A ressurreição traz a certeza de que os propósitos de Deus nunca serão frustrados

- Texto para reflexão: Os varões disseram àquelas mulheres Ele não está aqui, mas ressurgiu. Lembrai-vos de como vos falou, estando ainda na Galiléia, dizendo: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressurja (Lucas 24.6 e 7)

Para alguns discípulos de Jesus, a realidade da cruz era algo fora de cogitação. Por exemplo, para Pedro que repreendeu a Jesus por dizer que padeceria muito e seria morto e depois ressuscitaria ao terceiro dia: Senhor tem compaixão de ti, de modo nenhum acontecerá isto (Mt. 16.22).Esta palavra era diabólica e fora de cogitação quanto ao plano eterno para a redenção do povo de Deus. E Pedro não sendo sensibilizado por isto disse estas palavras improdutivas.
Pedro lá no Getsêmane não entendia ainda o propósito de Deus para o seu Filho. Tanto que Jesus ao ser entregue por Judas aos soldados, Pedro revoltado sem entender a situação pega a espada e fere o servo do sumo-sacerdote arrancando a sua orelha. E Jesus coloca a orelha de Malco no seu lugar e repreende a Pedro dizendo: Mete a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu? (Jo. 18.9-11). Jesus ensina a Pedro que Deus tem um propósito para o seu Filho e este propósito tem que ser cumprido custe o que custar.
Agora no domingo da ressurreição acontece o desfecho deste propósito eterno e é exatamente isto que os varões explicam para as mulheres: Lembrai-vos de como vos falou, estando ainda na Galiléia, dizendo: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressurja. A história seria assim, Jesus seria entregue pela sua própria disposição nas mãos dos homens pecadores, e seria crucificado e ressuscitaria ao terceiro dia.
Vejam que Jesus não é um réu das circunstâncias dos homens. Pilatos não é o ditador das grandes regras da condenação de Jesus em hipótese alguma. Ele pensa que o é quando diz a Jesus: Não me falas a mim? Não sabes que tenho autoridade, poder para te crucificar e tenho poder para te soltar (Jo. 19.10).
Jesus no v. 11 deste capítulo dá uma lição de quem tem o controle da história nas mãos, quem de fato é réu na história. Ele responde a Pilatos: Nenhum poder tu terias contra mim, se de cima te não fosse dado. O poder é de Deus, a história é dirigida pelo supremo criador de todas as coisas.
Então a dor de Jesus no jardim do Getsêmane, a humilhação de ser cuspido no rosto, as esbofeteadas que foram dadas no seu rosto, as chicoteadas nas costas, a coroa de espinhos em sua cabeça. Tudo isto na cabeça dos homens não tinha sentido porque a compreensão de tudo isto só se daria no domingo pela manhã. Tudo isto era necessário no propósito eterno de Deus para a redenção consumada do seu povo.
­Às vezes, não entendemos bem os acontecimentos da vida. Parece que nada faz sentido na nossa vida. Parece que Deus nos abandonou na história. O desemprego invade o nosso lar, a morte traz tristeza na nossa casa. O pai do filho que é pastor vive bebendo e enchendo a cara nos bares. A filha do presbítero que é fiel na sua vida cristã sempre acaba de virar uma prostituta. A economia está destruindo a vida do povo. A situação se afrouxa cada vez mais. A mãe do jovem que está firme na causa do Senhor está à beira da loucura e não tem mais consciência de nada que acontece.
As coisas andam de maneira estranha, parece que o mal tem o domínio de tudo. Não, as coisas não perderam o sentido, no cristianismo não acontece o fatalismo, no cristianismo não cai um fio de cabelo da nossa cabeça sem a direção, a permissão do Senhor Deus.
É difícil a gente encarar esta realidade, mas é isto mesmo, Deus tem o controle de tudo e o plano de Deus na vida do seu Filho nos ajuda a compreender os propósitos de dele. Jesus dizia aos seus discípulos: E na verdade o Filho do homem vai segundo está determinado, mas ai daquele homem por quem é traído (Luc. 22.22).
Jesus foi entregue, foi humilhado, deu-se a si mesmo para a morte e morte de cruz, mas ao terceiro dia como diz este texto, ele ressuscitou dentre os mortos e cumpriu os propósitos eternos do Pai Celestial. Hoje Pilatos não é louvado, Herodes que foi comido pelos bichos só tem esta lembrança, Caifás, Anás foram esquecidos na história. Mas, hoje, quem é adorado por milhares e milhares de pessoas é o Senhor Jesus que ressuscitou dentre os mortos.
O escritor aos Hebreus diz no capítulo 12.2: Olhando para Jesus autor e consumador da fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.
Quando olhamos para a ressurreição de Cristo, vemos que o diabo foi derrotado, a vitória foi conquistada e aprendemos a compreender que os propósitos de Deus nunca são frustrados, eles são sempre cumpridos conforme o seu querer, conforme à sua vontade eterna. Isto me faz lembrar de uma frase de C. S. Lewis que diz:

“Cristo suportou a rendição e humilhação perfeitas: perfeitas, por ser Deus; rendição e humilhação, por também ser homem. Ora, a fé cristã é que se participarmos de algum modo da submissão e dos sofrimentos de Cristo, participaremos também da vitória sobre a morte, e encontraremos, depois de nossa morte, uma nova vida que nos fará criaturas perfeitas e completamente felizes. Isso significa muito mais do que procurarmos seguir as suas doutrinas... Em Cristo surgiu uma nova espécie de homem: e o novo tipo de vida que se iniciou com ele é para ser colocado dentro de nós” (LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: ABU, 1992, p. 34).

As últimas palavras de Jesus: “Consumatun Estin” - “Está consumado” garantiu o inicio da vitória dele na cruz do Calvário e esta vitória foi outorgada pela graça de Deus, a nós o seu povo. Glória ao Pai, glória ao Santo Espírito, glória ao Filho, Jesus Cristo, por este eterno propósito que foi cumprido desde a eternidade.
Eu encerra esta meditação citando as palavras de um homem que nem chegou a ver de forma corpórea o Filho do Deus Altíssimo, mas compreendeu que na história humana, os planos de Deus não poderiam ser frustrados nunca. Este homem é Jó que disse no cap. 42.2: Bem sei eu que tudo podes e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.
Que o Senhor nos ajude a enfrentar as lutas e as dores da sexta-feira com a perspectiva de que o domingo da esperança, da vida, da alegria que já chegou em nome do nosso Redentor!

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Alcindo Almeida

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