Oração: um refúgio para a nossa alma

- Texto para reflexão: E tendo-os despedido, foi ao monte a orar (Marcos 6.46).

Richard J. Foster diz que orar é como voltar para casa. Ele diz que nada parece mais direito, mais apropriado que o fato de que fomos criados para ser e fazer, que é orar na presença do Pai. Não sabemos o bastante, e os nossos desejos não são perfeitos o bastante para que com certeza recebamos tudo o que queremos e pedimos. É interessante o que C. S. Lewis exprime sobra essa ideia:

“As orações nem sempre são atendidas. Não porque a oração seja uma espécie fraca de causalidade, mas justo porque é uma espécie forte. Quando funciona, funciona alheia as limitações de tempo e espaço. É por isso que Deus retém o poder discricionário de atendê-la ou não. Não fosse assim, a oração nos destruiria. Não é insensato que um diretor de escola diga: Tais e tais coisas você pode fazer segundo as regras estabelecidas desta escola. Mas essas outras coisas são perigosas demais para ficar sob regras gerais. Se você quiser fazê-las, deve vir fazer-me um pedido e discutir detalhadamente a questão comigo no meu gabinete" ( LEWIS, C. S. O peso da glória. São Paulo: Vida, 2009).

Os seres humanos têm a dificuldade de compreensão da oração na vida. Para muitos, a oração é algo para que o nosso controle apareça. Nós podemos manipular Deus para conseguirmos as coisas. Alguns até dizem: Peguem da parte de Deus o que é de vocês, orem, batam e a resposta virá com toda certeza. Não, não! É o contrário, a oração não é para manipularmos Deus, mas pra dependermos dele. Oração é para descansarmos no caráter de Deus e termos uma comunhão profunda com ele. Esse tipo oração permanece para sempre no âmago da vida e da comunidade terrena dos discípulos de Cristo. É a oração que nos traz descanso na presença do eterno Deus. Não é por acaso que a oração do Pai nosso começa com a frase: Pai nosso que estás no céu.
A ideia é logo de inicio expressa para dependermos do Pai que é fonte de tudo para a nossa vida. Não se chega a Deus pensando, mas orando. Pensar corretamente em Deus não nos leva aonde queremos ir. Mas, pensar errado pode nos confundir consideravelmente. Por isso, Peterson diz que a tarefa do teólogo não é a de ensinar sobre Deus, mas nos ajudar a orar ao Pai – orar ao Deus revelado em Jesus Cristo segundo a Bíblia e não apenas nos arrastar devotamente ao redor da nossa imaginação idólatra (PETERSON, Eugene. Diálogos de sabedoria. São Paulo: Vida, 2007, p. 61).
No tocante a oração, o mais importante que podemos fazer começa na imaginação: entender o dia como um ritual em que entramos, reagimos e do qual participamos conforme a vontade de Deus. Não é arranjar um tempo para Deus, é viver respirando Deus na oração como fonte de refúgio para a nossa alma. Não é por acaso que o nosso próprio mestre saia sempre para um lugar de oração e refúgio.

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Alcindo Almeida

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