Regresso do Filho Pródigo: Um Convite à alegria

- Texto para reflexão: O pai disse aos seus servos: Trazei depressa o melhor vestido, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se (Lucas 15.22-24).

A celebração faz parte do reino de Deus. Deus não só oferece perdão, reconciliação e cura, mas quer dar todas essas iguarias aos que estiverem presentes, como prova da sua alegria. Nas três parábolas em que Jesus explica porque se senta à mesa com os pecadores, Deus se alegra e convida outros a que se alegrem com ele. «Alegrai-vos comigo», diz o pastor, «encontrei a ovelha que se tinha perdido». «Alegrai-vos comigo», diz a mulher, «encontrei a dracma que tinha perdido». «Alegrai-vos», diz o pai, «este meu filho estava perdido e foi encontrado».
Deus se alegra. Não por terem sido resolvidos os problemas do mundo, não por se terem acabado a tristeza e o sofrimento humanos, não porque milhares de pessoas se tenham convertido e estejam agora a dar-lhe graças pela sua bondade. Não. Deus se alegra porque um dos seus filhos se tinha perdido e foi encontrado.
O pai do filho pródigo entrega-se totalmente à alegria que lhe dá o fato de o filho ter voltado. Tenho de aprender a ser assim. Tenho de aprender a «captar» toda a alegria que houver para «captar» e fazê-la ver aos outros. Isto exige disciplina. Exige optar pela luz, mesmo que haja muita escuridão que me faça medo, optar pela vida mesmo que as forças da morte estejam tão à mostra, e optar pela verdade mesmo que esteja rodeado de mentiras.
Tenho tanta tendência para me impressionar com a tristeza inata da condição humana, que já não conto com a alegria que se manifesta em moldes muito pequenos, mas autênticos. A alegria não nega a tristeza, mas transforma-a numa terra fértil para cultivar mais alegria.Tal como o filho de Deus que regressou e que vive agora na casa do Pai, também eu posso fazer minha a alegria de Deus.
Quando creio de verdade que já cheguei e que o meu pai me vestiu uma túnica, me pôs um anel e umas sandálias, então tiro a máscara de tristeza do meu coração e faço desaparecer a mentira que me fala do meu próprio eu; então descubro a verdade, com a liberdade interior de filho de Deus.
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Henri Nouwen - A volta do filho pródigo.

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