O filme Um homem de sorte conta a história no fim do século XIX de Peter Sidenius. Ele foi um ambicioso jovem de uma devota família cristã da Dinamarca Ocidental, que viajou para a capital, Copenhague, para estudar engenharia. Sidenius rebelou-se contra o pai clérigo. Peter acabou se envolvendo com uma família judia rica e intelectual, seduzindo a filha mais velha, Jakobe. Agora, chamando a si próprio de Per, ele desenvolve um projeto de engenharia de grande escala, com a construção de uma série de canais na sua terra natal, a Jutlândia, e busca recursos para consumar seu sonho. Porém, assim que parece que conseguirá torná-lo realidade, seu orgulho o atrapalha.
O orgulho de Peter Sidenius o atrapalha, porque ele não consegue resolver os conflitos do passado em relação à criação que teve vinda do seu pai. Uma criação severa e pautada pela religião dura, presa a rituais e ensinamentos absolutamente superficiais que destruiram a mente desse rapaz. Tornando-o rebelde, insensato, solitário e totalmente prepotente a tal ponto, que não era capaz de perceber os sentimentos sinceros das pessoas por ele. Ele poderia ter feito exatamente ao contrário do que seu pai fez com ele, mas se perdeu completamente no meio das crises profundas do seu ser.
Fiquei pensando em Peter Sidenius e na sua história, parecida demais com a minha. Não tive uma infância influenciada por ensinamentos pesados da religião, mas fui criado a ferro e fogo. Uma rigidez ferrenha, absurda e seca vinda do meu pai. Eu na verdade, nem poderia respirar direito que sofria os danos da severidade horrível do meu pai.
Eu poderia ter ficado igual ao Peter Sidenius, poderia ter me fechado para a vida e para todos. A realidade é que é duro demais para uma criança sofrer retaliações e violência física, machuca o ser, a alma e o coração. Não é fácil lidar com isso quando chegamos na idade adulta. Mas, sabemos que a graça nos salva dos pesares, temores e dores do passado. A graça nos salva de ficarmos presos lá nas angústias que sofremos seja na infância, na adolescência ou juventude.
O texto afirma em 2 Coríntios 12:9-11: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte. Sim, é na fraqueza que temos o efeito da graça sobre nós, ela nos ajuda a suportar todos os processos dolorosos da nossa alma. A graça basta para qualquer perda, dor e angústia que enfrentarmos nessa vida. O poder de Cristo está em nós para nos ajudar a passar pela dor com graça. Quando estivermos fracos, nos lembremos, pela graça de Cristo, somos fortes. (Alcindo Almeida)

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