sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Memorial eterno

C. S. Lewis apresenta um dilema recorrente quando oramos: “Se eu parar de orar, Deus pode voltar atrás e modificar o que já aconteceu? Não. Se eu começar a orar, Deus pode voltar atrás e modificar o que já aconteceu? Não”. Para Lewis, a nossa oração diária, matinal, deveria ser: “Rogo que me concedas um novo começo sem falhas, já que eu ainda não fiz nada”. 
Há uma crise enorme hoje no meio protestante sobre a natureza da oração. Alguns dizem que quando oramos as coisas mudam, até Deus muda. A primeira afirmação faz sentido, alguém muda na oração e esse alguém somos nós mesmos. E na oração Deus nos ouve sim e faz da nossa oração e compartilhar um memorial eterno. 
Oração é um remédio divino para a alma porque nela falamos com Deus e Ele nos ouve. O texto sagrado afirma: Porque ele se inclina para ouvir eu orarei. (Salmos 116.2) As orações sobem até Deus e nelas somos assistidos por Deus. Isso não quer dizer que Deus mudará algo em relação a nossa vida e história, e nem modificará o que já aconteceu. Oração é um processo da nossa comunhão com Deus, o momento divino em que rasgamos a nossa alma perante Ele e dizemos tudo o que sentimos, quais são as fraquezas e limitações e pedimos a ajuda do Eterno para nos sustentar e nos socorrer. 
Deus se inclina para nos ouvir diante dos momentos que vivemos, seja para clamar, para suplicar ou para agradecer, sempre haverá esse memorial eterno nos céus quando oramos. Por isso, é extremamente importante termos um tempo a sós com Deus para desfrutar dessa comunhão e amizade com Ele. 
C. S. Lewis diz mais: “Deus não precisa da minha oração. Sou eu quem preciso dela. A oração me aproxima de Deus, revela minha dependência, minha fome e sede por Sua vontade, seu Reino, sua pessoa. A oração muda principalmente a mim – minha visão de Deus, do próximo e das circunstâncias.” Sendo assim, oramos e crescemos, oramos e amadurecemos, oramos e alimentamos a nossa comunhão com a Trindade. (Alcindo Almeida)

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