O casamento é ideia divina

Eu sempre afirmo nos atendimentos e conselhos para pessoas que se casarão que a minha definição sobre casamento é: casamento é um misto de alegria ardente, dor, felicidade, tristeza, renúncia, otimismo, chateações, vitórias, derrotas, conquistas, perdas e vai por aí. Não me iludo com essa ideia de mar de rosas que alguns falam.  
E ainda temos de conviver com as heranças que os Séculos 18 e 19 nos deixaram. Antes deles, as estruturas familiares eram construídas com a solidez do casamento. E uma pessoa encontrava sentido através da sua família. Havia a figura predominante do pai e da mãe na casa, e a fidelidade era algo notável e valoroso.
A mudança crucial vem com o Iluminismo, o sentido da vida foi considerado como fruto da liberdade do individuo de escolher o tipo de vida que mais satisfazia a sua personalidade. Ao invés de ter sentido através da entrega ao outro e da abnegação em prol da família, das pessoas, agora é prol de si mesmo. O casamento é redefinido como a forma de encontrar satisfação emocional e sexual. Casamento agora funciona como a ideia de plena realização pessoal.
Chega o Século XX, a tecnologia avança de maneira veloz e essa influência da individualidade aumenta cada veza mais. Os meninos se encontram os vídeos games da vida. Ficam mais sozinhos do que nunca em termos de construção do ser humano relacional. E por fim vem o Século XXI, que se torna a era da informática, nosso relacionamento é virtual. Cresce assustadoramente a infidelidade conjugal. Os casais se casam e um diz para o outro: Vamos lá, se der certo, beleza!  Se não der, cada um para o seu lado e Cida que segue!
No Século XXI, as crianças recebem uma dose exagerada de informações sobre sexualidade e violência, enquanto os sociólogos se espantam diante do índice crescente de assassinatos e da prática de sexo entre os adolescentes nas escolas. E como diz Charles R. Swindoll: “A sociedade apresenta uma solução: submeta-os a detectores de metais e ofereça-lhes preservativos. Dizer que as coisas mudaram é um eufemismo gritante”.
Nossos pais ainda viveram a dinâmica de que casamento era para promover o crescimento e a satisfação mútuas. Hoje se casam para auto-realização e só! E o grande problema que Iluminismo deixou para nós é que casamento foi privatizado como sendo um aspecto individual, não relacional. Casamento deixou de ser para refletir a glória de Deus na criação e virou um negócio. Se ele vingar joia, se não vingar, adeus viola como diz o outro! O que fazer como cristãos que andam no coração com a ideia bíblica de que casamento veio para ficar e é o grande projeto divino na criação?
Deixo algumas dicas para vivermos casamentos melhores e mais profundos:

1.            Homens não tenham medo de serem homens e mulheres não tenham vergonha de serem mulheres:
 
Uma grande crise hoje no processo de casamento hoje, é que invertemos os papeis. As mulheres realizam a função masculina, assumindo as responsabilidades na família e os homens se anularam. Está errado, o homem precisa ser o provedor, o sustentador emocional do lar, da casa. A mulher é a parte mais frágil, ela precisa realizar o papel dela. Toda mulher precisa de um homem com H que lhe dê segurança, afeto, atenção e amor.
Hoje há muitos filhos sem saber quem tem autoridade na casa. Lares transformados em campos de batalha. E tudo dentro de um clima instável demais, provisório demais. Está tudo muito esquisito hoje. É preciso que os homens percam o medo de serem o que eles foram projetados divinamente para ser: cabeças dos seus lares.

2.            Examinemos a nós mesmos e abramos mão do nosso ego:
 
O coração da humanidade não mudou, nós somos por herança genética, por natureza e por opção — depravados interiormente. Em outras palavras todos nós somos inteiramente corruptos. Isso não quer dizer que não existam aspectos bons em nós; eles existem e isso tão somente pelo belo de Deus atuando em nós, na verdade, ele empresta bondade e graça dele a nós para que façamos o bem. No entanto, aquilo que é bom em nós foi corrompido pelo pecado, ele atinge tudo dentro de nós. Por isso, que temos tantas falhas no casamento: mentira, falsidade, enganos, nervosismo, palavras duras, brigas, ressentimentos, exageros nas falas, falta de perdão e etc.
É necessário pela graça divina abrirmos mão do nosso ego e sem o poder redentor de Cristo não podemos impedir nossa decadência moral. Somente o poder do Espírito Santo trabalhando em nós é capaz de fazer isso. Devemos ser como Deus é, gente santa, justa e pura. Não santarrões, não antiquados, não impertinentes, mas pessoas santas e puras. 
Precisamos abrir mão do nosso ego que nos faz ser machistas e ignorantes com nossas esposas. As mulheres precisam abrir mão do ego que as faz ser legalistas nas atitudes com seus esposos. Enfim, precisamos da graça do bom Deus para entendermos que o casamento é ideia divina para sermos seres que refletem o Deus da aliança, o Deus do pacto com gente pecadora!

