como qualquer outro. Este é o modo de se distinguir entre o ofício da pregação ou ministério, e o sacerdócio geral de todos os cristãos batizados.
A distinção reside não por causa da pessoa do ministro, mas por causa do serviço da Palavra e sacramentos. Calvino diz, “Cristo age pelos ministros de tal maneira que Ele deseja que suas bocas sejam reconhecidas como Sua boca, e seus lábios como Seus lábios”.
Como as confissões reformadas nos lembram, o ministério não depende da integridade do ministro. Mesmo se eventualmente descobrir-se que ele era um incrédulo, ele foi usado por Cristo como um agente de redenção para seu povo. De fato, até Judas exerceu um ministério efetivo como um discípulo de nosso Senhor. É o Espírito Santo agindo através da Palavra e dos sacramentos, não o próprio ministro, que é responsável pelo sucesso do ministério.
Assim, em oposição às seitas que seguiram após os antigos donatistas, combatidos por Agostinho, a segunda confissão Helvética declara: “Mesmo ministros maus devem ser ouvidos. Além disso, nós detestamos fortemente o erro dos donatistas que consideram a doutrina e administração dos sacramentos eficazes ou não, de acordo com a boa ou má vida dos ministros (XVIII)”.
Será então, que retornamos à época em que se fazia diferença entre vocação sagrada e secular?
O pietismo evangélico tem criado um ambiente não muito diferente do paralelo medieval, separando os cristãos em “trabalho secular”e “serviço cristão de tempo integral”. Adivinhe qual é mais importante! Como a vasta rede de comunicação das comunidades monásticas da Idade Média, a identidade evangélica dos nossos dias parece determinada por uma rede de ministérios paraeclesiásticos e por uma multidão de personalidades carismáticas que freqüentemente recebem poder quase ilimitado e incontestável enquanto são bem sucedidos. Como o monasticismo medieval estava freqüentemente em conflito com a igreja e autoridade institucional (somente para ele próprio se tornar institucionalizado), o evangelicalismo contemporâneo parece, da mesma forma, possuir um aspecto anti-igreja. Criados como supostos “movimentos do Espírito”, em oposição ao “igrejismo”, seitas e ministérios paraeclasiásticos também acabam se tornando instituições. E, uma vez mais, como o monasticismo medieval, vocações verdadeiramente significantes, são consideradas como aquelas associadas aos interesses religiosos.
Foi deste tipo de dualismo que muitos de nós foram libertados nas recentes décadas. “Tudo na vida é sagrado”, ouvimos. “Todo cristão é um ministro”. Adotando a teologia reformada como uma saída das suposições da subcultura evangélica sobre a superioridade do “serviço cristão de tempo integral”, muitos estão começando a fazer distinções cuidadosas não somente entre sacerdócio e ministério, mas também entre o secular e o sagrado. Dizer que limpar uma casa ou defender um caso judicial não é um ministério e é então, uma atividade secular, ao invés de sagrada, faz de tais trabalhos inferiores ou não espirituais, somente se aceitarmos o dualismo que sustenta as versões de espiritualidade medievais e evangélicas contemporâneas. O que a Reforma restabeleceu foi a apreciação bíblica pelo comum tanto quanto pelo santo, pelo secular tanto quanto pelo sagrado, não um conflito dos dois. Calvino encorajou artistas a acharem temas na natureza, ao invés de tentarem imaginar o mundo invisível, e a contribuição do movimento para as artes e ciências é amplamente reconhecida. É bom ser um construtor, um pintor, um doutor, ou um zelador. Estes são chamados divinos, então como podemos chamá-los de inferior?
Enquanto o dualismo pietista, como seu antecedente medieval, transforma “secular’ e “sagrado” em categorias “inferiores” e “superiores”, e a crítica popular contemporânea deste dualismo nega a distinção completamente, a reforma considerou as duas como diferentes em seu significado, não em seu objetivo.
Cavar uma vala ou pregar um sermão, se bem feitos, glorificam a Deus, mas o primeiro é bem feito porque Deus tem dado ao trabalhador comum, dons gerais que ele também dá aos incrédulos. O primeiro pertence à esfera da criação, graça comum e o reino da cultura. O último é bem feito não somente por causa de dons comuns de eloqüência e intelecto, mas por causa da iluminação especial do Espírito. Está na esfera da redenção, graça salvadora e do reino de Cristo.
Até que os reinos deste mundo sejam transformados imediatamente em reino de nosso Deus e Seu Cristo, no retorno de nosso Senhor, estas duas esferas são distintas. O reino da cultura floresce quando homens e mulheres são fiéis aos seus chamados seculares, enquanto o reino de Cristo prospera quando seus ministros estão pregando a Palavra fielmente, administrando os sacramentos e guiando o rebanho no caminho da justiça.
As duas tarefas têm lugar neste mundo, glorificam a Deus e conduzem a fins proveitosos, mas são diferentes em vários aspectos.
A igreja não consiste somente de oficiais, mas da totalidade de seus membros. É este grupo de crentes, sacerdotes por batismo e ainda trabalhando em vocações seculares, que escolhem ministros para servi-los. Então os ministros são tratados com dignidade por causa de seu dever sagrado, não por causa da sua pessoa. “Cristo designa pastores para sua Igreja”, disse Calvino, “não para dominar mas para servir”. Porque nós somos tão lentos para crer e porque nossa razão, consciência e vontade não oferecem nenhum vestígio de esperança, é que precisamos de uma Palavra externa pregada a nós.
Como mencionado antes, Calvino e os outros reformadores criam que o próprio Cristo fala através da Palavra pregada e dos sacramentos. Isto é o que significa a maravilhosa promessa do nosso Senhor: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra (a confissão de Pedro de que Cristo é o Filho de Deus) edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus” (Mt. 16: 17-19).
“Ministros do Evangelho” Calvino escreveu, “são porteiros do reino dos céus, porque carregam suas chaves. A chave está posta nas mãos dos ministros da Palavra”. Calvino até recomenda confissão privada de pecado para os ministros, não por causa de supertição concernente a sua pessoa, mas porque isto é parte do ministério da Palavra.
Qualquer crente pode ouvir confissão de seus irmãos de fé e anunciar-lhe o perdão divino no nome de Cristo, mas o ministro é especialmente escolhido por Deus e Sua Igreja para esta função.
Enquanto o legalismo da confissão auricular (a prática de confessar pecados em particular para um padre como uma condição necessária para ser absolvido) foi rejeitada por Calvino, o costume em si era encorajado como um ministério privado da Palavra pelo qual a graça e o Evangelho de Deus poderia ser “confirmado e selado” (ver Institutas 3.4.1-23).
De acordo com o historiador John T. McNeil, “Calvino interpreta Mateus 16:19 (“Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”) e João 20:23 (“Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos”), como autorizando ministros a perdoar pecados e absolver almas. “O penitente deveria tomar vantagem disto”.
Esta absolvição era normalmente declarada no culto público depois da confissão pública, mas também poderia ser feita em privado com o ministro se pudesse ajudar a trazer consolação. Pública e privadamente, os ministros carregam as chaves do reino e, pelo exercício fiel de seus ofícios, abrem prisões.
Todos os documentos confessionais reformados, como o luterano, concordam neste ponto. A Confissão de Westminster declara “A esses oficiais estão entregues as chaves do Reino do Céu. Em virtude disso eles têm, respectivamente, o poder de reter ou cancelar pecados" (Capítulo 30). Eles não têm este poder em si mesmos, mas em seus ofícios enquanto proclamam o evangelho e administram os sacramentos. O aspecto adicional deste ministério, na visão reformada, é a disciplina eclesiástica. Mesmo a censura, a prática da instrução privada, a admoestação e a advertência ao crente impenitente e ao incrédulo, são designados não para condenar, mas para abrir as portas do Reino dos Céus. Quando os ministros ignoram a condição espiritual de seus membros, eles não estão “deixando isto para o Senhor”, mas estão falhando em exercer o ministério do Senhor.
