Um coração verdadeiramente arrependido


- Texto para reflexão: Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. Tem compaixão de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados. Também a minha alma está muito perturbada; mas tu, Senhor, até quando? Volta-te, Senhor, livra a minha alma; me salva por tua misericórdia. Pois na morte não há lembrança de ti; no Seol quem te louvará? (Salmo 6.1-5).

Muitas vezes ficamos decepcionados por entristecer ao Senhor nas quedas e erros que cometemos diante de sua santidade. Quando Adão e Eva foram expulsos do paraíso, Deus preparou o mundo para se certificar de que nunca teríamos uma base razoável para nos esta­belecermos nas alegrias que a vida neste planeta confere.
O mato cresce em todo jardim. Toda vez que tentamos removê-lo, um espi­nho pica nosso dedo. Os relacionamentos nunca alcançam a plena alegria da completa intimidade. A competição egocêntrica barra o caminho.
Todo nosso esforço para a harmonia é prejudicado pela nossa atitude: Estou magoado, você falhou. E nosso foco está volta­do para o que o outro pode fazer para satisfazer nossos desejos.
Não conseguimos agir como devemos. Não conseguimos ter uma vida funcional; isso nunca acontecerá até o céu. Todavia, como ca­vadores de poços, passando por um poço já cavado e forçando nos­sas pás na terra seca, tentamos descobrir o que podemos fazer para encontrar a água desejada. A maioria de nossas orações consiste de um pedido para que Deus guie nossas pás para onde as fontes se escondem por baixo da terra endurecida (CRABB, Larry. Chega de regras. São Paulo: Mundo Cristão, 2003, p. 34).
Davi está num momento na vida em que reconhece que provocou a ira divina com seus pecados (CALVINO, João. Comentário no Livro de Salmos. São Paulo: Paracletos, 1999, Vol. 1, p. 122). Ele tem consciência dos seus pecados diante de Deus. Ele tem convicção no coração acerca da sua maldade, ele sabe que a sua recompensa pelo pecado é a sua punição diante de Deus.
Ele sabe que a sua vida deveria ser tratada com uma ira profunda de Deus porque ele entristeceu ao Senhor com pecados profundos. Porém, Davi entende que Deus é muito amoroso e bondoso na vida dele. Então ele diz: Não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. Tem compaixão de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados.
Davi sabe muito bem da sua estrutura humana pecaminosa e diz que a sua alma está muito perturbada. Assim ele pede para o Senhor se voltar para ela. Ele pede para o Senhor livrar a minha alma e salvá-lo por sua misericórdia. Por quê?
Porque na morte não há lembrança de do Senhor, no Seol não tem como louvar ao Senhor. Davi sabe quem Deus é por isso, ele pede a sua cura, ele reconhece que de Deus emana a fonte preciosa de graça para ser libertado da calamidade e dos castigos diante de Deus. Ele sabe que Deus usa de misericórdia em seu favor. Percebam que Davi tem alguns itens importantes neste processo de pedir graça e perdão para o eterno Deus:

· Humildade em reconhecer o seu estado: Ele sabe que é pecador mesmo. E reconhece seu estado diante de Deus. E os pedidos são para Deus ter compaixão, para Deus se voltar para ele e livrá-lo.

· Quebrantamento e contrição: Ele ora pedindo para que Deus não o repreenda na ira. Porque ele sabe que Deus é fogo consumidor. Ele tem uma atitude de reconhecimento do poder de Deus e por isso, se quebranta diante deste Deus glorioso. Ele se quebranta e tem atos de contrição quando pede para Deus sará-lo. Ele tem uma perturbação e se rende aquele que pode curá-lo na alma e no corpo. Disse Jeremias:
Corrige-me, ó Senhor, mas com medida justa, não na tua ira, para que não me reduzas a nada.
Precisamos entender esta misericórdia de Deus na nossa vida. Ele derrama graça sobre nós, ele se volta para nós e nos socorre mesmo quando pecamos e entristecemos o seu coração.

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