O respeito é mutuo

Artigo para a Revista Fôlego
 
• Devemos considerar as pessoas como seres humanos:
 
Algo que nos chama muito a atenção nas Escrituras é que a vida humana é sagrada, mas a grande pena é que o secularismo tem nos levado a sermos identificados pelo que fazemos e não pelo que somos. Então, as pessoas são apresentadas nos encontros pela atividade que realizam e não pelo que de fato elas são. Já pensaram nos apresentássemos assim? Eu sou o fulano carente de amor, tenho uma identidade do amor de Deus, sou simples, sou apenas humano e preciso ser visto como tal e apenas como um ser humano. Isso é tão raro e foram poucas as vezes que vi essa realidade.
Exatamente por essa dificuldade que temos tanta crise na prática do respeito pelo outro. Porque deveríamos sempre repeitar o outro, não pelos títulos e posses que ele tem, mas simplesmente por ser a imagem e semelhança do Deus Eterno. Nas minhas meditações fico pensando como a queda afetou nossa imagem, de tal forma que vemos os homens se destruindo por causa do dinheiro, por causa de status, dos interesses pessoais, das promoções e dos espaços que podem ser conquistados sem lealdade e sem competência. Como nós desfiguramos a imagem do Criador quando passamos por cima dos outros, quando humilhamos nosso próximo, quando ofendemos a ele com palavras, gestos e ações. Pensemos em quantas vezes ofendemos as pessoas ao nosso redor, o resultado é evidente, entristecemos o Criador da humanidade, o nosso Eterno Deus.
Claro que toda essa desfiguração passa pela família e o processo que desemboca em nesse desajuste chama-se egoísmo. Ele é o grande motivador dessa cultura do eu, do ego e do culto ao individualismo. O egoísmo é fruto da imaturidade própria do ser humano que gira em torno de si mesmo. Por isso, vemos tantas guerras, tanta violência, tanto desafeto, tanto conflito, disputas e a busca profunda pelo poder no meio da criação. O egoísmo toma conta da civilização humana, resultado dessa desfiguração dentro de nós mesmos, porque a criação foi ferida por causa da queda e o egoísmo a atingiu em cheio.
Assim, para termos famílias fortes, relacionamentos profundos e recheados de maturidade, urgentemente nós necessitamos do Eterno Deus no centro do coração e de sua graça. Precisamos de uma redenção divina dentro de nós mesmos. Precisamos amadurecer como gente, gerando crescimento como ser humano.
Precisamos entender que somos pessoas chamadas para abraçar os outros, para servir os outros na dinâmica da vida, quando agimos como tais, nos tornamos cada vez mais humanos. Porque os humanos sentem, abraçam, andam juntos e se amam. Como refletia C. S. Lewis nos seus ensinos, “o segredo para amar é ser amado”. Esse é o primeiro passo esquecido nos nossos relacionamentos. E o pensador e teólogo Lewis trabalhou muito essa tese: fomos criados pelo Eterno, para amar e ser amados. É bem simples assim mesmo, o problema é que nosso egoísmo toma conta do coração da gente várias vezes. A nossa oração deve ser a de pedir a graça do nosso Senhor para que amemos e assim sejamos amados pelos amigos, pelos cônjuges, pelas famílias e pelas nossas comunidades.
 
• Respeitando a família:
 
Psicólogos dizem o que a Bíblia já estabeleceu há Séculos: o relacionamento homem-mulher somente ocorre de modo saudável quando ele a ama e ela da mesma forma o ama e o respeita. A necessidade de amor e de respeito no relacionamento conjugal tem tudo a ver com o tipo de casamento que temos. Numa família quando não há respeito vemos a brecha para o desequilíbrio e a imaturidade.
Salomão afirma em Provérbios 24.3: Com a sabedoria se edifica a casa, e com a inteligência ela se firma. A inteligência é quando o marido sabe edificar sua casa através do respeito que dá a sua esposa e a sua esposa retribui a ele. E claro que os filhos aprendem pelo exemplo do cônjuge.
Pensemos em diversos lares que os maridos chamam suas esposas de burras, ignorantes, estúpidas e imbecis! Qual será o resultado para os filhos? Eles imitarão seus pais nas atitudes e comportamentos. Gosto demais de um capítulo do livro do amigo Ricardo Agreste Feito para durar. O título é De homem para homem – ele diz que o homem tem a responsabilidade diante de Deus pelos rumos no sentido material, emocional e espiritual da esposa e dos filhos. A liderança do homem não é um privilégio, ela é uma responsabilidade .
Diante dessa missão tão séria e profunda, ele precisa receber respeito e dar respeito a sua esposa, bem como para com os filhos. Lidando no aconselhamento de famílias percebo que, o desrespeito tem gerado muita imaturidade, muita dor entre maridos e esposas. E sem dúvida, isso se reflete na criação dos filhos que ficam desajustados e sem nenhuma estrutura para o crescimento sadio como ser humano que valoriza princípios éticos, morais e espirituais. A grande verdade é que o homem desrespeitado pela sua esposa tem muitas dificuldades em amar e se doar na relação familiar.
O contrário não é diferente. A Bíblia diz que nós devemos amar a esposa como a parte mais frágil. Salomão também diz que devemos desfrutar a vida com a mulher que amamos. Uma mulher amada e respeitada pode somar muito mais na vida do lar.
Podemos dizer que homens necessitam mais de respeito e mulheres como pessoas frágeis de serem amadas e compreendidas na vida. A dinâmica do lar maturo e com respeito começa no tratamento do marido com sua esposa, e da esposa para com o seu marido. Os filhos serão envolvidos e aprenderão no processo de vida dos seus pais. Por isso, nós precisamos orar e muito pedindo graça e sabedoria ao Eterno Deus para que nossas palavras sejam temperadas com sal, para que elas produzam edificação diante dos que nos cercam. Assim, disciplinaremos nossos filhos sem medo e sem perder a autoridade. Poderemos dizer: filho, você errou, não é assim que se trata as pessoas. É com respeito que Deus nos ensina a ver o próximo e honrá-lo. Filho, como o papai e mamãe agem, também você deve agir.
É mais que urgente que valorizemos isso, pois, é relevante para famílias sólidas e edificadas em Deus como nos ensina o Salmo de Salomão – 127: Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam. Termino com algumas dicas para a vida familiar com respeito e maturidade:
 
