John Wycliffe - A estrela matutina da Reforma

O Livro dos Mártires retrata a história de John Wycliffe. Este célebre reformador, chamado "A Estrela Matutina da Reforma", nasceu por volta do ano 1324, durante o reinado de Eduardo II. De sua família não temos informação certa. Seus pais o designaram para a igreja, e o enviaram ao Queen's College, em Oxford, que tinha sido então fundado por Robert Eaglesfield, confessor da Rainha Felipa. Mas ao no apreciar as vantagens para o estúdio que esperava naquele estabelecimento novo, passou ao Merton College, que era então considerado como uma das instituições mais eruditas da Europa .
Os bispos que apoiavam a autoridade do Papa, insistiam em submeter Wycliffe a juízo, e estava já sofrendo interrogatórios em Lambeth quando, por causa da conduta amotinada do povo lá fora, e atemorizados pela ordem de Sir Lewis Clifford, um cavalheiro da corte, no sentido de que não deviam decidir-se por nenhuma sentença definitiva, terminaram tudo o assunto com uma proibição a Wycliffe de predicar aquelas doutrinas que fossem repulsivas para o Papa; porém, o reformador a ignorou, pois indo descalço de lugar em lugar, e com uma longa túnica de tecido rústico, predicava mais veementemente que nunca.
No ano 1378 surgiu uma contenda entre dois Papa, Urbano VI e Clemente VII, acerca de qual era o Papa legítimo, o verdadeiro vicário de Cristo. Este foi um período favorável para o exercício dos talentos de Wycliffe; pronto produziu um tratado contra o papado, que foi lido de boa vontade por todo tipo de pessoas.
Para o final daquele ano, Wycliffe caiu enfermo de uma forte doença, que se temia pudesse resultar fatal. Os frades mendicantes, acompanhados por quatro dos mais eminentes cidadãos de Oxford, conseguiram serem admitidos em seu dormitório, e lhe rogaram que se desdissesse, por amor de sua alma, das injustiças que tinha falado acerca da ordem deles. Wycliffe, surpreendido ante esta solene mensagem, se recostou em sua cama, e com rosto severo disse: "Não morrerei, senão que viverei para denunciar as maldades dos frades".
Quando Wycliffe se recuperou dedicou-se a uma tarefa sumamente importante: a tradução da Bíblia ao inglês. Antes da aparição desta obra, publicou um tratado, no qual expunha a necessidade da mesma.
O zelo dos bispos por suprimir as Escrituras impulsionou enormemente sua venda, e os que não podiam procurar-se uma cópia se faziam transcrições de Evangelhos ou de Epístolas determinadas. Posterior, quando os lolardos foram aumentando em número, e se acenderam as fogueiras, se fez costume amarrar ao pescoço do herege condenado aqueles fragmentos das Escrituras que se encontraram em sua possessão, e que geralmente seguiam sua sorte.
John Fox relata o fim de Wycliffe assim:

“Após terem levado o Senhor a seu túmulo, acharam que conseguiriam evitar que ressuscitasse. Porém estes e todos os outros deverão saber que assim como não há conselho contra o Senhor, tampouco pode suprimir-se a verdade, antes rebrotará e renascerá do pó e das cinzas, tal como aconteceu em verdade com este homem; porque ainda que exumaram seu corpo, queimaram seus ossos e afogaram suas cinzas, não puderam contudo queimar a palavra de Deus e a verdade de sua doutrina, nem o fruto e triunfo da mesma” .

O coração deste homem permaneceu firme no Senhor Deus. Deus quer que sejamos firmes assim na sua Palavra!

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Alcindo Almeida

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