Somos os trapos alcançados pela cruz de Cristo

- Texto para meditar: Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras (I Cor. 15.3,4).

Algo que precisamos entender é que somos trapos, trapos de imundícia. É exatamente isto que Isaías fala sobre a justiça humana (Ler Isaías 64.6). Aliás, por falar em justiça humana, o meu amigo Glenio Fonseca Paranaguá mostra que a justiça própria (humana) é o maior inimigo da graça. A justiça própria é o principal responsável pelos sentimentos mais azedos e pelas lembranças mais amargas que uma alma pode nutrir (PARANAGUÁ, Glênio Fonseca. O crime da letra. Londrina - Pr: Ide, 2009, pp. 32,33).
Não adianta questionarmos a realidade bíblica sobre nós. Somos os verdadeiros trapos imundos. Somos miseráveis em nosso ser e a nossa justiça não passa de algo imundo. A grande realidade é que pecamos, fazemos aquilo que combina com a nossa natureza depravada que é pecar todos os dias. A nossa natureza é definitivamente má. Somos insensíveis diante da realidade espiritual, voltamos o nosso coração para nossas inclinações.
Precisamos urgentemente dos trajes da salvação por meio da cruz do nosso Cristo. Temos de vir a Deus como os mendigos de mãos vazias para que recebamos o dom da vida de Deus por meio do Salvador. Temos de tomar o lugar de pecadores perdidos que necessitam da cruz para salvação e redenção do coração.
Porque estamos presos a uma situação que não conseguimos escapar, somos pecadores e nós nos rebelamos contra o nosso criador através de nossos pais Adão e Eva lá no Éden. Esta realidade precisa nos levar a algo chamado cruz. É só a cruz de Jesus de Nazaré que nos tira da lama que nos leva a afundar espiritualmente falando.
Precisamos da cruz para remissão dos nossos pecados, estes que nos afastam da graça divina. Precisamos da cruz para ver Deus de novo. Precisamos da cruz para falar com Deus e desfrutar da comunhão com ele como era no jardim divino. Quando compreendemos o sentido profundo da crucificação, com toda certeza, nos aproximamos das margens do Jordão e temos um vislumbre da terra prometida que está do outro lado. Este caminho foi aberto pelo nosso Senhor Jesus Cristo quando ele foi a cruz do Calvário para nos redimir mesmo sendo trapos imundos, mesmo sendo lixos, mesmo sendo indignos da sua graça e amor. Como diz Alister McGrath:

“A dádiva mais preciosa das pessoas exigia a morte do próprio Filho de Deus. Todavia, ele morreu de bom grado, a fim de que tivéssemos a alegria de ganhar a vida e ser curados de nossas feridas” (MCGRATH, Alister. O Deus desconhecido. São Paulo: Loyola, 2001, p. 98).
Jesus viajou pela morte na cruz, a fim de que esta mesma morte pudesse nos conduzir ao mundo glorioso que está mais além. A esperança para trapos e indignos foi revelada em Jesus através de sua morte e ressurreição. Exatamente, por isso, Paulo afirma no texto: Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
Louvado seja o Deus eterno que nos amou em Jesus e mesmo sendo trapos, ele nos deu a cruz para nossa redenção e salvação!

Alcindo Almeida

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MCGRATH, Alister. O Deus desconhecido. São Paulo: Loyola, 2001.
PARANAGUÁ, Glênio Fonseca. O crime da letra. Londrina - Pr: Ide, 2009.

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