Ao mesmo tempo, ao invés de “dominar sobre seu povo”, eles devem servir “sem opressão e contenda” como a Segunda Confissão Helvética apresenta, no seu capítulo 18: “Pois o apóstolo testifica que a autoridade na Igreja foi dada a ele pelo Senhor para edificação e não para destruição (2 Co. 10:8). E o próprio Senhor proibiu que se arrancassem as ervas daninhas da seara do Senhor, porque o trigo poderia ser arrancado junto com elas (Mt. 13:29)”.Isto não significa, é claro, que somente ministros podem advertir e evangelizar incrédulos e seus companheiros de ministério. Na verdade, a boa nova do Pentecostes é que o Espírito nos fez testemunhas de Cristo, uma nação de evangelistas. E também, Paulo encoraja Timóteo especificamente “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2 Tm. 4:5). O ministério formal da Palavra é confiado àqueles que são chamados exclusivamente para esta tarefa, mas todos somos igualmente chamados para sermos cristãos e nossa identidade missionária é inerente a nossa união com Cristo, a “Luz do mundo”. Somos preparados pelos ministros para sermos responsáveis agentes cristãos neste mundo, preparados para dar resposta da nossa esperança para qualquer pessoa. Isto entretanto, não significa que devemos desprezar nosso chamado secular e buscar ministérios evangelísticos, pois este é o trabalho da igreja e seus oficiais eleitos.
Talvez a defesa mais freqüentemente citada da posição “todo crente é um ministro” seja Ef. 4:11-16. “E ele (Cristo) mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor”.
Como o pastor reformado e professor T. David Gordon claramente demonstra, esta passagem tem sido muito mal usada na abordagem contemporânea do ministério. 1 Isto é devido, em parte, a uma tradução infeliz da Nova Versão Internacional (NIV), a Nova Versão King James (NKJV) e outras traduções recentes ou paráfrases. Enquanto as traduções mais antigas, especialmente a Versão Autorizada Inglesa (KJV), traduz o versículo 11 “E Ele concedeu uns, apóstolos; e uns, profetas; e uns, evangelistas; e uns, pastores e mestres”, as traduções mais recentes dificilmente deixam de conter as suas pressuposições sobre a natureza do “ministério”. O Professor Gordon demonstra cuidadosamente a superioridade da tradução mais antiga. Considerando o sujeito implícito em todas as três orações (“os dotados”), o uso de katartismon (“unindo ou organizando em uma comunhão visível”, e não “equipando”), e o uso de ergon diakonias ("a obra do ministério"), não há base para a noção de que Paulo vê a importância do ministério em termos da preparação do leigo para a “verdadeira obra” do ministério. Além disso, esta posição se opõe a muitas passagens que claramente distinguem o chamado de um ministro do chamado cristão geral que pertence a todos os crentes. Pelo contrário, ministros são concedidos por Cristo de forma que eles possam edificar o rebanho pelo fiel exercício de seus ofícios.
Creio que é totalmente justificado o alerta que o Professor Gordon faz aqui, contra os efeitos práticos do igualitarismo americano. “Aqueles que se preparam para o ministério (e as instituições que os preparam)”, ele escreve, "estão desviando seus esforços daquelas habilidades associadas com o ministério distintivo da Palavra (a exegese da linguagem original) e dirigindo-as para habilidades organizacionais, administrativas e motivacionais (coercivas?)."O resultado das concepções evangélicas contemporâneas de ministério é que, ironicamente, elas são unânimes em conceder o poder ao ministro ao invés de ao ministério.Como o padre católico romano, o ministro contemporâneo do evangelho é freqüentemente considerado como o instrumento efetivo da redenção.
Os papéis litúrgicos podem divergir vastamente, substituindo o “apelo” da missa romana por aquele substituto evangélico, mas em ambos os casos, o profissional se torna um meio de graça pessoal (ou, pelo menos, um meio de entretenimento, informação ou exortação). Como B.B. Warfield sugeriu ao se referir aos pregadores que seguiam o evangelismo pragmático de Charles Finney, “o evangelista torna- se o sacramento”.
O teólogo reformado alemão John Williamson Nevin (1803-86) queixou-se que no reavivalismo, a transformação do púlpito e da mesa da ceia num palco é um desvio teológico. “O pregador sente a si mesmo’, escreveu Nevin, “e está disposto a fazer com que a congregação também o sinta; mas Deus não é sentido na mesma proporção”. Chega de sugerir que nós podemos ter uma genuína teologia reformada enquanto adotamos um estilo evangélico! Se sua igreja tem um palco e o púlpito e a mesa da ceia estão subjugados por projetores suspensos, filmes, bateria, isso já é uma declaração da teologia do ministério que adotam, mesmo antes do culto começar! “A ação” não pode ser dissociada de sua base teológica.
Ao menos Roma, de algum modo, associa seu “sacerdotalismo” ao ministério sacramental, mas formas ilegítimas de evangelicalismo consideram o "ministério" da miss, do ex-zagueiro, da antiga celebridade e dos animadores de auditório como um meio efetivo de graça, por causa do poder do “ministro”. Ao invés do ministro ordenado ser tratado como um intermediário, como em Roma, cada crente se torna “um ministro” e lhe é permitido exercer seu ministério baseado em critérios mundanos (carisma, talento musical, familiaridade com a última novidade na cultura pop) em lugar de num sadio conhecimento da Palavra de Deus. Não é de se admirar que o resultado seja uma igreja mundana.
Muito freqüentemente, o poder tem pouco a ver com a mensagem e tudo a ver com o carisma, fama, personalidade ou outra característica puramente humana. “Ele é um orador poderoso”, nós ouvimos; “puxa, que testemunho poderoso!”; “Ela cantou uma música poderosa!” . Teria sido tão poderoso se o orador fosse o apóstolo Paulo, que reconhecia que ele não era tão eficaz no discurso público como os “super-apóstolos”? Será que o testemunho teria sido tão eficaz se o ex-zagueiro tivesse dito, com o apóstolo “Ainda encontro na minha vida cristã que as coisas que odeio faço com freqüência?! desventurado homem que sou!” . E a música teria sido tão “ungida” se tivesse sido cantada por uma daquelas pessoas bem-intencionadas, mas singularmente mal dotadas, da pequena igreja do interior, ao invés do artista famoso que visitou a igreja central da cidade, semana passada?
Muitos realmente crêem, nestes dias, que o poder reside no assim chamado “ministro”, não no ministério da Palavra e do sacramento. Um “grupo de ministério musical” vem cantar na nossa igreja enquanto está numa turnê e rapidamente o culto se torna “comovente” e o “Espírito realmente age”, o culto se torna “avivado”. Mas quando o pastor, se levanta no domingo seguinte e simplesmente prega e administra a ceia, juntamente com a pública leitura das Escrituras, o cântico congregacional, a pública confissão de pecados, a declaração de perdão, o credo e as orações, tudo volta ao normal. Superlativos à parte, o que está implícito aqui é que Deus esteve lá semana passada quando o ministério “verdadeiro” (ênfase do tradutor) aconteceu.
Como ministros, nós encorajamos este tipo de coisa quando adotamos “testemunhos” e “músicas especiais” no nosso culto, tirando a atenção dos meios ordinários de graça. No final das contas, isto separa o Espírito da Palavra, apesar da sinceridade da confissão das pessoas.
Basta ler os anúncios de “precisa-se’” para pastores nos periódicos cristãos ou a lista das qualificações exigidas pelo comitê encarregado da contratação do pastor. A pessoa deve ser amigável, extrovertida, cheia de habilidade para tratar com pessoas. Deve ser motivadora, líder e uma "equipante" (o que realmente significa um administrador e programador), e ter uma esposa que possa preencher o papel de “primeira dama”. Muito melhor se ela tocar órgão. Entretanto, o que dizer sobre a sua profundidade teológica e a confissão de fé que subscreve? Ele realiza um trabalho de exegese do original nos seus sermões, ou ele confia nas notas e referências de outros? Ele gasta bastante tempo estudando e de joelhos? Será que ele é apto para cuidar das necessidades espirituais específicas de seus membros?
No fim da contas, nós queremos uma celebridade, técnico, ex-zagueiro, animador, orador, terapeuta, diretor executivo, tudo embrulhado em uma só pessoa. Não admira que o índice de desemprego entre pastores esteja tão fora de controle! Em outras palavras, nós realmente cremos, a despeito daquilo que professamos, que o que conta é o ministério do pastor Bob ao invés do ministério de Cristo através da Palavra e dos sacramentos. A eficácia, mensurada em termos mundanos, repousa agora sobre o ministro, ao invés de no ministério. Embora mais insidiosa, esta é uma forma de sacerdotalismo tão perigosa quanto a proposta por Roma. Esvaziando a importância do ministério da Palavra e sacramentos, nós não salvamos o sacerdócio de todos os crentes; nós simplesmente substituímos uma forma de sacerdotalismo por outra.
O que significa então ser “chamado” para o ministério?
