Remindo o tempo porque os dias são maus


- Texto para reflexão: Remindo o tempo, porque os dias são maus (Ef. 5.16).

Paulo nos ensina que as pessoas sábias tiram o maior proveito de seu tempo. O verbo remindo no grego é exagorazo e pode significar remir ou comprar de volta, ou seja, tirando o proveito do tempo que aqui é kairós que quer evidenciar oportunidade e não chronos que é usada para tempo cronológico. Paulo quer mostrar para os cristãos que se deve fazer alguma coisa com intensidade e urgência.
Alguns talvez entendam este versículo como uma chamada para sermos viciados em trabalho. Para nós cristãos, esta realidade não pode ser avaliada sem ponderarmos o shabāt (termo hebraico שבת, que tem o significado de descanso na presença do Pai).
Trabalhar o tempo todo não é a maneira de se usar o tempo que temos, pois, acabaremos exaustos, trabalhando sem refletir de forma adequada as coisas da vida. Não, não! Este não é o melhor jeito para se entender o remir o tempo. É muito melhor trabalharmos sem esquecer do shabāt
[1] que nos ajuda a entender que as buscas não são maiores do que descansar na vontade e querer de Deus para a nossa vida.
Temos que remir o tempo sabendo da realidade de que o mundo jaz no maligno, o mundo é constituído por dias maus. Por dias muito difíceis de se viver. Então, remir o tempo é aproveitarmos o melhor do nosso tempo para saber o que Deus quer de nós. E fazemos isto através da oração.
E isto nos lembra de uma afirmação de Martinho Lutero: “Tenho tantas coisas para fazer que nunca consigo fazer tudo se não orar pelo menos 3 horas todos os dias”
[2]. Precisamos no meio deste mundo tão agitado, comprar o nosso tempo e devolvê-lo para Deus.
A verdade é que não conseguimos realizar esta tarefa sozinhos, todo o tempo foi comprado por Cristo Jesus, quando ele derrotou na cruz a Satanás, derrotou todos os principados e potestades. Portanto, o tempo é redimido para nós, quando participamos com oração, com esforço na graça de Deus, com tranqüilidade e dependência total de Deus para tudo que quisermos fazer.
Qualquer coisa que fizermos na caminhada cristã deve ser sempre com sabedoria. Remindo o tempo, ou seja, aproveitando todas as oportunidades para mostrarmos a perspectiva do Reino de Deus no nosso coração.
Devemos refletir sempre em I Cor. 10.31 lembrando que tudo em todo o nosso tempo deve ser feito com o desejo de glorificar ao nosso Pai.

· Para refletir e vivenciar:
·Precisamos dar todo o nosso tempo e coração para Deus.
·Temos que andar prudentemente olhando para as questões do pecado que tanto atrapalham a nossa comunhão com a Trindade.
·Temos que remir o tempo sabendo da realidade de que o mundo jaz no maligno, o mundo é constituído por dias maus.
·O tempo é redimido para nós quando participamos com oração, com esforço na graça de Deus, com tranqüilidade e dependência total de Deus para tudo que quisermos fazer.
Que o eterno Deus nos ajude a fazer isto em nome de Jesus!
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[1] A observância do Shabat tem sido fundamental para a experiência e existência do Povo Judeu, ao menos até as últimas gerações. Um provérbio bem conhecido diz: que por mais que o Povo Judeu guarde o Shabat, o Shabat mantém o povo Judeu. De acordo com a antiga tradição Judaica, o Shabat tem uma clara conexão com a criação do Universo: no sétimo dia Deus descansou (“Shabat” em Hebraico) de seu trabalho de criação, portanto esse é um dia sagrado para os homens, e eles também devem descansar de seu trabalho produtivo. A idéia de Shabat – um dia santificado de descanso após a labuta – é uma das importantes contribuições do Judaísmo para a cultura mundial. É também a base para o conceito da semana como sendo uma unidade cíclica de tempo. O Shabat Judaico serviu de modelo para a definição do dia sagrado para os Cristãos (Domingo). No calendário Judaico, os dias são contados do pôr-do-sol de um dia até o pôr-do-sol do dia seguinte. Entretanto o Shabat começa na Sexta-feira à noite, chamado de Erev Shabat, e termina no sábado à noite chamado de Motsei Shabat. A hora exata do início e do término do Shabat é determinada previamente e muda toda semana e de lugar para lugar.
[2] PETERSON, Eugene. Pastor desnecessário. São Paulo: Mundo Cristão e Textus, 2001, p. 156.

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