A redescoberta da oração nos Salmos


- Texto para reflexão: Dá ouvidos às minhas palavras, ó Senhor; atende aos meus gemidos. Atende à voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois é a ti que oro (Salmo 5.1-2).

No seu livro A oração que Deus ouve Eugene Peterson diz que “a oração é a linguagem utilizada no relacionamento pessoal com Deus. Ela expressa profundamente o que sentimos, ansiamos ou respondemos diante de Deus. Ele fala conosco e nossas respostas são as nossas orações” (PETERSON, Eugene. A oração que Deus ouve. Os Salmos como guia básico de oração. Brasília: Palavra, 2007, p. 25).
Essas respostas nem sempre são articuladas: silêncio, suspiros e grunhidos também constituem respostas. Elas nem sempre são positivas: ira, ceticismo e blasfêmias também são respostas. Porém, sempre Deus está envolvido, quer na escuridão, quer na luz, em fé ou no desespero (PETERSON, 2007, p. 25). É difícil nos acostumarmos com isso, pois temos o hábito de falar sobre Deus, não com Ele. Amamos discutir sobre Deus, porém os Salmos resistem a esta tendência. Eles não nos foram concedidos para ensinar coisas sobre Deus, mas para nos treinar em responder a Ele.
Algo importante para avaliarmos na nossa vida espiritual é que não aprendemos os Salmos até que os oremos em nós mesmos. No livro de Salmos a poesia e a oração são responsáveis tanto pelo entusiasmo quanto pela dificuldade em lidar com os dilemas da vida.
Interessante vermos que no Salmo 6 Davi não esconde os seus sentimentos e através da oração ele abre o coração expressando o seu momento para Deus: Tem compaixão de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados.
Na sua poesia nos Salmos e no abrir o coração nos ensina a lidar com nossa verdadeira humanidade, pois as palavras mergulham abaixo da superfície de prosa e pretensão, indo direto às profundezas.
Quando nós nos abrimos e dizemos a Deus o que somos de fato, nos sentimos mais confortáveis e mais aliviados no coração.
A oração nos Salmos exige que lidemos com o próprio sentimento e com os nossos dilemas da alma. Vejam o que Davi diz no Salmo 6.6 e 7a: Estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar em lágrimas a minha cama, inundo com elas o meu leito. Os meus olhos estão consumidos pela mágoa.
Orando os Salmos nós aprendamos a pensar nas nossas lágrimas como orações líquidas e do lamento como um constante gotejar da impertinente intercessão que certamente mostrará sua reta direção dentro do genuíno coração de misericórdia, a despeito das pedregosas dificuldades que obstruem este nosso caminho.
Orando os Salmos nós aprendamos que Deus está determinado a realizar nada menos que a total renovação da nossa vida. Na oração vemos as emoções voltando ao seu normal, na oração percebemos a voz preciosa do eterno Deus nos trazendo o seu ânimo e vigor divinos para o coração.

Alcindo Almeida

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