Na tradição reformada, bem como na luterana, uma pessoa não é chamada para o ministério somente tendo como base um chamado interno do Espírito. Contrário ao “entusiasmo” anabatista, que não somente atacava o sacerdotalismo romano, mas tendia a negar os meios físicos e terrenos em favor das intuições diretamente dirigidas pelo Espírito, os reformadores insistiam que Deus falava nesta instância, tanto quanto em todas as outras, através de tais meios. Enquanto a religião sectária faz diferença entre o indivíduo e a igreja, como categorias de “carne” e “espírito” respectivamente, a fé evangélica histórica rejeita esta anarquia e insiste em relacionar o individual ao corporativo (e não somente o invisível, mas também ao visível) corpo de Cristo. Nesta posição, uma pessoa não é verdadeiramente chamada para o ministério até que haja uma satisfação das qualificações da igreja, explicitamente preceituada nas Escrituras. Pois a igreja é “a coluna e o baluarte da verdade” (1 Tm. 3:15), e os ministros tem o ofício sagrado de ser aio para a noiva de Cristo através da sua jornada terrena. “Até a minha chegada”, Paulo instrui o jovem Timóteo, “aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Tm. 4:13-16).
Isto é tão legítimo para diáconos e presbíteros, quanto para ministros. Presbíteros devem ser irrepreensíveis e sóbrios, “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem” (Tt. 1:5-9). Como isto está longe da prática freqüentemente usada de eleger presbíteros por razões mundanas.
Calvino também se preocupou com esta ameaça nos seus dias: “Isto claramente contradiz a ordem e as regras básicas do cristianismo, crer que as pessoas ricas e importantes por suas posições e nome, deveriam ser eleitas para oficiais da igreja”. Também com freqüência, igrejas elegem oficiais por causa de suas experiências em negócios ou habilidade na área de marketing, editoração, finanças e assim por diante. Depois eles se perguntam porque suas igrejas se tornam corporações e o gabinete pastoral se torna seu escritório. Se queremos seguir as instruções de Paulo para selecionar nossos oficiais, nossas igrejas terão de prosperar sob o ministério da Palavra.
Mas Deus não somente chama presbíteros como ministros leigos para cuidar da condição espiritual da igreja; Ele indicou diáconos para serem ministros leigos no atendimento das necessidades físicas da congregação. Os diáconos foram escolhidos, primariamente, para liberar os apóstolos do peso das tarefas financeiras e administrativas. Os doze apóstolos conheciam o chamado deles quando disseram “Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da Palavra” (At 6:1-4). À medida que os apóstolos foram substituídos neste dever, “crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (vs.7).
Ministros, portanto, são chamados para serem inteiramente dedicados ao ministério da Palavra e sacramentos. Este é o motivo pelo qual eles se esforçam para aprender as línguas originais das Escrituras e a entender sua mensagem essencial, com a ajuda de seus mentores eruditos, da antiguidade e contemporâneos. Presbíteros, e mesmo diáconos, devem ser também treinados, mas eles são leigos com vocações ordinárias no mundo. Mas todos os oficiais somente são genuinamente “chamados” para o ministério quando a voz do Pastor é ouvida através de sua igreja. Ou seja, quando um candidato que foi preparado para tal serviço recebe um “chamado” de uma congregação particular e do presbitério regional, ele é finalmente chamado para o ministério por Deus. Sectários podem consideram isto como apagar o Espírito, mas é o desígnio de Deus claramente descrito nas Escrituras. Longe de inibir a liberdade, este padrão na verdade preserva contra a tirania de pregadores carismáticos que reivindicam autoridade apostólica ou uma “unção” separada da supervisão da igreja.
E Bob?
Por fim, voltamos a nossa cena inicial, com Bob anunciando ter sido chamado para o ministério. Geralmente me acho envergonhado pelo zelo dos novos convertidos que têm seus pés preparados com prontidão para pregar as boas novas. Mas, da mesma forma como o conhecimento nunca deve servir para encobrir a falta de zelo, assim também o zelo nunca deveria ser a capa da ignorância. O desejo de Bob em compartilhar o Evangelho é encorajador, mas será que ele não se deixou levar por uma visão errônea de ministério?
Recentemente, um amigo meu me disse quantos casos ele tem de membros de sua igreja que lhe pedem conselho sobre se deveriam entrar para o ministério. “Eu realmente quero servir ao Senhor e buscar os perdidos”, eles dizem. “Eu não quero ficar na periferia; eu quero ser um discípulo verdadeiramente compromissado”. Meu amigo responde “parabéns, você é um cristão!”. Freqüentemente, nosso senso de “chamado” para o ministério nada mais é do que o senso de nosso chamado para pertencer a Cristo. Em outras palavras, é um chamado para a fé, e não para uma vocação particular. Todos nós somos chamados para uma contínua santificação e crescimento em Cristo. Todos nós somos ordenados a aprender mais de Deus e de Sua obra salvadora em Cristo, crescendo em nosso conhecimento. Nenhum crente está isento da obra do Espírito de mortificar o velho homem e ressuscitar seu ser para uma nova vida. E todo cristão, se genuinamente chamado para pertencer a Cristo, deseja ver o perdido reconciliado com Deus. Estas não são qualificações exclusivas dos ministros; elas são características do cristão! Ministros não são pagos para ser discípulos de Cristo por nós, mas para nos guiar na verdade e justiça.
É possível que Bob seja chamado para o ministério da Palavra e do sacramento, mas isso não significa que esteja agindo corretamente. Primeiro, ele deve consultar seu pastor e procurar cuidado de seu presbitério (ou em um regime congregacional, dos presbíteros simplesmente, ou em um regime episcopal, o bispo).
Sob o cuidado da igreja, ele será guiado através de anos de treinamento teológico requerido para o exercício responsável deste chamado e após a conclusão bem-sucedida, ele será testado. Paulo requer isto, mesmo de diáconos, quanto mais de pastores! Depois de passar no exame, ele estará então disponível para o convite de uma igreja. Uma vez que receba esse convite, a convicção inicial que ele tinha do chamado do Espírito é confirmado pela igreja e ele é, verdadeiramente, chamado para o ministério.
Mas este procedimento é bastante diferente do cenário descrito no parágrafo inicial. Lá, Bob estava convencido de que seu chamado para o ministério significava que ele e outro leigo, um homem de negócios, poderiam começar um ministério evangelístico. Mas, como vimos, isto não é determinado em parte alguma das Escrituras.Cada crente é chamado para evangelizar, assim Bob e seu amigo não precisam abandonar suas vocações com o objetivo de evangelizar. Além disto, a igreja é a instituição ordenada de Deus para o evangelismo. Note a distinção aqui entre indivíduos e instituições: cada crente evangeliza individualmente, mas nem toda instituição é evangelística. Cristo tem muitos irmãos e irmãs, mas somente uma igreja. Cristãos, trabalhando numa linha de montagem, podem ganhar seus parceiros de trabalho para Cristo, com o passar do tempo, mas a fábrica não se tornará uma instituição evangelística.
Da mesma forma, as atividades evangelísticas de Bob não justificam a criação de uma instituição que não seja a igreja. Ele e seu amigo são livres, tanto para seguirem suas vocações seculares e expandir o reino através do evangelismo, como outros cristãos, quanto para abandonar suas vocações seculares e começar o processo de serem chamados para o ministério da Palavra e do sacramento.
Embora este entendimento de ministério pareça mais complicado, ele simplifica em grande parte nossas questões práticas. Ele não somente liberta muitos que pensam que o zelo cristão que possuem tenha de ser expresso através do ministério, para seguirem suas vocações seculares, mas também nos encoraja a olharmos para nossos ministros como verdadeiros representantes de Cristo, guardados do servir às mesas, para que possam dedicar-se a oração e ao ministério da Palavra.
Notas:
1 T. David Gordon, Journal of the Evangelical Theological Society 37/1 (March 1994), 69-78.
___________
Nota sobre o autor: Dr. Michael Horton é vice presidente do Conselho da Aliança Evangélica Confessional e professor adjunto de Teologia Histórica do Seminário Teológico de Westminster na Califórnia. Dr. Horton é graduado pela Biola University (B.A.), Westminster Theological Seminary in California (M.A.R.) and Wycliffe Hall, Oxford (Ph.D.), escritor de vários livros já traduzidos para o português, como "A Face de Deus", "O Cristão e a Cultura" e autor de artigos para livros em coletâneas como: "Religião de Poder" e "Reforma Hoje".

