segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Justiça humana



Há um livro muito precioso do meu amigo Glenio Paranaguá: O crime da letra. Nele, Glenio trabalha de forma corajosa a vida de Jó em termos de justiça própria. Porque todos nós ao longo dos anos na interpretação bíblica, olhamos para Jó com muita compaixão, e como alguém que, não fez nada de errado para merecer tanto sofrimento. É só olharmos para o tanto de pregações que são feitas para retratarem a perfeição e justiça do servo de Deus Jó.
No livro crime da letra, Glenio nos ajuda a perceber que Deus queria salvar Jó de sua justiça humana. Para isto, ele trabalha a tese de Deus usando até Satanás como um instrumento divino de desmantelamento dessa terrível inimiga da verdadeira santidade. 
Glenio entende que a justiça própria é imprópria para o desenvolvimento de uma personalidade sadia. O peso da vaidade é uma carga insuportável para qualquer pessoa carregar com alegria verdadeira em seu íntimo. Trabalhando esta realidade da justiça humana, ele afirma: “A justiça divina é uma realidade espiritual imputada. A justiça humana é uma virtude extremamente pesada, ao mesmo tempo exigente de reconhecimento”. 
Isto é algo que precisamos levar a sério porque somos campeões em dizer que merecemos algo, ou que Deus tem de nos ajudar em algo. Haja vista, esta empáfia no meio protestante dizendo que Deus tem de nos dar o que é de direito. 
Jó realmente tem um processo delicado no seu coração quanto a essa justiça humana. Ele diz: Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me perante Deus. 
Como podemos nos defender diante de Deus? O que temos para falar diante do Deus de toda glória e majestade? Jó está bem equivocado mesmo no meio da sua dor. Não há como questionar ou exigir algo em defesa diante de Deus. Somos limitados e não temos essa autonomia. Diante de Deus só podemos nos inclinar e dizer: Seja feita a tua vontade para sempre! (Alcindo Almeida) 

Nenhum comentário:

Postar um comentário