SUA ALTEZA, O MENDIGO XLII

Ser mendigo e fazer parte de um sindicato de classe deve ser um terror. Mendigo sindicalizado é como papagaio na gaiola, pode até falar, mas não tem a liberdade de voar. Sua Alteza tem compromisso com a calçada, mas não com o cartão de ponto.

O verdadeiro mendigo é livre. Liberdade é o maior patrimônio do Evangelho garantido ao ser humano. Ser filho de Aba é usufruir da liberdade em sua essência. Contudo, libertação nunca foi libertinagem. Não há licença para a licenciosidade. Eu sou livre para fazer todas as coisas de acordo com a minha natureza de filho de Deus e apenas para a edificação dos outros, de acordo com a glória do próprio Deus.
Mesmo os membros da raça adâmica só são livres em sua natureza para fazer as coisas que produzem benefícios de mão dupla. Por exemplo: ninguém é livre para matar, roubar ou adulterar. Aqui, o que é bom para um, tem que ser, necessariamente, bom para todos. Perdoa-me, Pai, pelo abuso, se ultrapassei os limites da tua criação.
Todavia, não há liberdade coagida, muito menos liberdade para a destruição de uma personalidade. A liberdade é um fluxograma designado só para a construção das vidas. A licitude tem que se relacionar com a edificação das pessoas, jamais com a demolição do caráter de quem quer que seja. Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. 1 Coríntios 10:23.
Quem disse que sou livre para ferir alguém? Não há liberdade para golpear as costas alheias ou odiar o próximo. Todo o que odeia é escravo servil dos sentimentos mais baixos do inferno. Os filhos de Aba só são livres para perdoar e amar. Quem perdoa o seu algoz, permanece fora de uma penitenciária de segurança máxima, a amargura insidiosa. Perdoar é viver em liberdade pelo amor.
As crianças de Aba não apreciam viver em creches apertadas ou abusadas por códigos. Sua Alteza também detesta pressão e prisão. O legalismo é uma camisa de força legada ao manicômio judicial da religião opressora. Uma dama, livre por Cristo, nunca usará um espartilho para conter seu tecido adiposo, nem o cavalheiro da graça vestirá a cinta elástica para esconder seu abdômen obeso.
O Evangelho é a mensagem da libertação plena e a casa de Aba é o ambiente da alforria inalterável na subjetividade de seus filhos. Nenhum filho de Deus pode residir em comunhão constrangida sobre os muros do altar, muito menos pelos olhares críticos de gente trucidada pelos sentimentos de culpa não perdoada. Para aqueles que vivem na presença do Pai, ninguém tem o direito de apontar o dedo. Boa viagem, peregrinos libertos, rumo à Nova Jerusalém.
_________________________
Glenio Paranaguá – mendigo-padrão.

Comentários

Postagens mais visitadas