SUA ALTEZA, O MENDIGO. XL

Aba mora num palácio superior, mas também habita num casebre humilde. Vejam os dois endereços: Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. Isaías 57:15.
O Céu é a casa nobre. O coração quebrantado é a casa pobre. O Pai é santo e não pode habitar no barraco sujo da favela moral do pecado. Um coração contaminado pelo egoísmo é incompatível com a vida de santidade divina.
Os descendentes de Adão encontram-se impossibilitados de conviver com o Deus santo, portando essa natureza exclusivista e arrogante. É preciso quebrantamento interno e profundo.
Somos uma raça montanhista e queremos subir ao topo da cordilheira. A notoriedade corre na frente de qualquer sentimento. Se não conseguimos alcançar os primeiros lugares, temos que achar defeitos em quem consegue se notabilizar. A censura e a murmuração evidenciam as pegadas de corações soberbos e insatisfeitos. É o choro da alma inconformada com a sua estatura.
Um coração quebrantado é um coração contente. Sua Alteza, o mendigo, vive na expectativa das migalhas e à sombra do contentamento. Esta é a casa de veraneio de Aba. Uma alma satisfeita é um lugar perfeito para a comunhão.
Não há melhor ambiente do que na presença daquelas pessoas que sabem muito bem que todas as coisas cooperam para o seu benefício. Elas são adoradoras que festejam tanto na fornalha, quanto no palácio real.
A ausência de alegria é um tributo muito pesado que os pobres viventes e peregrinos do sol a pino têm que pagar por apresentarem egos exigentes e descontentes. Lamento dizer: o único remédio para o egoísta é a sua morte. Ego morto, novo rosto. “Cristo vive em mim”. Este é o endereço do casebre quebrantado ou a habitação do Altíssimo. Aqui está a diferença marcante entre Sua Alteza, o mendigo, e os alpinistas caçadores de pódio. Boa viagem, mendigos abatidos. É tempo de festança.
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Glenio Paranaguá – mendigo-padrão.

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