1. Honremos nosso cônjuge sempre:
 
No filme Gladiador, a frase que marca todos nós é essa: Os nossos atos ecoarão por toda a eternidade. Honrar é um ato de amor para com nosso cônjuge.  Honrar é reconhecer alguém e procurar expressar amor e devoção a ele. Honrar é valorizar o caráter das pessoas. Os pais mais felizes na vida são os honrados pelos filhos. Os filhos mais amados são aqueles que os pais dedicam amor, respeito e honra. Esse é o legado que ecoará pela eternidade. Esse é o legado que podemos deixar para todos ao nosso redor, especialmente na nossa casa.
Como maridos, precisamos honrar nossas esposas lembrando sempre do que elas realizam pelo bem estar da casa, com as roupas, com o jantar na mesa e etc. A lembrança de ações em prol do lar faz parte do respeito que dedicamos a elas.
As esposas precisam honrar os maridos pela provisão segundo a graça eterna na área material do lar. As esposas precisam aprender a valorizar os maridos por esta responsabilidade que o Eterno Deus lhe deu. A honra é algo para ser praticado no quesito respeito nos nossos lares.
 
2. Maridos liderem a família com a sabedoria divina:
 
Um líder não lidera sozinho em hipótese alguma. Ser líder não é ter a capacidade para resolver e assumir todos os problemas sozinho, mas mesmo diante da limitação humana nunca desistiremos do nosso papel com humildade e com simplicidade, sabendo que os líderes mais preciosos são os servos e não os ditadores. Os homens que lideram com sabedoria divina são os que têm como parceiras as esposas. Isso sem querer dominá-las e humilhá-las, mas com o desejo de produzir uma relação de respeito com mutualidade.
A mulher não é um troféu que ganhamos depois do namoro, noivado e casamento e serve para ser colocado para os outros verem. Ela não é um objeto para satisfazer nossa necessidade e objetivos pessoais. Ela é uma parceira segundo o capítulo 2 do livro de Gênesis, ela é para andar ao nosso lado cooperando para o crescimento em respeito e maturidade de toda família.
A sabedoria divina nos ajuda a olhar para a mulher como um presente divino para zelarmos, respeitarmos e amarmos. Antes de alguém tirar aquela moça da casa dos pais, deveria pensar umas dez vezes. Porque tem a responsabilidade de liderar o lar com o máximo de parceria, abnegação, doação e amor.

3. Amemos nossa família de maneira incondicional:
 
Amor incondicional tem a ver com o desejo de buscar o bem estar apesar de tudo. Apesar dos problemas, das lutas e dores da vida. Isso vai de encontro com o normal dos nossos dias, porque o rapaz diz a moça: Eu amarei você enquanto você me amar.
Outros terminam o relacionamento no casamento porque dizem: Quero ser feliz e com essa pessoa não alcancei a felicidade na minha vida. Isso não tem nada a ver com a palavra incondicional, porque o normal é sermos egocêntricos mesmo no casamento. Não é por acaso que temos uma taxa tão grande de separações.
Nós precisamos blindar nosso casamento como dizem os autores Renato e Cristiane no livro Casamento Blindado. O amor incondicional tem a ver com a satisfação das necessidades dos outros e não de nós mesmos. Respeitemos, respeitemos e seremos respeitados pela graça divina. Apoiemos o nosso cônjuge, não meçamos esforços para nos doar aos nossos filhos com oração, entrega, investimento e veremos a graça sendo marcante neles.  
Todos nós desejamos um amor doador, assim como Jesus de Nazaré fez por nós na cruz do Calvário. Ele se entregou incondicionalmente por gente como a gente, pecadora, rebelde e desobediente (Filipenses 2). Nós somos seus imitadores e, por isso, precisamos amar com essa graça incondicional, amar procurando o bem da família sempre.
Que o Eterno Deus nos dê graça para termos atitudes como essas, para que a maturidade e respeito sejam itens marcantes em nossos lares!
_____________
Alcindo Almeida: Ele é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil – formado em 01/07/1997 pelo Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição. É membro da equipe pastoral da Igreja Presbiteriana da Alphaville na cidade de São Paulo. Ele é casado com Erika de Araújo Taibo Almeida e pai da pequena Isabella. Ele é membro fundador há 14 anos e atual secretário do grupo de apoio pastoral – Projeto Timóteo.

Comentários

Postagens mais visitadas