Não somos estranhos

Evidentemente, não somos apenas pó. O Senhor Deus soprou nas narinas desse homem de pó, que se tornou, então, "um ser vivente". Uma vez que o sopro de Deus é introduzido nos pulmões dos seres humanos, acumula-se ao nosso redor e dentro de nós uma dignidade enorme. A dignidade assume configuração particular à medida que uma mudança ocorre na trama narrativa: na primeira metade do capítulo (v. 4-14), Deus nos forma e nos coloca  num determinado lugar; na segunda metade (v. 15-25), ele trata conosco de maneira mais pessoal, mais relacional. 
Primeiro, Deus nos envolve numa continuação de sua obra criadora: "Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar" (v. 15). Somos colocados para trabalhar, ou seja, temos algo útil a fazer, participando na criação de Deus sob a direção de Deus. 
Não somos forasteiros neste lugar, nesta terra; não somos estranhos para essa substância da qual somos feitos. O trabalho de que fomos incumbidos — lavrar a terra e cuidar dela — é congruente com o elemento de que somos feitos e com o lugar onde somos colocados. O verbo "guardar" (shamar) tem o sentido de "cuidar bem de". Uma tradução apropriada neste contexto é "conservar": vigiamos com o propósito de manter e preservar. 

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