Meus comentários sobre Veja São Paulo: Profissão Pastor

Parece que os editores não leram os pensamentos de Calvino, Soren Kierkegaard e Jacques Ellul sobre a vocação pastoral. Um dos destaques do texto diz que “Templo é dinheiro” e ainda “há mandamentos para conquistar fiéis” tais como inovar nas ofertas, caprichar no discurso e ter dons artísticos. Isso não faz sentido para quem leva a série o Reino de Deus. A vocatio do pastor não é deste mundo, ela é divina. A nossa vocação é mais do que uma profissão que depende de um benefício financeiro. Claro que quem prega o Evangelho com fidelidade tem sustento pastoral em suas comunidades. Mas, não há dinheiro que compre a vida de uma pessoa que investimos, acompanhamos e dedicamos um pedaço do nosso coração a elas ou por elas.
Não há como trabalhamos com a espiritualidade do coração e dizer que isso é uma profissão como a de um engenheiro ou de um bancário. É uma pena que tanta gente pense em igrejas e pastores como algo que visa lucros. Como pastores protestantes nós prezamos a instrução séria nas Escrituras Sagradas, a competência e dedicação. Para isso, estudamos 5 anos numa Faculdade teológica, fazemos um processo de avaliação antes de ir para o Seminário de pelo menos 1 ano. Depois do encerramento dos estudos, somos examinados através de uma tese e exegese e avaliados na nossa vocação por uma mesa examinadora num local chamado Presbitério. E depois, no trabalho pastoral, respondemos a um Conselho e esse mesmo presbitério, sobre o nosso trabalho e desenvolvimento da vocação.
E um dos elementos essenciais na nossa vocação é a ética e compromisso naquilo que falamos e vivemos. E qualquer comunidade em que trabalhamos é o mínimo que se espera de um ministro religioso. A nossa regra de fé e prática é a Escritura Sagrada, é por ela que pautamos a nossa caminhada e com ela instruímos a nossa comunidade. Quero dizer que ser pastor é a arte de amar e cuidar das pessoas. Sou participante de um Grupo de pastores chamado Projeto Timóteo e temos um lista de valores que quero lembra-los por entender que são extremamente oportunos para aquilo que realizamos na sociedade como ministros cristãos:

• O valor maior de nossa vida jamais estará vinculado aos resultados palpáveis de nossos ministérios, mas sim à voz de nosso Pai que afirma sermos “filhos amados em quem Ele tem todo o prazer”.
• Como filhos amados do Pai - estamos comprometidos com o coração do Pai que nos convida constantemente ao engajamento em Sua missão no mundo.
• Nosso engajamento na missão se dá através do cuidado e a capacitação da igreja militante de Cristo, com toda a consciência de suas imperfeições e incoerências históricas, tendo como modelo referencial Jesus.
• Na missão, a parceria e a cumplicidade são elementos imprescindíveis. Por isso valorizamos o compartilhar sincero das dificuldades, o acolhimento dos conselhos e o apoio ao longo das crises.
• O exercício de uma espiritualidade sadia e consistente nutrirá nossa vocação pastoral através da reafirmação de nossa identidade, da renovação do convite ao engajamento na missão e da lembrança do amor de Cristo pela igreja.

O ministério é o meio pastoral para buscarmos uma relação pessoal com o Pai e contribuir para que as pessoas façam isto no relacionamento com a Trindade. A grande tarefa da dotação ministerial é levar as pessoas a se relacionarem com o Pai sem olhar para o dinheiro, posses ou qualquer outro interesse. 
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Alcindo Almeida - membro da equipe pastoral da igreja Presbiteriana em Alphaville.

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