O mundo em que vivemos


A visão bíblica da criação estabelece o homem singularmente no mundo, criado à imagem de Deus. Pela capacidade que lhe foi concedida de se relacionar com seu Criador, o homem é dotado de mente, vontade, emoção, alma – todas as funçõesdo espírito pelo qual o homem foi aqui estabelecido por Deus para governar o mundo.
O ser humano tem permissão para modificar a paisagem do mundo de acordo com o cenário em sua mente. Por esse motivo, enfrentamos uma crise ambiental no momento. Nem tudo vai bem neste mundo; o homem está em descompasso com os outros elementos do lar (oikos) da vida. Por essa razão é que chamamos esse descompasso de um problema ecológico; o homem é como um mau mordomo deste planeta.
A crise do meio ambiente pode não ser ainda uma situação emergencial, porém, rapidamente se aproxima de tal estágio. Como a escrita na parede do palácio de Belsazar, isso espelha o aviso de que, em meio à abundância e folia, o homem recebesse a seguinte mensagem: “Foste pesado na balança e achado em falta” (Daniel 5.27). Pois, diz o profeta, o homem tem se levantado contra o Senhor dos Céus.
A história bíblica diz que toda criação é um sistema deinterdependência. A relva depende do solo; os animais, da relva. Os peixes habitam os mares, os pássaros vivem no ar. Enquanto cada um gera a sua própria espécie, toda vida consiste em interação e interdependência. Charles Williams chamou esse movimento de interação entre as distintas dimensões da criação de “coinerência”. Seu princípio básico de atividade é a troca, e os seus frutos são alegria e amor. Todos nós vivemos do outro, tendo em vista viver para o outro. Nossa identidade é dependente de Deus; nossa entrega mútua depende da bondade deDeus. Dessa maneira, a autossuficiência constitui uma afrontaà criação. A perda de comunidade é uma ferida aberta.
A criação“geme” com a falta de coinerência. Os cenários da mente e do espírito do homem sem o Deus Criador são escassos. Existe essa visão de que o homem é seu próprio criador e senhor. A tentativa de viver imerso em unidade com o todo é chamada de “monismo” ou panteísmo. A aceitaçãode dois reinos, material e espiritual, do mundo e do homem, denomina-se “dualismo”.
A reverência à natureza é alguma formade “naturalismo”. A fantasia de que o homem é seu próprio criador, a fonte de seus valores e significado, é “secularismo”. Além destes, nada há de “novo” para os que vivem “debaixo do Sol” (Eclesiastes 1:3), distintamente daqueles que vivem debaixo de Deus, que fez o Sol. Contudo, nossa sociedade não acredita nisso. Tanto que um dos mais significantes aspectos de nossa concepção do quesignifica ser “moderno” é a ideia de que podemos, conscientemente,mudar a nossa natureza e a de nossa sociedade e, assim, sermos “novos”.
Somos capazes de, e realizamos, mudanças deliberadas. Igualmente, planejamos e construímos o futuro. Enquanto o homem antigo vivia historicamente, isto é, arraigado ao passado, o homem de nossos dias antecipa o seu futuro, seja no planejamento familiar, no estilo de vida, ou em papéis que ele deseja representar.
O “novo” aparece como a única razão pela qual muitos vivem hoje. Juntamente com essa perda de um começo, há também a perda de coinerência. Frederick Peers, um dos líderes da contracultura, expressa o humor da nova geração, quando diz: Eu faço a minha coisa, e você faz a sua. Não estou no mundo para viver de acordo com suas expectativas. E você não está no mundo para viver de acordo comas minhas. Você é você e eu sou eu. E se por acaso encontrarmos um ao outro – Isso é lindo.
Claro que nenhuma sociedade pode sobreviver com tal moral. Porventura seja esse o motivo pelo qual nosso tempo é influenciado pelo tema da “terra arrasada”, não apenas no poema de T.S. Eliot, mas em toda uma sequência de peças e romancessobre seu personagem. Muitos de nossos escritores estão nos ajudando a ver esse cenário de selvageria onde o criador está ausente de seu mundo.
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HOUTON, James M. O Criador: vivendo bem no mundo de Deus. Brasília, DF: Palavra, 2009. 21-24 pp.

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