Deus não nos abandona e olha para a nossa dor


- Texto para reflexão: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar e das palavras do meu bramido? Deus meu, eu clamo de dia, porém tu não me ouves; também de noite, mas não acho sossego. Contudo tu és santo, entronizado sobre os louvores de Israel. Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e tu os livraste. A ti clamaram e foram salvos; em ti confiaram, e não foram confundidos. Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo. Todos os que me vêem zombam de mim, arreganham os beiços e meneiam a cabeça, dizendo: Confiou no Senhor; que ele o livre; que ele o salve, pois que nele tem prazer. Mas tu és o que me tiraste da madre; o que me preservaste, estando eu ainda aos seios de minha mãe. Nos teus braços fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem acuda (Salmo 21.1-11).

Quantas vezes, no meio de uma provação, pensamos que fomos esquecidos ou abandonados por Deus. Ou somos tentados a concluir que Deus está completamente alheio a nós. Não é por acaso que Davi afirma que está desamparado. Ele está em profundo desespero por causa das suas grandes lutas na vida. Então ele geme diante de Deus e confessa que se sente só. Mas, o interessante é que Davi recorre imediatamente ao seu Deus e pede o seu auxílio, a sua presença e conforto na vida.
Ele poderia buscar muitas maneiras de obter o socorro para a sua vida, mas ele corre imediatamente para Deus e diz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar e das palavras do meu bramido.
Davi clama de dia e de noite para aquele em que ele confia e quer ter ao seu lado. Ele diz Deus meu porque é o Deus da sua vida, da sua caminhada e da sua esperança. É o Deus que ele tem desfrutado ao longo da vida uma comunhão extraordinária.
Jesus também usou esta mesma frase na hora em que suportava na cruz do Calvário as dores dos nossos pecados. Ele precisa da companhia de seu Pai naquele momento tão crucial. Jesus diz: Deus meu, Deus meu!
Saibamos desta verdade, Deus está conosco na hora da dor. Assim como Davi clamou e pediu o socorro para a sua vida. Assim como o nosso mestre clamou pelo seu Pai, podemos fazer o mesmo hoje. Podemos clamar para que ele nos traga a sua graça e esperança para o nosso coração diante das tribulações da vida.
Quando Davi clama ao Senhor pela sua presença na vida vem à resposta no seu coração sobre quem é o seu Deus. Ele é santo e está entronizado sobre os louvores de Israel. Ele é a confiança do seu povo nas gerações. Ele é o grande libertador e o grande Salvador do seu povo.
Davi começa a contemplar o seu Deus e vê que ele é um verme, que ele é o opróbrio dos homens e desprezado do povo. Davi entende que Deus é o soberano que o tirou da madre, o que o preservou estando ele ainda nos seios de sua mãe. Ele reconhece a soberania de Deus como o grande criador da sua existência. Por isso, a sua voz diante de Deus é: Não te alongues de mim, pois a angústia está perto e não há quem acuda.
Davi reconhece Deus como aquele governa as nações e diz que Deus tem as nações como objeto da sua preocupação como mostram os Salmos 9.7-8 e 96.7. Sem dúvidas Deus é o Senhor grande rei sobre toda a terra. Deus reina e cuida de nós, ele está nos olhando sempre. Não precisamos nos desesperar de maneira temerosa. Ele está conosco e é o nosso Deus, aquele que vive e reina para sempre!
Apesar de sermos sem valor no sentido de natureza pecaminosa, apesar de sermos seres desprezíveis no sentido de pecado Deus olha para nós e jamais nos abandona. Ele vem ao nosso encontro no meio da nossa insuficiência.
Davi nos lembra de maneira especial no meio da dor que Deus é o que nos fez nascer. Ele que nos preserva desde o nosso nascimento. Ele é o nosso Deus desde o ventre da nossa mãe.
O Filho de Deus, que bebeu até ao fundo o seu cálice amargo e depois ressuscitou dos mortos, nos diz com a sua vida e a sua morte, que devemos confiar em Deus. Nele podemos crer e confiar porque nunca nos abandonará, embora, as vezes, pensemos que ele nos deixou.

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Alcindo Almeida

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