Deus sempre ouve a nossa voz

- Texto para reflexão: Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido. Entretanto, Deus me tem ouvido e me tem atendido a voz da oração (Salmo 66.18 e 19).

Às vezes temos dores profundas na vida que nos fazem sentir só. É como se ninguém ouvisse a nossa voz. É como se ninguém se importasse com o que estamos passando. É como se ninguém se importasse com as lutas e tribulações que sofremos.
Diante deste Salmo precioso percebemos a verdade profunda que não estamos sozinhos, não estamos abandonados na vida. Existe um criador precioso que dá atenção. Como o próprio Davi dizia: Não escondas de mim o teu rosto, não rejeites com ira o teu servo, tu que tens sido a minha ajuda. Não me enjeites nem me desampares, ó Deus da minha salvação. Se meu pai e minha mãe me abandonarem, então o Senhor me acolherá (Salmo 27.9-10).
Deus ouve a nossa voz quando somos refinados espiritualmente por ele. Quando somos lapidados por ele em nosso caráter. Quando estamos distantes da vaidade, do orgulho do pecado. Ele nos ouve quando o nosso coração está quebrantado diante dele.
Na oração podemos ter a certeza de que ele sabe da dor e tribulações que passamos. Podemos ter a certeza que ele está atento e ouve o nosso clamor. Mesmo que na vida estejamos sós e sejamos abandonados por qualquer pessoa, Deus jamais fará isto. É uma promessa a sua atenção para conosco. Ele não mente, ele disse que atenderia a nossa oração conforme a sua vontade, então ele cumprirá.
Não nos desesperemos na vida, não andemos por nós mesmos. Não confiemos nas próprias forças diante das crises da vida. Voltemos o coração para o Pai, lancemos sobre ele a sua dor, perdas, tribulações, angústias e tristezas. Porque Deus sabe o que é padecer e ouvir com atenção à voz da nossa oração.
O encontro com a oração nos dá uma vida além de si mesma. Neste caminho da oração encontramos o verdadeiro significado da vida espiritual: morar na casa de Deus e experimentar a sua bondade e que nunca ele nos deixa só (GRUN, Anselm. Oração como encontro. Rio de Janeiro: Vozes, 2004, p. 25).
Para encontrar Deus devemos antes de tudo nos encontrar conosco mesmo. Devemos estar conscientes de nós mesmos. Este é o primeiro ato da oração. No encontro com Deus percebemos que ele é misericordioso e que nos acolhe com o seu amor, mas é o Senhor diante do qual não nos resta mais nada a não ser nos prostrar humildemente.
Conhecemos a Deus porque ele se revelou a nós e porque nós o encontramos dentro de nós, mas ao mesmo tempo é aquele que é totalmente outro, indisponível e incompreensível, aquele que coloca em dúvida todos os nossos conceitos teológicos.
Na oração descobrimos que não há obstáculos entre nós e Deus, não há palavras ou orações pré-formuladas (GRUN, 2004, p.43). A oração nos obriga a penetrar na verdade. Mas, a verdade nos tornará em seres livres e ela nos colocará em ordem, nos endireitará quando nossos pensamentos e desejos não estiverem corretos diante de Deus.
O nosso encontro com ele resulta nesta transformação. Na oração experimentamos a proteção de Deus e não das coisas que exercem poder sobre nós. A oração se completa no silêncio como nos dias da doutrina da oração dos pais da igreja.
O silenciar tem dois significados: de um lado está o escutar e do outro, o se tornar um com Deus. O silêncio de Deus nos ensina a escutar aquilo que ele quer de nós e nos impede de forjar uma resposta em nós mesmos. O silêncio nos desafia a nos abrir para o mistério divino e entender que Deus é o verdadeiro Deus e Senhor da nossa vida.
A oração é o caminho que nos conduz à morada de tesouro interior, ao espaço em nós no qual Deus mesmo habita. Toda a riqueza que podemos adquirir está dentro de nós.
Através do silêncio e da oração devemos nos voltar para nosso interior e penetrar neste lugar no qual descobrimos em Deus, toda riqueza de nossa vida, o tesouro escondido no campo e a pérola preciosa, pelos quais, vale à pena vender tudo mais, esse tesouro é Jesus Cristo de Nazaré.
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Alcindo Almeida

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