Salmo 127 - C. H. Spurgeon


TÍTULO: Um cântico de degraus para Salomão.

Convinha que o construtor da casa santa fosse lembrado pelos peregrinos que vinham a seu santuário sagrado. O título provavelmente indica que Davi o escreveu para seu filho sábio, em
quem tanto se alegrou, e cujo nome, Jedidias, ou "amado do Senhor", é introduzido no segundo versículo. O espírito do nome dele, "Salomão, ou pacífico", exala em todo este cântico charmoso. Se o próprio Salomão foi o autor, vem apropriadamente dele, a pessoa que ergueu a casa do Senhor. Observe como em cada um desses cantos o coração se fixa apenas em Jeová. Leia como os primeiros versículos desses salmos, do Salmo 120 até este aqui, assim se exprimem: "Eu clamo pelo Senhor", "Levanto os meus olhos para os montes", "Vamos à casa do Senhor", "A ti levanto os meus olhos", "Se o Senhor não estivesse do nosso lado", "Os que confiam no Senhor", "Quando o Senhor trouxe os cativos". O Senhor e somente o Senhor é assim exaltado, a
cada passo desses cânticos das subidas. Ai, como se suspira por uma vida que em cada ponto de parada sugerirá um novo cântico ao Senhor! Fala-se aqui da bênção sobre seu povo como sua única grande necessidade e privilégio. Somos ensinados que construtores de casas e cidades, sistemas e fortunas, impérios e igrejas todos trabalham em vão sem o Senhor; mas que
sob o favor divino eles gozam de perfeito sossego. Filhos, que em hebraico são chamados de "edificadores", são apresentados como construtores de famílias sob a mesma bênção divina, para a grande honra e felicidade de seus pais. É o SALMO DOS EDIFICADORES. "Toda casa é construída por algum homem, mas aquele que construiu todas as coisas é Deus", e a Deus seja o louvor.

Fonte: Esboços Bíblicos de Salmos, Publicações.Shedd

Demandai-me por Vincent Cheung


O que segue é um suplemento para Money is the Answer.1 Tenho oferecido exemplos de como diversos versículos bíblicos estão sendo distorcidos pelos carismáticos, e por professores do "evangelho da prosperidade" em particular. É provável que esses exemplos específicos de distorções não sejam muito relevantes aos meus leitores, uma vez que muitos deles nunca visualizaram esses erros. De fato, mesmo alguns carismáticos os ignoram, e pode mesmo ser o caso de muitos deles nunca terem ouvido falar de Eclesiastes 10:19. Mas esses exemplos são, no entanto, instrutivos por pelo menos duas razões:
(1) Eles ilustram as formas com que alguns carismáticos abusam da
Bíblia. Embora esses versículos que eu usei como exemplos sejam relativamente obscuros, os carismáticos distorcem muitos versículos proeminentes de modo similar aos nossos exemplos.
(2) Muitas interpretações reformadas e evangélicas respeitadas que são feitas das Escrituras cometem erros quase ultrajantes, no entanto têm a ver com outros versículos e tópicos. Assim, meu propósito mais amplo é incitar um maior cuidado e precisão no trato da Escritura. Tendo dito isso, há mais um exemplo dos escritos de John Avanzini que eu gostaria de discutir. O versículo em questão é Isaías 45:11. Na ACF é dito: "Assim diz o SENHOR, o Santo de Israel, aquele que o formou: Perguntai-me as coisas futuras; demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos". No livro em que Avanzini ensina o que ele chama de "oração memorial", que é uma forma de oração para ser realizada "quando tudo o mais falhar", ele alega que esse versículo é o convite direto de Deus para os crentes demandar as obras das suas mãos – isto é, você deve
ordenar que Deus faça o que você deseja, e Ele o fará. Avanzini diz que quando isso lhe foi primeiro revelado, pareceu tão inacreditável e surpreendente que ele foi "checar" e, seguro disso, ele diz, isso é exatamente o que diz o versículo. No entanto, quando nós lemos o versículo numa tradução moderna, ou quando notamos o contexto imediato do verso lendo também os versos circundantes (em 1http://www.vincentcheung.com/2005/05/28/money-is-the-answer/ Monergismo.com – "Ao Senhor pertence a salvação" (Jonas 2:9) qualquer tradução), torna-se logo patente que o versículo assevera o exato oposto do que ensina Avanzini: Isaías 45:5-13 (NVI)
"Eu sou o SENHOR, e não há nenhum outro; além de mim não há Deus. Eu o fortalecerei, ainda que você não tenha me admitido, de forma que do nascente ao poente saibam todos que não há ninguém além de mim. Eu sou o SENHOR, e não há nenhum outro. Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o SENHOR fato todas essas coisas. "Vocês, céus elevados, façam chover justiça; derramem-na as nuvens. Abra-se a terra, brote a salvação, cresça a retidão com ela; eu, o SENHOR, a criei. "Ai daquele que contende com seu Criador, daquele que não passa de um caco entre os cacos no chão. "Acaso o barro pode dizer ao oleiro: ‘O que você está fazendo?’ Será que a obra que você faz pode dizer: ‘Você não tem mãos?’ "Ai daquele que diz a seu pai: ‘O que você gerou?’, ou à sua mãe: ‘O que você deu à luz?’ "Assim diz o SENHOR, o Santo de Israel, o seu Criador: A respeito de coisas vindouras, você me pergunta sobre meus filhos, ou me dá ordens sobre o trabalho de minhas mãos? Fui eu que fiz a terra e nela criei a humanidade. Minhas próprias mãos estenderam os céus; eu dispus o seu exército de estrelas. Eu levantarei esse homem em minha retidão: farei direitos todos os seus caminhos. Ele reconstruirá minha cidade e libertará os exilados, sem exigir pagamento nem qualquer recompensa, diz o SENHOR dos Exércitos." Parafraseando, "Eu sou o único Deus. Quer prosperidade ou calamidade, sou eu aquele que causa, e não há nada que você possa dizer a respeito disso. O quê? Você questionará os meus planos? Dar-me-ás ordens?" Assim, o versículo 11 é citado dentro de um contexto e com um sentido diretamente oposto ao que ensina Avanzini. […]
Vincent Cheung, Cura Bíblica e Oração e Revelação

