terça-feira, 14 de julho de 2020

As marcas de Cristo

Gregório Magno foi convocado a Roma e com a morte do Papa Pelágio II, no ano 590, foi eleito seu Sucessor. Gregório teve que enfrentar um período difícil: corrupção dos Lombardos; abundantes chuvas e inundações, que provocaram numerosas vítimas e grandes prejuízos; a escassez atingiu diversas regiões da Itália; a epidemia da peste, que continuava a causar vítimas.
Gregório reorganizou a administração religiosa, onde tantos eclesiásticos e leigos tinham interesses bem diferentes daqueles espirituais e caritativos. Assim, confiou a sua direção aos monges Beneditinos. Reviu ainda as atividades eclesiásticas, nas várias sedes episcopais, estabelecendo que os bens da Igreja fossem utilizados para a própria subsistência e em prol da obra evangelizadora no mundo. Tais bens deviam ser administrados com absoluta retidão, justiça e misericórdia.
Por ser alguém bem sério na igreja, ele escreveu um livro chamado de Regra pastoral. Ele disse: O pastor de almas tem sentido, quando a sua vida é doada para os outros como Jesus Cristo fez pela salvação dos seus eleitos. Há sentido de ser pastor, não pela vanglória, pelos interesses pessoais ou a busca do poder; tudo isso passa, o que importa é que o pastor tenha um grande amor a Jesus Cristo, ao seu Reino e ao rebanho confiado. O mundo necessita de pastores atentos aos sinais de Deus que se mostram nas pessoas, nos acontecimentos eclesiais e sociais. O pastoreio deve ser guardado por pastores que o amam, o anunciam para os outros e dão a vida como Jesus Cristo fez por seus eleitos.
Essas regras precisam servir para nós hoje. Realmente precisamos nos preocupar em encarnar o Evangelho no dia a dia. Creio que os valores estão bem invertidos. A cruz não é a última fala dos movimentos atuais. O culto da performance do ser humano é algo péssimo e tem ofuscado o ser parecido com Cristo Jesus nas palavras e nas ações.
Acredito que precisamos rechear o nosso púlpito da mensagem da cruz. Precisamos falar mais que Deus não se preocupa com o superficial, a sua vontade é que seus eleitos reflitam a glória de Cristo em cada parte do ser. Precisamos dizer como Paulo: Ninguém me inquiete porque trago no meu corpo as marcas de Cristo Jesus.
Precisamos cuidar de verdade das pessoas e não visar a nossa gloria, precisamos amar aqueles que nos cercam e não despreza-las. Gregório Magno dá a dica de darmos a vida como Cristo fez por nós. Essa é uma luta para que vivamos de fato do Evangelho do Reino de Deus.

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