Há alguma maneira de avaliarmos o crescimento espiritual de uma pessoa?

Em entrevista, Dallas Willard diz que pode até ser possível, mas na maioria das vezes não muito encorajador e nem preciso. Isso pode provocar sérios erros e conseqüências.
Como as igrejas podem saber se estão sendo eficazes em fazer discípulos?
Muitas igrejas estão medindo as coisas erradas. Nós medimos coisas como frequência aos cultos e doações financeiras, mas deveríamos olhar para coisas mais fundamentais como a ira, o desdém, a honestidade e em que nível as pessoas estão entregues à sua cobiça. Essas coisas podem ser contadas, mas não tão facilmente como as ofertas.
Por que mais igrejas não avaliam essas qualidades entre o seu povo?
Primeiro de tudo, muitos líderes não querem medir essas qualidades, porque o que normalmente descobrem não vale a pena alardear. Preferimos nos concentrar nas medidas institucionais de sucesso. Segundo, devemos ter pessoas que estejam dispostas a ser avaliadas dessa maneira. E, finalmente, precisamos das ferramentas certas para medir a formação espiritual.
No passado, as pessoas cresciam através dos relacionamentos com mentores espirituais e ao se envolverem na comunidade da igreja. Há um perigo de que essa avaliação individual anule o papel da comunidade na formação?
Qualquer um desses artifícios pode ser usado em um contexto comunitário. Ferramentas de avaliação que funcionam melhor são uma combinação de auto-avaliação e a avaliação de um terceiro é importante que lhe conheça bem. Eles não funcionam com pessoas que não querem ser avaliadas, e não deveriam ser administrados como testes de personalidade individuais, usados por alguns empregadores.
Se você tem um grupo de pessoas que se reúne em torno de uma visão de discipulado verdadeira, pessoas que estão comprometidas com crescimento, mudança e aprendizado, então uma ferramenta de avaliação espiritual pode funcionar. Mas deve haver uma profunda comunhão de confiança para apoiar essa tarefa. Não penso que nenhum grupo passasse por uma avaliação sem isso. Eu não aconselharia um pastor a usar uma dessas ferramentas em sua congregação sem primeiro estabelecer um claro compromisso com o discipulado. Você não pode simplesmente impor uma dessas avaliações à sua congregação em geral.
Você já ficou desanimado por sentir como poucas igrejas têm esse tipo de compromisso claro com o discipulado?
Eu não me desanimo porque creio que Cristo está no controle de sua igreja, com todos seus nós, manchas e dificuldades. Ele sabe o que está fazendo, e continua marchando.
Mas me entristeço por pessoas dentro da igreja que estão sofrendo – especialmente os pastores e suas famílias. Eles sofrem porque boa parte da América do Norte e da Europa comprou uma versão do cristianismo que não inclui vida no reino de Deus como um discípulo de Jesus Cristo. Eles estão tentando fazer valer um sistema que não funciona. Sem transformação dentro da igreja, pastores são os mais prejudicados. É por isso que há um fluxo constante deles para fora do pastorado. Mas eles não são os únicos. Pessoas novas estão entrando na igreja, mas muitas delas também estão saindo. Cristãos decepcionados povoam a paisagem porque não temos levado o discipulado a sério.
O que os pastores podem fazer para mudar essa dinâmica?
Mudar sua definição de sucesso. Eles precisam ter uma visão de sucesso enraizada em termos espirituais, determinada pela vitalidade da própria vida espiritual de um pastor e sua capacidade de transmiti-la a outros.
Quando pastores não têm vidas espiritualmente ricas com Cristo, são vitimados por outros modelos de sucesso – modelos comunicados a eles por sua formação, sua experiência na igreja ou apenas por sua cultura. Eles começam a pensar que seu trabalho seja o de administrar um conjunto de atividades ministeriais, e que o sucesso diz respeito a conseguir mais pessoas para engajarem-se nessas atividades. Pastores, e aqueles que eles lideram, precisam ser libertos dessa crença.
_____________
Dallas Willard é professor na Universidade do Sul da Califórnia e autor de vários livros, entre eles: A grande omissão, ouvindo Deus e A conspiração divina.

Comentários

Postagens mais visitadas