Separados para Sermos Santos

- Texto para reflexão: “Aos santos que vivem em Éfeso” (Ef. 1:1).
Como podemos viver uma vida profunda diante de Deus? Uma vida sem falta de compromisso? Paulo nos responde neste versículo 1 do capítulo 1 de Efésios.
Sabemos que o cristianismo provavelmente chegou a Éfeso por meio de Áquila e Priscila, quando Paulo fez ali uma breve parada em sua segunda viagem missionária (At.18.18-19). Em sua terceira viagem missionária ele permaneceu na cidade por quase três anos e o evangelho se propagou por toda a província romana da Ásia (At.19.10).
A cidade era um centro comercial, político e religioso. Nela havia vários templos destinados à adoração aos imperadores. Seu templo mais famoso demorou 120 anos para ser construído e era dedicado à deusa Diana. Este templo foi considerado uma das 7 maravilhas da antigüidade. Diana era adorada em toda a Ásia e Europa. O culto da deusa da fecundidade era celebrado por meio de prostituição sagrada. É neste contexto de uma cidade voltada para a idolatria e o culto à Diana, que Paulo diz para a igreja de Éfeso ser santa na presença do Pai.
O termo santo no Antigo Testamento (Kadosh), quer dizer “pessoa separada por Deus”. No Novo Testamento significa “alguém separado para pertencer exclusivamente a Deus”. Paulo endereça esta carta com a pressuposição de que seus leitores são pessoas realmente convertidas e separadas para Deus.
Quando acontece o ato da regeneração feita pelo Espírito Santo de Deus no nosso coração, somos tornados santos. Ou seja, Deus nos trata por meio de Cristo como pessoas santas, puras. Mas, olhe para dentro de você mesmo e veja se há possibilidade de ser chamado santo!
Há a possibilidade sim, somos santos de Deus. Mas, não dá para se conformar com esta afirmação quando olhamos para os nossos pecados, para o desejo sexual de possuir a menina bonita, para o desejo de acabar com aquele besta que atrapalha a nossa vida, para aquele amigo da Faculdade que humilhou a gente e a vontade que vem é a de dar um murro na boca dele. Não dá para se conformar com esta afirmação quando olhamos para o fato de que não conseguimos obedecer aos nossos pais, não conseguimos parar de colar na Faculdade, no Colégio. De roubar as horas no trabalho, de ser caloteiro no bairro e etc.
A grande verdade é que Deus chama pessoas ruins, pobres, ricas, soberbas, orgulhosas, mentirosas, assassinas, adúlteras para serem santas. Ele vem e transforma o coração destes para serem santos. Apesar de sermos miseráveis, Deus nos dá uma bênção extraordinária, Ele, em Jesus, nos torna santificados, nos dá uma condição de sermos tratados como pessoas imaculadas. Então, saibamos de algo para nossa vida: não importa qual seja o estado de pecado. Deus nos trata como santos porque Ele jamais nos olha diretamente. Ele nos olha em Jesus e por isso, ele vê santidade em nós. Se estamos em pecado, nos lembremos de que fomos santificados em Cristo Jesus, Ele nos chamou para a santidade. Portanto, não podemos permanecer no estado de prática constante de pecado. Pecado não tem nada a ver com santidade. Carniça é para urubu. E não somos mais impuros no sentido de regeneração, somos santificados. Não podemos mais viver pecando. Pecado agora é um acidente na vida cristã. Ele não pode dominar mais a nossa natureza santificada por Deus pela obra profunda da cruz de Jesus de Nazaré.
Deus está falando conosco: aos santos que vivem no mundo. Não somos mais presas de Satanás, somos santos de Deus. Embora pecadores miseráveis, somos pela graça chamados para a santidade. Por isso, Jesus disse aos seus discípulos: “Portanto, sede vós perfeitos, como perfeito é o vosso Pai Celeste” (Mt. 5:48).
Que a graça dEle seja sobre nós para que a cada dia sejamos santos!!!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

ANIVERSÁRIO DA IGREJA DE PIRITUBA MARÇO/2008

02/03/08 manhã - 41 anos de IPP - Pr. Carlos Caldas.
Noite: Pr. Alcindo Almeida
04/03/08 Reunião de Oração 20:00 - Pb. Jesimar Brito
09/03/08 manhã - 41 anos de IPP - Pr. Adrien B.
Noite: Pr. Hilder Shutz Participação do Grupo de Alphaville
11/03/08 Reunião de Oração 20:00 Pb. Levi Oliveira
14/03/08 - 41 anos de IPP (sexta-feira): 20:00 horas
Pr. Hernandes Dias Lopes - Participação de Ane e Josias (Banda Ágape)
15/03/08 41 anos de IPP (sábado): 19:00 horas
Pr. Nelson Taibo - Participação de Ane e Josias (Banda Ágape).
16/03/08 manhã 41 anos de IPP - Pr. Nelson Taibo
Noite: Pr. Alcindo Almeida
18/03/08 Reunião de Oração 20:00 Pb. Valdir Blanquez
23/03/08 - manhã - 41 anos de IPP - Pr. Aroldo Ribas.
Noite: Pr. Augustus Nicodemus-Participação do Tributai Acústico
25/03/08 Reunião de Oração 20:00 Pr. Aroldo Ribas
30/03/08 manhã - 41 anos de IPP - Pb. Noé Dias
Noite: Pr. Alcindo Almeida -Participação do Grupo altares.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tenhamos uma vida diferente diante de Deus




- Texto para reflexão: Davi, pois, buscou a Deus pela criança, e observou rigoroso jejum e, recolhendo-se, passava a noite toda prostrado sobre a terra. Então os anciãos da sua casa se puseram ao lado dele para o fazerem levantar-se da terra; porém ele não quis, nem comeu com eles. Ao sétimo dia a criança morreu; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança tinha morrido; pois diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém ele não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança morreu? Poderá cometer um desatino. Davi, porém, percebeu que seus servos cochichavam entre si, e entendeu que a criança havia morrido; pelo que perguntou a seus servos: Morreu a criança? E eles responderam: Morreu. Então Davi se levantou da terra, lavou-se, ungiu-se, e mudou de vestes; e, entrando na casa do Senhor, adorou. Depois veio a sua casa, e pediu o que comer; e lho deram, e ele comeu. Então os seus servos lhe disseram: Que é isso que fizeste? pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que a criança morreu te levantaste e comeste. Respondeu ele: Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia: Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? Todavia, agora que é morta, por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim. Então consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher, e entrou, e se deitou com ela. E teve ela um filho, e Davi lhe deu o nome de Salomão. E o Senhor o amou (II Samuel 12.16-24).

