Feridos que ajudam outros feridos no meio do sofrimento


Quando enfrentamos as dores e padecimentos diversos da vida não é por acaso. Deus tem planos para os processos de sofrimentos que passamos na vida. Na experiência do sofrimento aprendemos que através das nossas próprias dores e conflitos levamos esta geração a dar a atenção para o fato de que Deus está dentro de nós, nunca fora de nós.
É com a realidade da nossa dor que temos de ensinar os feridos que o mais precioso na vida é a própria vida vivida na presença do Pai. É viver a articulação da vida com os movimentos interiores. Eles acontecem quando somos capazes de criar espaços pela graça, para o Deus Pai, seja o maior tesouro no nosso coração. É a realidade de termos consciência de que só Deus pode nos curar e nos conduzir como instrumentos da sua graça para curar a outros.
Henri Nouwen diz no seu livro Sofrimento que cura que isto tudo só tem sentido quando compreendemos que não vivemos isto lá em cima, longe, no secreto. Vivemos isto no meio do povo, no sistema visível e na realidade humana. E a maneira de ver isto é com compaixão, pois a pessoa compassiva permanece no meio do seu povo. Na compaixão vemos que Deus não é só Deus, mas é Deus homem e que o nosso próximo é a semelhança dele também (NOUWEN, 2001, p. 67).
Hoje temos uma geração órfã que está à procura de pessoas capazes de aliviar seu medo e sua ansiedade. Pessoas que abram as portas de sua timidez e revelem amor, perdão, compaixão e afirmem que há a possibilidade de amanhecer o horizonte da humanidade na presença do Pai. Pessoas assim podem afirmar para gente doente na alma, que no meio do sofrimento, há algo para ser visto e percebido e que todos nós somos a imagem daquele que nos criou, o Senhor Deus Trino.
Estando ao lado das pessoas da nossa comunidade podemos perceber que o vazio do passado e do futuro nunca poderá ser preenchido com as nossas belas palavras, mas somente com a nossa presença ao lado das pessoas. Pois, nenhum homem pode sobreviver se não há alguém esperando por ele.
O começo e o final da vida comunitária é ofertar a nossa vida para as pessoas diante dos seus conflitos e diante das dores da alma.
Não deixemos de nos lembrar desta verdade e com certeza seremos os feridos que ajudam na cura de outros feridos.

Pr. Alcindo Almeida

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