Cuidado com a ganância na vida


- Texto para reflexão: Se vires em alguma província opressão de pobres, e a perversão violenta do direito e da justiça, não te maravilhes de semelhante caso. Pois quem está altamente colocado tem superior que o vigia; e há mais altos ainda sobre eles. O proveito da terra é para todos; até o rei se serve do campo. Quem ama o dinheiro jamais se farta dele; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade (Ecles. 5.8-10).

A Palavra de Deus foi escrita no contexto de uma sociedade agrária onde a maioria das pessoas se dedicava, para subsistência, às atividades agrícolas, trabalhando com as famílias, extraindo da terra e dos rebanhos o pão de cada dia. Nesse sentido, a questão mais importante para as necessidades materiais era possuir terra e ter paz social.
Sabemos que com a "revolução industrial" no Século 18 houve o surgimento das empresas e dos grandes centros urbanos. Daí o motivo agora de buscar as opções de sobrevivência na vida.
Quando percebemos a ganância tomando conta do coração humano o resultado é óbvio. Os pobres é que são oprimidos e esquecidos. E com toda certeza os que possuem um pouco mais acabam dando vazão para a cobiça.
Salomão conhece os processos da sua época e vê que os oficiais da ordem social são corruptos que esperam cobrar dos seus inferiores com atos injustos. E quem geralmente sofre é aquele que paga todos os impostos. Salomão é um destes beneficiados porque quando ele cobrava os impostos do povo, ele abusava.
E provavelmente através de duras penas ele aprendeu a lição da falta de temor e bom senso diante da lógica da vontade de Deus. Tanto que a afirmação dele no versículo 10 é: Quem ama o dinheiro jamais se farta dele; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade.
Este é um cuidado que devemos ter como servos de Deus. Não estou dizendo que não podemos sonhar com uma vida melhor. Estou evidenciando o cuidado com esta idéia de ter e cada mais ter. A tendência de quem ganha muito é querer mais e mais.
Salomão mostra para nós que o grande problema é quando amamos o dinheiro. Aliás, as Escrituras nos advertem severamente dizendo que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Ele mostra que quem ama a abundância nunca se farta da renda. E é uma verdade inquestionável. No final de tudo as riquezas não satisfazem e só trazem dissolução e esgotamento físico na vida.
Salomão afirma em Eclesiastes 5.11: Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que dele comem. Ele afirma no versículo 12 que doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito, mas, a fartura do rico não o deixa dormir.
Eu diria que este tem menos problemas para buscar a ganância na vida. Ele trabalha durante o dia e quando vai para casa à noite pode descansar sem preocupações e sem pesares no coração. Ao contrário, o rico sempre tem que cuidar do bem-estar da sua riqueza. Ele vive num processo enorme de ansiedade sobre o cuidado com o dinheiro que tem e o quanto precisa ganhar ainda.
Salomão diz que viu um grave mal debaixo do sol: as riquezas que seus donos guardam para o próprio dano. Ele diz que se tais riquezas se perdem por qualquer má aventura, ao filho que gerou nada lhe fica na mão. Ele conclui dizendo que assim como o homem saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará, indo-se como veio e do seu trabalho nada poderá levar consigo.
Esta verdade é séria demais para nós. A tradução para grave é grande enfermidade. A luta desenfreada pelo dinheiro e pelas conquistas aqui na terra gera desgastes e enfermidades na vida humana.
Sabemos que esta é uma grande realidade que Salomão mostra para nós. Ele mostra que é vão o desejo de ter aqui na terra. Aqui é que mora de fato a vaidade na vida. Pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas é algo que ocupa o coração da gente.
Como lembra bem Thomas Kempis no seu livro: A imitação de Cristo “vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade é seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, será gravemente castigado. Vaidade é desejar longa vida e, entretanto, se descuidar de que seja boa. Vaidade é só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade é amar o que passa tão rapidamente e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura” (KEMPIS, Thomas A. A imitação de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2000, p.14).
Salomão apresenta o fim de todos os homens inclusive àqueles que acham que com o dinheiro terão vida longa, nunca se apagarão e nunca perecerão na vida. Ele nos lembra que não levaremos nada desta vida. Como chegamos ao mundo, da mesma forma voltaremos.
Esta realidade nos convida a procurar o desapego do nosso coração quanto ao amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis. Porque aqueles que satisfazem seus apetites materiais mancham a consciência e perdem os momentos de desfrutar de algo melhor do que as posses terrenas: a graça de Deus. É bom nos lembrar de que o melhor que levamos desta terra é o relacionamento com o Criador e não as conquista materiais.

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Alcindo Almeida

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