Davi sabia muito bem que a sua vida poderia ser banida da presença de Deus. Ele se levanta daquele lugar de profunda dor e pesar. E no versículo 16 Davi buscou a Deus pela criança e observou rigoroso jejum e se recolhendo, passou a noite toda prostrado sobre a terra. Ele teve de volta a sensibilidade diante de Deus. Então os anciãos da sua casa se puseram ao lado dele para o fazerem levantar-se da terra; porém ele não quis, nem comeu com eles. Depois de sete dias, a criança morreu e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança tinha morrido. Davi percebe que seus servos cochichavam entre si e entende que a criança está morta. A sua atitude é a de se levantar e se lavar. Depois de se ungir, ele muda de vestes e entra na casa do Senhor e adora.
Davi teve consciência dos seus erros terríveis e voltou ao centro novamente. Ele tem uma noção da graça de Deus em seu coração. Tanto que ele pede para Deus lhe dar novamente a alegria da salvação e não lhe retirar o Espírito Santo. Ele pede para Deus criar nele um coração reto, inabalável e pede para renovar um espírito honesto e sério diante do eterno Deus. É assim que Deus que nos ver diante dele. Ele quer que entendamos a dimensão da nossa podridão e o quando ele nos ama em Cristo. O quanto ele quer que fujamos do pecado que atrapalha a nossa comunhão com ele.
O mundo exige e reclama do desempenho das pessoas e a religião envergonha o fracasso dos trôpegos. Neste contexto infeliz de imposições e vexames, surge uma mensagem sublime da graça plena, que assume a responsabilidade do castigo e transfere gratuitamente os benefícios da aceitação. O ser humano não conquista a graça de Deus, pelo contrário, a graça de Deus invade a falência humana. E por isso, podemos começar de novo na vida espiritual. Podemos contar sempre com o perdão e graça de Deus. Foi esta compreensão que fez Davi se levantar novamente. É preciso entender que foi Deus, em Cristo, quem buscou o homem no pecado. Jesus, como médico gracioso, veio salvar o pecador independentemente de qualquer iniciativa deste. A ação da graça de Deus precede qualquer reação do ser humano. O homem é um ser que nasceu estragado e vive tentando se consertar com os seus próprios expedientes. Mas, nada consegue restaurar o desmantelo. O sistema criado pelo homem é sempre dirigido pela não-graça, e isto gera muito esforço e provoca cansaço.
O enfado da religião é insuportável e sempre acaba produzindo muita hipocrisia. Paulo afirma: Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens, para a justificação que dá vida (Romanos 5.18).
Diante da aceitação plena da graça não há necessidade de reservas pessoais. Se Deus me aceitou em Cristo Jesus, com todos os meus pecados, traumas, defeitos e imperfeições, por que eu tenho de me fantasiar? É a graça que assegura a nossa aceitação. Somos salvos pela graça e somos santificados pela graça. Dr. Lloyd-Jones disse: Tudo é pela graça na vida cristã, do início ao fim. O Deus de toda graça é o autor de toda a salvação e santificação do homem.
A graça plena de nosso Senhor Jesus Cristo transforma lobos em cordeiros, pecadores em santos, monstros em anjos. Os transformados pela graça são convocados para o ministério da graciosa graça. A Igreja de Jesus Cristo é um organismo da graça, a serviço da graça. Fomos aceitos pela graça então somos chamados a aceitar, pela graça, os que caíram. Natã é este modelo de Deus para pecadores caídos. Ele exorta, mas ele ama a Davi.
Glênio Fonseca diz no seu livro O Meu Cálice Transborda: “O princípio da graça é transformar o débito em crédito, a miséria em abundância, a fraqueza em força, a enfermidade em saúde, o pecado em santidade, o inferno em céu” (PARANAGUÁ, 2006, p. 56).
Saibamos de algo precioso: não fomos chamados pela graça para vivermos no pecado ou na anti-graça. O mesmo Deus que perdoa nos purifica e nos santifica para vivermos honestamente. Ele nos lembra sempre que onde abundou o pecado, superabundou a graça (Romanos 5.20b). Quem foi perdoado plenamente pela graça, sabe perdoar totalmente, pela mesma graça. Todos os que receberam da graça, sabem dar graciosamente. A romancista e humanista secular Marghanita Laski afirmou, em uma entrevista de TV: “O que eu mais invejo em vocês, cristãos é o seu perdão. Eu não tenho ninguém que me perdoe”. Fomos perdoados completamente por nosso Senhor Jesus Cristo e por isso podemos começar de novo assim com Davi.

LUCADO, Max. Derrubando Golias Descubra como superar os maiores obstáculos de sua vida. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2007.
PARANAGUÁ, Glênio Fonseca. O Meu cálice transborda. Londrina – Paraná: Ide, 2006

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Investido tempo precioso no Reino de Deus


- Texto para reflexão: “E enviou-os para proclamar o reino de Deus e curar os enfermos” (Lc 9.2).

A oração exige que nos coloquemos na presença de Deus com as mãos vazias, despidos proclamando a nós mesmos e aos outros que sem Deus nada podemos fazer (NOUWEN, Henri. Compaixão. São Paulo: PAULUS, 1998, p. 130). E se não podemos fazer nada sozinhos, precisamos pedir ele para que nos dê amor pelo seu Reino, amor pela Evangelização da Sociedade pobre e sem rumo na vida espiritual. Mas, para isto acontecer devemos ter a consciência do envio de Jesus para a proclamação do Reino de Deus.
Algumas perguntas que vêm ao nosso coração são: Como está a nossa ocupação no Reino de Deus? Temos investido tempo precioso no Reino de Deus?
Precisamos da consciência de que nós somos os enviados de Deus para a proclamação da boa nova, do Evangelho da graça de Deus. E algo que devemos nos lembrar é da advertência de Paulo para si mesmo: “Ai de mim se não pregar o Evangelho...”.
Nós fomos chamados para anunciar a paz àqueles que estão no meio da perdição. Aqueles que estão perdidos nos delitos e pecados. Aqueles que estão sem tranqüilidade, sem alegria no coração. Somos os embaixadores do Reino de Deus como Paulo fala em II Coríntios 5.20 que devem levar a paz bendita do nosso Senhor Jesus, que devem levar a reconciliação diante de Deus por meio de Jesus Cristo.
Jesus nos enviou para anunciar o Shalom de Deus, a paz que traz reconciliação do homem com Deus. A paz que livra o homem da condenação e o traz para o Reino de Cristo. (Rom. 5.1)
É claro que a idéia de cura está clara no texto e se Deus quiser nos usar para a cura de alguém hoje, ele pode muito bem fazê-lo conforme o seu poder que opera em nós. Mas, creio que devemos nos preocupar em exercer a compaixão para com aqueles que estão com dores, ansiosos, solitários, vazios, infelizes, desanimados e tristes.
Jesus está dizendo assim para os seus discípulos: Olhem, vocês devem viver com o próximo e dizer para ele através da vida de vocês, que o Reino de Deus está próximo deles. Vocês devem tratar as pessoas com amor e ser instrumentos de cura nas suas enfermidades da alma. Com esta ação, as pessoas escutarão a nossa pregação. Pois, as ações levam as pessoas escutarem umas às outras. E falarem entre si e a curarem as feridas umas das outras (NOUWEN, Henri. Compaixão, 1998, p. 145). Estas ações são de pessoas que andam na presença de Deus e anunciam um Evangelho não só de palavras, mas de amor e de verdade.
Quando abrimos as Escrituras no livro do profeta Isaías 61 e vemos a promessa de que Jesus seria ungido pelo Espírito Santo de Deus, para pregar ao seu povo uma boa nova, ou seja, uma notícia de salvação. E o efeito precioso desta boa notícia é que ela traz restauração para o homem e também libertação do pecado. O Reino de Deus cura os quebrantados de coração ou seja, ele vem ao encontro de pessoas que estão em penúria total, pessoas que estão algemadas pela carne, pela dureza de coração. Louvado seja o Redentor do nosso coração!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Mantenha o olhar firme para frente




-Texto para a reflexão: Dirijam-se os teus olhos para frente e olhem as tuas pálpebras diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e serão seguros todos os teus caminhos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal (Pv. 4.25-26).


