Fanfarra para o homem comum

"A celebridade é doença terminal porque extrai do sujeito a sua coisa mais essencial, a sua humanidade. Transformar homens em ídolos é despojá-los de sua humanidade, e portanto de sua relevância. É ajoelhar-se diante do acessório recusando-se a abraçar o essencial. É espetáculo de antropofagia, consumo público de seres humanos. E, depois de conviver por tempo suficiente com a adoração, a vítima da celebridade enfrentará um dia a tentação de ajoelhar-se diante de si mesmo – tentação que é possível resistir por algum tempo, mas não indefinidamente ou o tempo todo. E quando o ídolo finalmente resvalar e cair, cairá publicamente, e seu público estará pronto para contorcer-se em horror e prazer diante da sua capitulação – num êxtase fora do corpo que terá precisamente a mesma natureza e intensidade daquele em que o aplaudiram na primeira vez" (BRABO, Paulo. A bacia das almas. São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p.295).

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