Permaneça em contato com o sofrimento

- Texto para reflexão: No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo (Jo 16.33)

Quando olhamos para a realidade deste “evangelho frágil” que tem sido pregado, nos deparamos com a maneira de Jesus lidar com o Evangelho, percebemos que ele é tão diferente. Ele não veio eliminar as dores, mas nos ajudar a enfrentá-las com o realismo e a esperança que a vida nesse mundo requer. E ele faz esta ação em nós na perspectiva da graça e do amor de Deus, que padece junto com o sofrimento da humanidade.
Jesus não promete um Evangelho frágil de dinheiro, de sucesso, de prosperidade. Se ele quiser, até podemos ter estas questões na vida. Mas, o Evangelho é ter contato com a cruz, com a dor. É renunciar a própria vida todos os dias. É morrer para nós mesmos todos os dias. É lutar contra a injustiça, contra o pecado sempre.
No meio da dureza de viver o Evangelho dele, Jesus disse: No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo. E tudo isso, lembrando, aos discípulos para que estes tivessem paz. Porém, será que em nossa compreensão triunfalista da fé e ilusória da alegria, existe lugar para se conceber uma paz que não significa apenas “ausência de conflito”, mas que se faz presente especialmente nos lugares de dor?
Em lugar de toda a proposta deste “evangelho frágil” e espiritualista só de vitória, somos chamados a abandonar o caminho fácil e deixar de lado nossos falsos gritos de “Hosana” ao mesmo tempo em que oprimimos nosso povo fabricando ilusões religiosas e, com elas, cristãos completamente imaturos e doentes, para de fato e de verdade viver nos caminhos de Cristo. E viver o caminho de Jesus não tem outro nome para lidarmos, a não ser a cruz.
Andar no caminho da cruz é passar por perseguição e Jesus sabe o que é a dor da perseguição, porque ele foi perseguido por Herodes desde a sua infância. Ele foi perseguido pelos hipócritas fariseus, pelos escribas, sacerdotes e pela multidão. Ele sabe o que é dor da traição porque ele investiu num discípulo que o traiu com um beijo. O outro ao negá-lo três vezes. Ele sabe o que é dor no mais profundo dos sentidos, porque a Palavra diz que foi enfermado quando tomou sobre ele mesmo as nossas dores.
Saibamos com a cruz de Cristo sofrer as nossas próprias dores, não só as inerentes à vida, mas também aquelas inseparáveis do exercício da fé cristã na vida. Nas palavras de Nouwen “Cristo nos convida a permanecer em contato com os muitos sofrimentos de cada dia e a experimentar o começo da esperança e da nova vida, justamente aí onde vivemos, no meio das feridas, dores, falência. Teremos menor tendência a negar o sofrimento quando aprendermos que Deus o usa para nos moldar e nos atrair para mais perto da graça dele” (NOUWEN. Sofrimento de cura. 2002, p. 9).
Evangelho genuíno tem a ver com sofrimento, com cruz. E Cristo na cruz mergulhou nas mais profundas trevas para trazer paz a nós depois da sua morte. Por isso, ele nos diz: No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.
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Alcindo Almeida - membro da equipe da Lapa.

Comentários

Aécio Ribeiro disse…
A teologia da esperança perderia o sentido não fosse a realidade da dor. Se hoje levo a cruz, asseguro em mim a esperança que o ânimo me traz. É na dor que experimentamos o verdadeiro significado da Paz que Cristo disse deixar-nos-ia.
Parabéns pela bela composição.
Aécio
Alcindo Almeida disse…
Aécio Ribeiro disse...
A teologia da esperança perderia o sentido não fosse a realidade da dor. Se hoje levo a cruz, asseguro em mim a esperança que o ânimo me traz. É na dor que experimentamos o verdadeiro significado da Paz que Cristo disse deixar-nos-ia.
Parabéns pela bela composição.
Aécio

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