3. Enfrentemos o futuro com a visão da fé serena:
 
Deus nos convida a ter fé no meio dos problemas e lutas da vida. Temos várias na relação a dois, e vencemos com a fé que nos leva a confiar plenamente em Deus. Ele suprirá as necessidades gerais da nossa caminhada a dois. Alguns morrem de medo do casamento porque falta esse olhar o futuro pela graça divina.
A fé na vida a dois constrói o concreto e a graça do divino é marcante. A fé une, aproxima e faz o casal sonhar junto na perspectiva da dependência do caráter divino. Eu e minha esposa sonhamos com um filho durante 7 anos, oramos muito por essa criança devido a um problema para engravidar. A graça da fé de Deus em nós nos fez acreditar em algo concreto mesmo diante da impossibilidade humana de gerar um bebê. E pela graça com fé recebida do alto, a criança chegou e hoje temos a pequena Isabella recebendo essa fé que o Eterno nos deu como cônjuge.
Tenha fé nas mudanças no relacionamento, no perdão, na restauração, na reconstrução de família, do resgate de filhos. E isso tudo de maneira absolutamente serena e tranquila.


4. Falamos a verdade com o nosso cônjuge:

Algo que falta em nossa relação familiar é a sinceridade, algumas vezes não temos a coragem e honestidade de dizer o que pensamos e numa oportunidade de raiva, que não é o momento para falarmos, acabamos dizendo o que de fato pensamos.
Digamos com amor a verdade, o que pensamos, como esperamos que a esposa seja, se comporte, como falar. As esposas também, digam o que pensam, expressem seus sentimentos da alma e abram o coração com os maridos. Isso ajudará muito na convivência e harmonia na família.


5. Cultivemos a unidade como cônjuge:

A unidade acontece mesmo no meio da diversidade. Como ter unidade quando duas pessoas pensam diferente?
Simples é unidade no meio da diversidade transformada em harmonia. Unidade não é controlar o outro para que pense como eu, mas deixar que o estilo do outro tenha possibilidade de somar na relação a dois. Eu gosto de falar, minha esposa não. A unidade no meio da diversidade me ajudará a lidar com isso aprendendo com o outro.
Podemos ter unidade mesmo pensando diferentemente. Os estilos precisam cooperar para o bem do casamento. A unidade é um ponto precioso para a relação a dois e o respeito é praticado nesse processo. Por causa da harmonia, aprendemos a respeitar gostos, estilos, diferenças por causa da preservação da unidade.

6. Cultivemos a intimidade como cônjuge:
 
A Bíblia trabalha muito a intimidade de um casal. Adão e Eva antes da queda andavam nus e não tinham vergonha. Porque a marca deles era a intimidade profunda. Não havia medo do ridículo no casal do Éden, não havia inibições, não havia constrangimento. Havia intimidade entre os dois.
É isso que o nosso criador deseja para nós como casais. Quando somos íntimos, nos tornamos amigos da esposa e do esposo. Somos transparentes e crescemos juntos na presença do criador.
 
7. Cultivemos o comprometimento no casamento:
 
Quando fazemos o voto no casamento, prometemos ser fieis até a morte. Isso é sério demais. Porque empenhamos nossa palavra como homens e mulheres.
O homem quando diz que será fiel a sua esposa ele promete isso para os pais dela e também para os dele. Comprometimento é a alma do casamento. Precisamos restar isso na sociedade atual que é individualista e tem praticado a infidelidade nos relacionamentos
 
8. Tomemos cuidado com o que falamos:
 
Alguns não medem as palavras. Alguns dizem que não têm papa na língua. Dizem que falam o que sentem, mas sem amor, sem consideração para com o cônjuge. Cuidado com a fala, ela magoa, ela destrói e abala a estrutura humana.
A Bíblia nos ensina a ter palavras temperadas com sal para produzir edificação no coração das pessoas. Quando fazemos o voto no casamento, prometemos ser fieis até a morte. Isso é sério demais. Porque empenhamos nossa palavra como homens e mulheres.
 
9. Sejamos amorosos com o nosso cônjuge:
 
Para sermos amáveis como maridos e mulheres é necessário que deixemos o mai humor e a dureza no coração. A amabilidade é útil para o nosso crescimento como casal, e isso se reflete na criação dos filhos. Quanto mais amorosos, mais afeto haverá no relacionamento familiar.
 
10. Cultivemos a paciência de I Coríntios 13.7:
 
Paulo diz que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A paciência tem um significado profundo: sofrer. No casamento, precisamos de paciência para lidar com todas as adversidades da vida. Paciência para suportar os gênios de cada um, os jeitos e gostos de cada um. Gosto demais de uma música de Peter Cetera em que diz: Juntos superamos todos os obstáculos. Creio que só com paciência é que podemos suportar todas as crises e dificuldades da vida a dois.  

Alcindo Almeida

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