Vida de negação pela cruz


- Texto para meditar: Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me (Lucas 9.23).

Bernardo de Claraval disse algo precioso demais: "Aprenda esta lição: se você tem de fazer o trabalho de um profeta, você precisa não de um cetro, mas, de uma enxada".
Como a cruz é o símbolo da submissão, assim a toalha é o símbolo do serviço. Quando Jesus reuniu seus discípulos para a última Ceia, eles debatiam sobre quem era o maior. Este problema não lhes era novo. Sempre que houver problema acerca de quem é o maior, haverá problema acerca de quem é o menor.
A grande verdade é que esse é um ponto crucial para nós. Nós sabemos que nunca seremos os maiores, só um é maior do que nós e ponto final: Jesus Cristo.
Interessante que no encontro de Jesus com seus discípulos na festa da Páscoa, eles sabiam que alguém tinha de lavar os pés dos outros. O problema era que só os menores é que deveriam lavar os pés dos outros.
O fato é que naquele momento eles estavam com os pés empoeirados. Era um ponto tão melindroso que eles nem mesmo iriam falar sobre o assunto. Ninguém desejava ser considerado o menor naquele momento de encontro. Então, sem palavras, sem nada a declarar como o soberano e majestoso Deus, o simples e humilde Jesus pega uma toalha e uma bacia, e com estes gestos redefine o que é a grandeza.
Ele começa em silencio a mostrar para os seus discípulos quem de fato é o maior. Ele com uma atitude singular e profunda lava os pés de pecadores que jamais mereceriam um pouco do seu amor, que dirá ter os pés lavados pelo Senhor dos senhores. Por isso ele mesmo declarou: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós. Ele rejeitou completamente os sistemas de ordem de importância de seu tempo. Ele disse: Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva... Tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir (Mateus 20:25-28).
A autoridade espiritual a que Jesus se referia não era uma autoridade que se encontrava numa posição, num título, mas numa toalha. E esta toalha e bacia só se evidenciam através de um caminho, o da negação. Só acontece quando crucificamos a carne, o orgulho e a nossa arrogância. Só a cruz pode nos fazer imitar o exemplo da toalha e da bacia.
Jesus disse aos seus: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me.
Seguir a Jesus é morrer todos os dias para nós mesmos e a fim de que a vida dele seja viva em nós. Só podemos seguir os seus passos através da cruz, através da negação de nós mesmos. Não há outro caminho no Reino a não ser o da negação.
Sem crucificação não tem serviço e sem serviço não tem participação no Reino de Deus!

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Alcindo Almeida é um dos pastores da Igreja Presbiteriana da Lapa em São Paulo. Casado com Erika de Araújo Taibo Almeida e pai da pequena Isabella. É autor de várias obras literárias. Além disso, é diretor e membro fundador do grupo de apoio pastoral Projeto Timóteo.

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