Estamos começando mais um ano na nossa vida. E temos de aprender que o nosso olhar deve ser fixo e não distraído. Não podemos permitir que ele vagueie ao encalço de cada coisa que apareça em nossa frente, pois, seríamos afastados do bem e enredados pelo mal.
Devemos desviar nossos olhos de tudo aquilo que é vão. Nossos olhos precisam ser bons, para que nosso "corpo seja luminoso" (Mat. 6.22).
Acima de tudo devemos manter nosso olhar "firme" em Jesus. (Ler Heb.12.2). Precisamos olhar para ele em busca de graça e força para vencer cada dificuldade e para permanecer firmes até o fim. Olhando para ele um personagem bíblico chamado Pedro conseguiu caminhar sobre as águas encapeladas do mar da Galiléia (Mat. 14.24-32). Porém, quando ele desviou seu olhar do Mestre, ainda que só por um momento, começou a afundar.
Conservar os olhos da fé fixos em Jesus é manter contato ininterrupto com aquele que é a fonte de poder, com aquele que pode nos fortalecer e nos guardar até o fim.
Neste inicio de ano devemos aprender também a ponderar a vereda dos nossos pés e seremos seguros em todos os caminhos. Como podemos ponderar a nossa vereda? Somente através da Bíblia Sagrada. Não conseguimos construir outra trajetória para a vida espiritual a não ser por meio das Escrituras que mostram Deus a nós. A Palavra é o único meio de irmos a Deus. A Palavra é o meio para crescemos em graça e sabedoria. É na Palavra que encontramos vida e saúde. É nela que achamos os segredos mais íntimos do coração. O texto de Isaías 34.16 afirma: “Buscai no livro do Senhor, e lede...” Em Atos 17.11 diz: “Estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”. Paulo exortando a Timóteo disse: “Procura apresentar-te a Deus aprovado como obreiro que não tem do que se envergonhar que maneja bem a Palavra da verdade”. Como precisamos usar as Escrituras para o nosso coração
Vejam que Salomão termina o capítulo 4 exortando que não declinemos nem para a direita nem para a esquerda e que devemos retirar o pé do mal. E só fazemos isso quando olhamos para frente e temos um coração voltado para a direção completa da Bíblia Sagrada.

Pr. Alcindo Almeida

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Confessemos o nosso pecado diante de Deus


- Texto para reflexão: Então Davi disse a Natã: Pequei contra o Senhor! E Natã respondeu: O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá (II Samuel 12.13).

Interessante que Davi como ser humano sentenciou à morte ao ladrão da ovelha imaginário. Deus é muito misericordioso. Ele perdoou o pecado de Davi. Em vez de encobri-lo, ele o revelou e o poupou a vida.
O texto de Salmo 103 é aplicado na vida de Davi: Como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgres­sões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o SENHOR tem compaixão dos que o temem (Salmo 103.12-13).
Deus quer que comecemos do modo correto, ele quer que confessemos os nossos pecados. Porque ele sempre age conosco pela graça. E graça é um Deus justo e santo imputando gratuita e favoravelmente sua justiça e santidade a um pecador vil e rebelde.
A graça é o conceito mais ofensivo ao mérito. Graça é a dádiva incondicional de Deus aos desconceituáveis. É Deus dando e fazendo tudo para o indigno. Graça é favor imerecido. É a plena suficiência de Deus, para a total incapacidade do homem. É a menção honrosa para os desqualificados. É o pódio dos falidos. Graça é o que Deus fez com este homem que mesmo pecando de maneira terrível, o eterno Pai das misericórdias continuou olhando para Davi. E o tratou com graça sobre graça.
Santo Agostinho dizia que a graça não encontra homens aptos para a salvação, mas os torna aptos para recebê-la. Na verdade a graça encontra os homens na desgraça ou na anti-graça. Deus olha para o falido Davi e o perdoa com graça. Ele trata Davi com graça e misericórdia. E é assim que ele nos trata hoje também. Não importa o pecado que cometemos. Precisamos confessá-lo porque Deus nos perdoa. Por isso, devemos ter a atitude de Davi: Pequei contra o Senhor!
Um texto de Jó nos chama a atenção: Apega-te, pois, a Deus, e tem paz, e assim te sobrevirá o bem. Aceita, peço-te, a lei da sua boca, e põe as suas palavras no teu coração.Se te voltares para o Todo-Poderoso, serás edificado; se lançares a iniqüidade longe da tua tenda, e deitares o teu tesouro no pó, e o ouro de Ofir entre as pedras dos ribeiros, então o Todo-Poderoso será o teu tesouro, e a tua prata preciosa. Pois então te deleitarás no Todo-Poderoso, e levantarás o teu rosto para Deus. Tu orarás a ele, e ele te ouvirá; e pagarás os teus votos.Também determinarás algum negócio, e ser-te-á firme, e a luz brilhará em teus caminhos. Quando te abaterem, dirás: haja exaltação! E Deus salvará ao humilde.E livrará até o que não é inocente, que será libertado pela pureza de tuas mãos (Jó 22.21-30).
O convite é para que lancemos a iniqüidade longe da nossa tenda. E o processo passa pela recuperação da sensibilidade e temor diante de Deus. Por isso, o texto fala de nos apegar a Deus, de aceitar a lei da sua boca e colocar as suas palavras no nosso coração. E também nos voltar para o Todo-Poderoso.
Depois do processo de fugir do pecado o texto nos mostra que o Todo-Poderoso será o nosso tesouro e a prata preciosa. Quando e levantarmos o rosto para Deus, ele ouvirá a nossa oração. Mas, isto só acontecerá quando nos prostrarmos e reconhecermos os nossos pecados confessando-os como Davi fez na presença de Deus.
Que Deus nos ajude a fazer isto!

Pr. Alcindo Almeida



sábado, 12 de janeiro de 2008

Ofereça a sua vida para Deus


- Texto para reflexão: Quem se gloriar, glorie-se no Senhor (II Cor. 10.17).

Deus nunca tirou seus olhos de nós. Mesmo que pensemos isto, jamais acontecerá porque ele é onipresente. Ele preenche todos os espaços da vida humana. Como Paulo afirma em Filipenses 4 ele sempre está perto de nós e nos cerca com seu cuidado. Ele vive para ouvir a batida do nosso coração. Ele ama ouvir a nossa oração e desejou morrer por nossos pecados antes de nos deixar morrer em nossos próprios pecados. Foi exatamente o que ele fez por nós. Por quê? Porque ele nos ama e quer que o glorifiquemos com tudo o que somos e temos.
A pergunta que vem ao nosso coração é: o que fazemos com um Deus como este? Por que não cantamos mais para ele? Por que não dobramos mais os joelhos para agradecer tanto amor? Por que não dedicamos mais a nossa vida e sentimentos internos para ele? Por que não nos rendemos mais a ele?
Paulo nos chama para nos gloriar em Deus e o convite é apenas uma resposta do seu amor para conosco quando ele enviou Jesus para nos substituir na cruz do Calvário e nos trazer redenção, restauração e transformação.
Adoremos ao Senhor Deus. Louvemos com toda a nossa voz aquele que nos ama sempre.

Alcindo Almeida - 2008
Pastor em Pirituba desde 1999.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O nosso GPS divino


- Texto para reflexão: Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para os meus caminhos (Salmo 119.105).

