Somos pó e cinza diante do criador

- Texto para reflexão: Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão (Eclesiastes 3.20)

Salomão afirma no versículo 18 que os homens são provados por Deus para que vejam que são em si mesmos como os animais. Ele diz que o mesmo que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais.
Assim como morrem os animais, assim também morrem os homens. Ele diz que os homens não têm nenhuma vantagem sobre os animais. E no versículo 20 Salomão afirma algo sério e que deve nos levar a pensar sobre o significado da estrutura humana: Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão.
Salomão tem uma tese que ele desenvolve desde o primeiro capítulo de Eclesiastes, somos pó e a nossa vida é como um bafo. Tudo passa muito rápido. Nós voamos na vida e quando percebemos os anos já se passaram como a nuvem.
É claro que ele não quis dizer que somos menos do que os animais. Sua inquietação é que ambos são limitados e finitos e que a vida debaixo do sol tem os seus dias contados. Todos nós somos diante de Deus como nada; ele nos considera como menos que nada (Isaias 40.17). Como Paulo diz: De fato, chamas as coisas que não são como se fossem (Rm. 4.17).
Hoje não parece que os homens tenham esta percepção sobre eles mesmos. Porque eles se acham os bons de tudo. Há um problema sério no meio da humanidade que a faz achar que ele é boa e se basta diante da vida: dinheiro, dinheiro, dinheiro.
Coisas que têm uma etiqueta de preço. Bens materiais. Objetos tangíveis. O que há por trás de tudo isso? O desejo de possuir, de se apossar, de juntar riquezas, ficar rico. E o desejo de comprar a vida. Há um amigo secular que tem muito dinheiro. Um dia, seu filho foi baleado por ladrões e ele foi ver seu filho e disse para os médicos: Eu pago o que for necessário para vocês salvarem meu filho.
Dinheiro se trata da obsessão de raízes profun¬das, no sentido de impressionar os outros e também se deliciar na velhíssima coceira denominada "quero mais". Sempre mais. O bastante nunca é bastante.
A satisfação está fora de questão. O importante é ter o dinheiro para comprar se possível até a própria vida. Mas, Salomão dá a resposta honesta e crua para os que só pensam e vivem pelo dinheiro: Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão. Charles Swindoll no seu livro A busca do caráter afirma algo sério sobre isto:

“Tudo isto parece tão claro no papel! Pinte essa coisa de verde e chame-a de cobiça pura e simples... fácil de ser analisada neste momento objetivo. Porém, quando deslizamos na cor¬rente de água e começamos a nadar, eis que surge uma torrente (tão sutil, de início) que nos apanha e nos arrasta. Logo somos engolfados por ela, e atirados nas cataratas, quase totalmente descontrolados. Para livrarmo-nos e iniciar nova trajetória nou¬tra direção (nunca sutil, nunca fácil!) precisamos de nada me¬nos que o poder do Deus Todo-poderoso. Jamais alguém re¬sistiu à cobiça sem que travasse uma luta ao mesmo tempo incansável e feroz. O deus chamado Fortuna tem morte lenta e dolorosa” (SWINDOLL, Charles. A busca do caráter. 1991, p. 11).

O homem vive como se não fosse morrer. A soberba vive no seu interior. Ele faz planos para conquistar, para o amanhã e se esquece do que Tiago diz no capítulo 4 – se Deus quiser faremos isto ou aquilo.
O homem tem a fome de ser conhecido, de criar um nome para si mesmo. Inclui a per¬seguição do melhor lugar, o aperto de mãos certas, a batida nas costas certas, estar nos ambientes certos manipulando e cavando habilmente.
O tempo todo há uma preocupação jamais pronunciada em torno de uma agenda egocêntrica, oculta: que o seu nome fique lá em cima, sob o foco dos holofotes. E ele se esquece de que os seus dias são passageiros. Ele se esquece do que Salomão afirma no texto: Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão.
Algumas pessoas são atiradas no centro do palco independentemente de seus pró¬prios desejos. Elas acham que podem tudo, conquistam tudo, mas não se lembram da realidade bíblica de que somos como a nuvem que vem e vai embora.
As pessoas se esquecem de que o fôlego da vida está nas mãos do criador. Alguns homens vivem como se fossem um verdadeiro deus. Eles buscam o poder, desejam controlar, governar os outros. Querem ocupar cargos de autoridade e fazer as coisas à sua maneira, conforme sua vontade (SWINDOLL, 1991, p. 13).
Manipulam e manobram as pessoas, a fim de ficar em posição de autoridade, de tal maneira que consigam dominar os outros e mantê-los obedientes. No meio protestante não é de surpreender que são "dominadores dos que foram confiados por Deus como Pedro fala na sua primeira Epistola (1 Pedro 5.3).

E tudo isto por causa da falta da consciência do fim do ser humano. Tudo por falta de uma compreensão de que somos pó e cinza. Não somos absolutamente nada diante do criador. E os nossos dias são como o vento.
Não adianta relutarmos, do pó viemos e para o pó voltaremos. Isto rompe que aquela sensação de estarmos no controler da nossa vida.
Precisamos atentar para as palavras de Bernard de Clairvaux em carta endereçada ao patriarca de Jerusalém:

“Somente o homem humilde pode subir a montanha com segurança, pois só ele terá o que lhe faça tropeçar. O homem orgulhoso pode subir a montanha, mas não poderá permanecer por muito tempo..., para permanecer firme é preciso manter-se humilde. Para que nossos pés nunca tropecem, precisamos nos apoiar. Não no pé único do orgulho, e sim nos dois pés da humildade. A humildade tem dois pés: o reconhecimento do poder divino e a consciência da fraqueza pessoal” (Cartas de São Bernardo. p. 296).

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