Glenio Paranaguá: como um vaso nas mãos do Oleiro

Por Rosana Salviano.
Glenio Fonseca Paranaguá é pastor da igreja Batista há 35 anos. Em sua caminhada pelo Ministério, ficou conhecido por ser radical na pregação da mensagem da cruz e da suficiência na pessoa de Jesus Cristo. Agora, essas pregações lhe renderam o primeiro do que se espera ser uma série de livros: Vaso nas Mãos do Oleiro.
Mais que uma coletânea de estudos, Vaso nas Mãos do Oleiro é um livro de leitura simples - mas não de linguagem ou teologia simplista - que pode ser uma rica fonte de aprendizado tanto para líderes de igreja como para novos convertidos. Com excelente fundamentação teológica e Bíblica, o autor fala sobre a maravilhosa Graça da Salvação em Cristo em Jesus e o papel do homem perante ela.
Enquanto muitos vêm pregando um evangelho sintético, uma mensagem diluída que é incapaz de promover a verdadeira salvação e faz da igreja um lugar com muitos membros - mas poucos santos -, pastor Glenio é enfático e afirma com convicção: "O evangelho não é banal, nem a salvação mercadoria barata. Ninguém é salvo por ter aceito a Cristo. A verdade bíblica mostra que foi Cristo quem nos aceitou".
RS: Como surgiu a idéia de lançar este livro?

Glenio Paranaguá: O Vaso nas mãos do Oleiro surgiu a partir de uma série de estudos que fiz há alguns anos. Um grupo de amigos me pediu para colecioná-los a fim de formar uma apostila e depois, pensamos em formatar tudo num livro. Procurei algumas editoras e este ano surgiu a oportunidade de concretizar o sonho através da IDE.
RS: Qual o foco principal dele?

Glenio Paranaguá: A doutrina da Salvação. Eu me utilizo de Jeremias 18 para falar que Deus criou o Homem a partir do barro e o próprio Homem estragou o que Deus havia criado, por isso está deturpado, modificado. Na primeira parte, exploro o que é Homem, como ele está e o que tem feito para se salvar - onde abordo as religiões. A partir daí, falo das táticas do engano, que produzem uma ilusão de Salvação, e o real plano de Deus através da encarnação e ressurreição de Cristo.
RS: Há também pontos polêmicos, que falam de pecado e tentação...

Glenio Paranaguá: Eu abordo o que chamo de "impecabilidade" e "perfeccionismo". Não creio nisso. Não posso dizer que peco, mas também não posso dizer que nunca peco. Não posso dizer que ficarei doente, mas também não posso dizer que nunca ficarei doente. Crer em um desses extremos é deformar o que diz a Bíblia. Para exemplificar: eu não entro em um avião se souber que ele vai cair. Mas sei que ele pode cair. Apesar disso, viajo porque creio que as leis físicas que o mantêm no ar serão mais fortes que a lei da gravidade. Na vida com Deus também é assim: Cristo dá a vitória, mas na caminhada, posso por vezes, enfrentar derrotas. Aí, posso ver a tentação como bênção pois mesmo nela Cristo me garante uma vida vitoriosa.
RS: O livro segue a mesma linha de suas pregações, que sempre falam da Graça e da Cruz de Cristo?
Glenio Paranaguá: Sim, eu exploro bem a questão da Graça. Mas da Graça plena. Muito pregam uma Graça amarrada: tenho a Graça de Deus se fizer isso ou aquilo, por minhas obras ou penitências. Hoje mesmo fui dar uma aula como convidado num seminário Católico e ao final um dos presentes perguntou qual a maior diferença entre os batistas e os católicos. Eu disse que temos muito em comum, mas também posições bem extremadas. Primeiro, porque para os batistas Jesus é tudo, e, segundo, porque cremos numa Graça que não depende daquilo que fazemos ou somos. Mas há muita confusão sobre isso, até entre as denominações evangélicas.
Muitos acham que Graça vem se orarmos, "eu oro, aí Deus resolve meu problema". Mas eu creio que até a oração é fruto da Graça. É Deus que nos leva a orar, a querer estar perto Dele. O mesmo ocorre com relação à Fé. Não é fé que nos permite receber a Graça, mas é por meio da Graça que recebemos a Fé. É independente de nossas vontades. Apesar de normalmente dizermos "eu nasci", nós não nascemos - "fomos nascidos". Todo o processo para sermos gerados não depende de nós mesmos.
RS: Falar sobre a Graça tornou-se comum, mas também perigoso. Não há muita gente confundindo Graça com libertinagem, numa teologia de "posso tudo porque a Salvação não depende de mim"?
Glenio Paranaguá: O apóstolo Paulo já falava sobre isso. Basta vermos Romanos 5 e 6: "...onde abundou o pecado, super abundou a Graça. (...) Que diremos então, continuaremos pecando? De maneira alguma! Se estamos mortos para o pecado, como poderemos continuar vivendo nele?". Creio que aí está a resposta. A graça libertina é fruto da pecaminosidade.
Gosto de dizer que pregar sobre a Graça é correr um risco necessário e que demonstra se falamos da Graça genuína, porque ela sempre irá despertar o Homem para uma nova vida ou para a libertinagem, dependendo da interpretação. A escolha é do Homem. Deus também nos dá liberdade para pecar ou não.

Comentários

Michael disse…
Graça e Paz irmão Alcindo Almeida, estou lendo esse livro e estou sendo muito abençoado atravéz do mesmo.

Forte abraço
Alcindo Almeida disse…
Oi meu irmão....realmente o livro é fera demais!!!!

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