Deus ouve a nossa oração


- Texto para reflexão: Dá ouvidos às minhas palavras, ó Senhor; atende aos meus gemidos. Atende à voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois é a ti que oro. Pela manhã ouves a minha voz, ó Senhor; pela manhã te apresento a minha oração, e vigio. Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará o mal. Os arrogantes não subsistirão diante dos teus olhos; detestas a todos os que praticam a maldade. Destróis aqueles que proferem a mentira; ao sanguinário e ao fraudulento o Senhor abomina. Mas eu, pela grandeza da tua benignidade, entrarei em tua casa; e em teu temor me inclinarei para o teu santo templo (Salmo 5.1-7)

Há um livro de Thomas Merton chamado Novas sementes da contemplação. Nele Merton nos chama a atenção para o fato que temos de ser salvos da imersão num mar de mentira e de paixões denominado: o mundo. E temos, sobretudo, de ser salvos do abismo de confusão e de absurdo que é o nosso próprio ser mundano.
Merton diz que a pessoa tem de ser salva do indivíduo. O ser único tem de ser libertado do ego esbanjador, hedonista e destruidor, que procura apenas se cobrir com disfarces (MERTON, Thomas. Novas sementes da contemplação. Rio de Janeiro: Editora Fissus, p. 82).
Neste Salmo através da vida de Davi encontramos a direção certa para nos livrar do mundo e das suas tentativas de nos afastar da comunhão com o eterno.
Davi é inteligente diante de Deus e apresenta a sua oração esperando que o Senhor o ouça em sua tribulação e angústia. Ele se apresenta logo cedo diante do seu criador, como buscamos logo o alimento para o fortalecimento do nosso corpo. Davi logo cedo procura o seu Deus e espera nele. Ele procura aquele que é santo, aquele que não tem prazer na iniqüidade, nem com ele habita o mal.
Davi está ainda no momento de tribulação por causa da perseguição dos seus inimigos e a sua oração é o pedido de socorro pelo seu Deus. Ele lamenta as crises que sofreu diante dos inimigos e pede para que o Senhor atenda aos seus gemidos. Ele abre a sua alma perante Deus e pede para que ouça suas palavras.
Muito provavelmente Davi ficou um longo tempo abrindo a sua alma diante de Deus. Isto demonstra o quanto Davi amava a Deus e confiava inteiramente na solução divina diante dos seus gemidos. E nestes gemidos ele expressa o mais profundo sentimento diante daquele que ele o tem como referencial e guia na vida.
Então ele começa a sussurrar por causa da sua tamanha dor. Ele derrama a sua alma com dores e angústias profundas. Tanto que no versículo 2 ele pede para Deus atender o seu clamor, pois, a ele que este servo orava.
Davi tem na oração o seu remédio para cura. A oração é uma fonte de vigor no coração de Davi. Ele diz no versículo 3: Pela manhã ouves a minha voz, ó Senhor; pela manhã te apresento a minha oração e vigio. Na calamidade Davi ora a Deus, logo pela manhã ele quer falar com Deus na sua devoção com a certeza de que Deus o ouvirá.
A oração matutina nos prepara para a ação, ela nos prepara para esperarmos a resposta da parte de Deus. Pela manhã podemos buscar a face de Deus para entendermos a sua vontade para nós.
Este é um item que devemos dar mais importância na vida espiritual. Como diz Richard J. Foster no seu livro Celebração da Disciplina - O Caminho do Crescimento Espiritual:

“A oração arremessa-nos à fronteira da vida espiritual. É pesquisa original em território inexplorado. A meditação nos introduz na vida interior; o jejum é um recurso concomitante, mas a disciplina da oração é o que nos leva à obra mais profunda e mais elevada do espírito humano. A oração verdadeira cria e transforma a vida” (FOSTER, Richard J. Celebração da Disciplina - O Caminho do Crescimento Espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007, p. 67).

Orar é mudar. A oração é a avenida central que Deus usa para nos transformar. Davi sabe disto e, por isso, ele diz que pela manhã Deus ouve a sua voz. E diz também que pela manhã ele apresenta a sua oração e vigia.
Vejam que Davi não vê a oração como mais um item na sua agenda espiritual. Para Davi, a oração é uma característica essencial da sua vida. Ele sabe que quanto mais se aproximar do pulsar do coração de Deus, mais ele verá a necessidade de amar ao Eterno da sua vida.
As palavras de Marcos falando sobre o nosso mestre nos chamam a atenção para o tempo de oração. Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava (Marcos 1.35). O estilo de vida de Jesus era o da oração, e olhem que é o próprio Deus Filho que nos motiva e nos direciona para a oração.
Neste Salmo depois de ter um tempo sério de oração. Depois de fazer da sua agenda espiritual um tempo de convívio com Deus, Davi então clama pelo amparo de Deus na vida.
Davi pede para Deus atender à voz do seu clamor. Ele reconhece neste tempo de oração que Deus não tem prazer na iniqüidade e que nele nunca habitará o mal. Ele reconhece que os arrogantes não subsistirão diante dos olhos do Altíssimo. Ele reconhece que Deus detesta a todos os que praticam a maldade.
No final das suas conclusões sobre a oração ele afirma: Mas eu, pela riqueza da tua misericórdia, entrarei em tua casa; e me prostrarei diante do teu santo templo, no teu temor.

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Alcindo Almeida

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