Precisamos de pureza e santidade na vida

- Texto para reflexão: Sejam sempre alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça (Eclesiastes 9.8).

Há alguns anos atrás li o livro Praticando a presença de Deus e ele fala sobre a vida de Frank Laubach. Há uma frase de Frank Laubach que me chamou muito a atenção, ele diz: “Após uma hora de amizade íntima com Deus, minha alma se sente limpa, como a neve que acabou de cair” (LAWRENCE, Irmão & Frank Laubach. Praticando a presença de Deus, Rio de Janeiro: Danprewan, 2004, p. 33).
Salomão aplica uma realidade da época para a vida moral e santa na caminhada cristã. Os homens e as mulheres iam para as festas com vestes brancas porque era um sinal de excelência. O óleo era um aspecto importante nas festas. Os convidados numa festa recebiam o ungüento nos pés e na cabeça. Era um ato que para o povo de Israel era feito na unção de um sacerdote representando a pureza.
Talvez para alguns, esta fala de Salomão só tenha o sentido de relacionar o contexto da festa. Mas, creio que ele quer nos falar sobre a conduta diante de Deus. Porque em seguida ele fala do tempo que devemos desfrutar da vida e que devemos fazer todos os projetos conforme as nossas forças. Porque um dia partiremos desta terra. Então a prática da vida deve ser com excelência e santidade.
Para termos vestes brancas na presença de Deus precisamos de obediência. Esta era uma palavra muito comum em Israel. E não é por acaso que no capítulo 1 da I Epístola de Pedro ele usa a expressão hebraística “filhos da obediência”. Porque ser filho da obediência significa assumir ou ter obediência por característica pessoal.
Ser filho da obediência é se caracterizar por levar uma vida que expressa obediência a Deus. Ser filho da obediência no contexto judaico é andar em conformidade com a Lei de Deus, é andar em conformidade com a vontade de Deus. A Bíblia diz em I Samuel 15.22: Porém, Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à Palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros.
Será que as nossas vestes estão alvas, brancas diante de Deus? Será que levamos a palavra obediência em conta na caminhada diária? Será que valorizamos a vontade de Deus refletindo o seu caráter aqui na terra? Será que as pessoas nos vêem como pessoas cujas vestes são brancas?
É relevante demais falarmos sobre vestes brancas. Porque a conotação é sempre com santidade. Em Isaías capítulo 1 vem a advertência para o povo no versículo 10: Ouvi a palavra do Senhor, governadores de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra.
Deus rejeita a multidão dos sacrifícios. Deus diz que, quando o povo estende as mãos, Deus esconde os seus olhos e que não ouviria as orações. Porque as mãos de todos estavam cheias de sangue. E a palavra através do profeta Isaías era: Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã (versículos 16-18).
Isaías nos apresenta o modelo da santidade que torna as nossas vestes alvas como a neve. Assim, ter vestes alvas como a neve é viver não de maneira suja, ao contrário, é ter uma vida santa, pura, reta diante de Deus que é o grande modelo para a santidade.
E esta diferença só acontece quando o Espírito Santo realiza ou concretiza a nossa chamada, ou seja, a regeneração. Pois, sem a regeneração no coração seria impossível sermos santos, ou tornados santos em Cristo Jesus. Claro que não somos iguais a Deus em santidade, pois, ela em Deus é incomparável. Deus não pode ser o que é sem ser santo.
A nossa santidade tem a ver com a maneira como vivemos na nossa vida moral, no procedimento, na conduta e no caráter geral da vida diária. A Bíblia diz em Mateus 5.48: Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial. Esta citação é do Velho Testamento - Levítico 19.2, em que Deus exigia do seu povo santidade total.
O mínimo que Deus espera de nós é a santidade. A santidade é uma característica singular para seguirmos a carreira cristã. A santidade é um processo do nosso dia-a-dia. À medida que nos desenvolvemos diante da vontade de Deus, tornamo-nos pessoas mais próximas do Pai e distantes das coisas terrenas.
O ser santo não quer dizer que seremos pessoas sem nenhum pecado como foi o nosso mestre. Ser santo aqui é estar completamente dotado, totalmente desenvolvido para os aspectos espirituais. Ser santo é estar inteiramente relacionado com o Senhor Deus; é amá-lo profundamente com toda a nossa vida.
Interessante avaliarmos a questão de santidade na vida do sumo-sacerdote de Israel. Ele tinha que dar grande ênfase à santidade diante de Deus. Havia uma coroa de ouro que se chamava “A coroa da santidade”, numa lâmina de ouro; na coroa tinha gravado a seguinte frase: Santidade ao Senhor. Portanto, quando Aarão entrava no lugar chamado “Santo dos Santos”, ele ia com esta idéia na sua própria mente, de que Deus exigia santidade total do sumo sacerdote.
Em I Pedro 3.5 ele diz: Antes santificai a Cristo em vossos corações. Há uma frase dita pelo Dr. J. I. Packer no seu Livro Na Dinâmica do Espírito que deve nos levar a uma grande reflexão: “A maior necessidade do mundo é a santidade pessoal do povo que se diz cristão” (PACKER, 1991, p. 100).
Como estamos diante destas questões sobre a vida de santidade que Deus requer de nós? Temos andado com obediência aos padrões da Palavra de Deus? Temos sido diferentes no nosso estilo de viver? Temos praticado a justiça, a paz, o amor e a fé? As pessoas nos vêem como vasos de honra? As pessoas percebem pureza de vida em nós? Temos tido a consciência do Deus santo que exige o mínimo de nós que é a santidade?
Frank Laubach afirma:

“Não precisamos de arte nem de ciência para ir até Deus. Tudo o que precisamos é de um coração firmemente determinado a não se dedicar a outra coisa que não seja a ele, por amor a ele e tão somente amá-lo”... “Nossa santificação não está na mudança de nossas obras, mas em fazer, por amor a Deus todas aquelas coisas que normalmente fazemos por nós mesmos” (LAWRENCE, 2004, pp. 77 e 80).

Que reflitamos sobre isto e peçamos ao Senhor para que derrame a graça de vivermos na presença dele de maneira santa e irrepreensível!
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Alcindo Almeida

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