Você já teve o privilégio de andar numa BMW, um carro macio que ostenta todos os acessórios de última geração? Um acessório em particular chama a nossa atenção. É um dispositivo chamado GPS (Sistema de Posicionamento Global), que ocupa um lugar de destaque no painel central. Mesmo sendo um aparelho esquisito e engenhoso ele não nos permite ficar perdidos na cidade. Esse guia digital usa a voz de uma mulher e nos fornece instruções precisas ao longo do caminho. As frases são: “Vire no próximo semáforo à direita, você está chegando ao local desejado”. Este aparelho recebe instruções de um satélite de órbita baixa. O sistema de navegação detecta a posição do carro enquanto, simultaneamente, aponta o destino desejado. Em seguida, compila os dados e fornece direções virtuais interessantes a fim de cumprir a missão do momento.
Podemos transportar esta realidade para a vida espiritual. Temos um Deus que conhece todas as coisas e colocou um GPS semelhante, embora espiritual, dentro de nós. Ele coloca um sonho daquilo que podemos ser para ele, um sonho que funciona como nosso dispositivo interno de direção. O GPS divino tem qualidades de um contador. Quando nos desviamos do caminho, ele nos faz lembrar o endereço que temos em mente e questiona o rumo que tomamos. Ele não apenas nos dá uma posição correta, mas, uma vez que detecta seu alvo e propósito para a nossa vida nos mostra através deste GPS divino que podemos chamar de sua vontade eterna. E como a encontramos? Na Bíblia Sagrada.
Deus com o GPS divino nos dá clareza à vida e foco a uma imagem que, de outra maneira, ficaria embaçada. Nada pode se igualar ao poder do dispositivo de direção que foi ordenado por Deus e colocado no coração de cada um de nós.
Ele nos orienta através da sua Palavra para onde devemos ir, aonde chegar e o que fazer diante dos sonhos e metas na vida. O valor da Bíblia não está, porém, em sua raridade, mas em seu conteúdo. Nós que a temos ao nosso alcance, será que nos damos conta do tesouro que possuímos?
De fato ela é o GPS divino para o nosso coração. E por isso não podemos tratá-la como uma relíquia intocável ou amuleto, mas como o objeto mais precioso da casa e que tem de ser manuseado diariamente para sabermos a direção do GPS divino. Ela não serve somente para se meditar quando se está só, mas para ser lida em família, explicada para as crianças e para ser utilizada sempre como referência (GPS divino).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Lançamento do Livro: "Conselhos para uma vida sábia"


Olá meus amados irmãos, na paz?
Quero convidá-los juntamente com suas famílias para o lançamento do novo livro que escrevi. Será na IP Pirituba nos dias 14 e 15 de março de 2008.
Na sexta-feira dia 14.03 será às 20:00 horas e teremos a pregação pelo Pr. Hernandes Dias Lopes e a participação de Ane e Josias (Banda Ágape).
No sábado dia 15.03 será às 19:00 horas e teremos a pregação pelo Pr. Nelson Taibo e a participação de Ane e Josias (Banda Ágape).
Não deixe de participar deste tempo precioso e agende estas datas agora.
Um abraço e até lá se o Pai permitir...

IGREJA PRESBITERIANA DE PIRITUBAR. Joaquim de Oliveira Freitas, 2466
e-mail: ippba@terra.com.br
Site:
www.ippirituba.org.br

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

TODO DIA É UM DIA ESPECIAL”, DA THOMAS NELSON BRASIL, ENSINA COMO APROVEITAR TODAS AS OPORTUNIDADES PARA VIVER MELHOR


Se hoje fosse seu último dia, quais seriam suas escolhas para aproveitá-lo melhor? Esse é o ponto de partida de Max Lucado em seu novo livro “Todo dia é um dia especial”, da Thomas Nelson Brasil. A obra traz reflexões sobre a importância de aprender a conviver com os problemas diários e não se deixar influenciar de forma negativa por eles. Max Lucado é líder no segmento de livros de inspiração nos Estados Unidos e já publicou mais de 70 títulos.
Todo dia é um dia especial
Descubra o que a vida tem de melhor aproveitando todas as oportunidades de seu dia
Max Lucado
Thomas Nelson Brasil
Nº de páginas: 144
Preço: R$24,90
Todo dia merece pelo menos uma chance de ser melhorado, mesmo aqueles que parecem recheados de problemas. “É disso que são feitas as vidas felizes, um bom dia de cada vez”, diz Max Lucado, considerado um dos principais autores do segmento de livros de inspiração nos Estados Unidos, que lança agora, pela Thomas Nelson Brasil, a obra Todo dia é um dia especial – Descubra o que a vida tem de melhor aproveitando todas as oportunidades do seu dia.
Quando comenta que os dias são porções perfeitas de vida, uma espécie de módulos de organização projetados por Deus, Lucado reforça a importância de aproveitar todos os momentos chamando atenção para informações que geralmente ao são levadas em conta: um dia representa quatro mil batidas do coração, 1440 minutos, uma rotação da Terra, uma volta completa no relógio do sol, 24 viradas da ampulheta, um nascer e um pôr-do-sol, um dia novinho em folha, a dádiva de 24 horas não vividas, inexploradas.
Para aproveitar bem cada dia, o autor sugere: “O ontem não deve existir mais para você, que não poderá mudá-lo nem melhorá-lo; o amanhã ainda não existe, você só tem o hoje e deve viver nele, tem de estar presente para ganhar; preencha seu dia com Deus”.
Evitar a ansiedade é outra dica da publicação para conseguir melhorar seu dia. Segundo Lucado, a ansiedade não tem vantagens, acaba com a saúde, rouba a alegria e não muda nada. “Viva um dia de cada vez”, recomenda, lembrando que Jesus no Evangelho de Matheus deu o mesmo conselho: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações”.
Complementando, Lucado propõe um exercício para começar bem o dia: “Se hoje fosse seu último dia de vida, como você o passaria? Faria o que está fazendo? Ou você amaria mais, doaria mais, perdoaria mais? Então, faça isso como se não houvesse amanhã, como se o hoje fosse a sua última oportunidade”.
Max Lucado
Max Lucado já atingiu milhões de pessoas com seu estilo de escrever e contar histórias. Considerado o líder no segmento de livros de inspiração nos EUA, já publicou mais de 70 títulos, e vários já estiveram nas listas de best-sellers do The New York Times, USA Today e Publishers Weekly. Seus livros já venderam mais de 50 milhões de exemplares no mundo. O pastor texano que já foi missionário no Brasil iniciou sua carreira como escritor em 1985. Além do “Todo Dia é Um Dia Especial”, Max Lucado publicou, pela Thomas Nelson Brasil, “Derrubando Golias”, “Dias Melhores Virão” e “3:16 – A Mensagem de Deus para a vida eterna”.
Todo ano, os livros de Lucado estão entre os que mais freqüentam as listas de best-sellers das revistas especializadas. Lucado é o primeiro e único escritor a conquistar o título de “Livro cristão do ano” da Evangelical Christian Publishers Association (ECPA, a associação das editoras evangélicas norte-americanas) por três vezes (em 1995, por “Quando Deus sussurra seu nome”; em 1997, por “Nas garras da graça”; e em 1999, por “Simplesmente como Jesus”).
Seu nome se tornou presença constante nas listas de sucessos de venda dos Estados Unidos. Nos últimos doze anos, há sempre um título de sua autoria na relação de livros em capa dura mais vendidos da Christian Booksellers Association (CBA, a associação de livreiros cristãos dos Estados Unidos). Suas obras também aparecem com regularidade nas listas de best-sellers da Publishers Weekly, na categoria “Religião”.
Mais informações para a imprensa com Maria Fernanda Rodrigues (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814.4600 ou pelo e-mail
mariafernanda@lufernandes.com.br