Georg Friedrich Haendel – o homem que trouxe o rei aos seus pés

Ele foi um compositor alemão nascido na cidade de Halle no mesmo ano que Johann Sebastian Bach, Haendel iniciou a sua atividade musical na Ópera de Hamburgo. Aos 21 anos realizou a primeira viagem importante - a Itália - onde teve oportunidade de se familiarizar com a Cantata, a Ópera e a Oratória deste país, assim como de estabelecer contactos com os autores mais famosos da época, e particularmente Corelli e Alessandro Scarlatti.
No entanto, Haendel decidiu fixar residência em Londres, onde trabalhou durante 35 anos, até ao fim dos seus dias, sofrendo os altos e baixos da ópera séria italiana, gradualmente ameaçada pelos êxitos do espetáculo popular, como o célebre The Beggar's Opera de Gay e Pepush. Mas para além deste fato, sobretudo nos anos 30 do século não foram fáceis para o compositor devido à criação em Londres de uma segunda companhia de ópera concorrencial; após 30 anos de êxitos acumulados, as dificuldades crescentes levaram-no a procurar alternativas nos campos da Oratória, Serenata, Concerto, etc.
Em 1740 empreendeu nova viagem à Europa, e no regresso à capital britânica fez duas últimas incursões no domínio da ópera italiana, qualquer delas com resultado pouco menos que desastroso:

Imeneo, escrito entre 1738 e 1740
Deidomia, estreada a 10 de Janeiro de 1741.

As palavras do Messias resultaram de uma compilação feita pelo seu antigo colaborador e amigo Charles Jennens, do qual nos chegou a primeira referência a esta obra, numa carta de 10 de Julho de 1741:" Haendel diz que não vai fazer nada no próximo Inverno, mas espero conseguir convencê-lo a compor outra Antologia das Escrituras que fiz para ele, e apresentá-la em seu benefício na Semana da Paixão. Espero que ele empenhe nela todo o seu engenho e mestria, de forma a que esta composição exceda a qualidade das anteriores, assim como o assunto é superior a qualquer outro. O assunto é o Messias"
A primeira parte do Messias narra as profecias à volta do nascimento de Cristo e do Natal propriamente dito. A segunda trata do sofrimento e humilhações de Cristo na Terra até à Crucificação, Ressurreição e Júbilo pela vitória do Reino de Deus, no célebre coro do "Aleluia".
Finalmente, a terceira parte consiste fundamentalmente em comentários à volta dos temas da Ressurreição e do Julgamento Final. A instrumentação do Messias foi revista várias vezes por Haendel e adaptada também às circunstâncias e aos efetivos existentes em cada ocasião. Na estréia de Dublin a partitura não incluía oboés, mas foram acrescentados para as apresentações feitas nas temporadas londrinas, a par de outras modificações graduais introduzidas até à versão definitiva, que pode datar-se de 1750.
Olhando para a vida deste homem e suas obras, o que chama a nossa atenção é que no dia 23 de março de 1743, O Messias foi apresentado em Londres diante do Rei Jorge II, o qual, emocionado pela beleza do Aleluia, pôs-se em pé em sinal de respeito e reverência diante das palavras: Pois o Senhor Deus onipotente reina. Reis dos reis e Senhor dos senhores.
Nunca ele imaginaria que tanta beleza na sua canção faria um rei se prostrar diante do criador!
Que história linda de um homem que com 74 anos já no tempo da sua morte e cego marcou tanto sua geração sendo um instrumento de Deus na música.
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Alcindo Almeida

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