O texto de Gn. 4 afirma que Eva
deu a luz a dois filhos Abel e Caim. Abel foi pastor de ovelhas e Caim foi
lavrador da terra. Em alguns dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao
Senhor. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua
gordura. O que é curioso na nossa avaliação humana é que o texto afirma que o
Senhor atentou para Abel e para a sua
oferta. E quanto a Caim e para a sua oferta, o Senhor não atentou. O resultado
triste foi que Caim se irou fortemente e descaiu-lhe o semblante. Sabemos que o
final da história foi triste, porque Caim se levantou contra o seu irmão Abel e
o matou.
Nesta primeira experiência do
homicídio começamos a ver as atitudes falhas do caráter humano e suas
consequências. Vemos o quanto o coração humano se tornou duro e insensível para
com os mandatos da criação estabelecidos pelo Senhor. O medo de ser inferior
toma conta da natureza humana, a inveja começa a fazer parte da vida humana. A
estrutura do coração humano fica corrompida por causa do pecado, da ira, do
medo, da inveja. Daí a atitude maligna de Caim é tirar a vida do seu próprio
irmão porque Abel se tornou uma ameaça para a sua vida. Caim movido pela
maldade no seu coração não tem a capacidade para compreender a maneira correta como
Abel invoca o nome do Senhor. Aprendemos através desta experiência triste que o
coração humano é perverso, mal, contumaz, leviano, invejoso, carregado de medo
e vingativo.
Quando olhamos para o coração
de Caim podemos perceber exatamente com é o nosso. Temos problemas com o medo,
com a inveja quando o nosso próximo é melhor do que nós e aparentemente tem
mais sucesso do que nós. Temos dificuldades quando o outro sobressai em algum
instante e de repente a inveja se aflora dentro de nós mesmos. Talvez a maioria
de nós não mata fisicamente, mas há muito que assassinam o próximo no próprio
coração. Quando olhamos para Caim devemos assumir a nossa própria
pecaminosidade e o quanto precisamos da graça de Deus para nos tornar
verdadeiros Abéis que invocam de maneira sincera e verdadeira o Deus da
aliança.
Um bom começo para esta
adoração verdadeira é reconhecermos que o nosso coração é miseravelmente
corrupto e enganoso como o profeta Jeremias afirma. Temos inclinações para a
inveja, para o orgulho, para a soberba, para as injustiças da vida. Então,
peçamos misericórdia e graça para o Pai para que não nos deixe praticar as
ações de Caim. Que a graça do Pai seja sobre a nossa vida para não darmos vazão
ao coração duro e insensível! (Alcindo Almeida).

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