Vida disciplinada

Artigo para a revista Liderança hoje  
Eugene Peterson diz que tudo o que falamos e escutamos ocorre num mundo de linguagem que é formado e sustentado pelo falar e pelo escutar de Deus. Então penso que a nossa vida gira em torno dessa visão. E isso na minha vida é algo bem simples. Tenho uma vida absolutamente intensa como marido, pai, pastor e escritor. E ainda tenho outras atividades como analisar e revisar livros, escrever artigos para a Revista Lar Cristão, além de participar, há 15 anos, de um grupo de apoio pastoral chamado Projeto Timóteo.
 Creio que alguns podem pensar que eu não durmo e não tenho tempo para absolutamente nada. Isso é um engano; durmo bem menos do que a maioria das pessoas, mas tento compensar nas minhas folgas. Tenho uma vida que defino como disciplinada.
 Eu fui influenciado por um professor chamado Afonso, na época do ginásio – hoje chamado de Ensino Fundamental II –, na Escola Municipal Epitácio Pessoa, na zona leste de São Paulo (SP). Não me esqueço deste homem. Era uma pessoa absolutamente disciplinada, com regras, e nos desafiava em tudo mesmo como adolescentes. Aquilo impactou a minha vida, porque era professor de educação artística. Ele nos fazia viajar e sonhar com nossa própria história.
Quando fiz a escola técnica, tive a influência de um professor chamado Jair Latorre que dava uma matéria chamada MMFD (Máquinas, Materiais, Ferramentas e Dispositivos). Latorre era meu ideal como profissional. Logo na primeira aula, ele disse: ‘Não admito atrasos, entregas atrasadas de trabalhos. Não admito brincadeiras fora do tempo, mas jogarei bola com vocês. E farei de vocês verdadeiros profissionais na vida’. Ele não sabia que Deus o usaria para me moldar para o pastorado e para marcar minha vida.
Hoje tenho uma vida em todos os sentidos com disciplina. Leio no mínimo 30 páginas por dia. Quando dá, leio 100 páginas ou mais. Mas estabeleço regras para tudo. Leio cinco capítulos da Bíblia diariamente e vou indo assim há alguns anos. E, para isso, não há segredo – a palavra-chave é disciplina. Nós temos 12 horas pelo menos por dia. Então, aproveito ao máximo e é claro que deixo algumas coisas de lado: TV, por exemplo, é algo que vejo pouco. Não sei de novelas, pois, só vejo televisão quarta à noite com mais frequência por causa do futebol e procuro ver alguma palestra ou filme com a minha esposa.
Nas férias, só estudo pela manhã. Leio e escrevo bastante. Mas, na parte da tarde, vou relaxar. Vou sempre para um sítio do meu sogro e passo um tempo em contemplação para o coração. Como marido, não sou a melhor pessoa do mundo, mas tento separar um tempo para ela, que gosta de conversar e falar do seu dia-a-dia. Sempre tiro alguns momentos para sairmos e tomarmos pelo menos um sorvete juntos. Uma vez por ano faço um roteiro de viagem pago no cartão de crédito e viajo com ela e com nossa filha para o Nordeste. É um tempo muito precioso para nós como família. Não nego que tenho falhas em alguns momentos que fico sobrecarregado na igreja, mas sempre busco estar com a família.
Como pai, sou bem novo, nossa pequena Isabella tem quase quatro anos de idade e ela exige demais minha presença. Gosta de pular em mim, brincar de esconder... Lembro de uma palavra do meu amigo Luiz Mattos, já falecido: “Cuide da sua família em todo o momento”. Essa palavra ecoa sempre no meu coração e tento fazer isso com minha filha. No dia da minha folga, ela fica comigo e a gente se diverte demais.
Como pastor, tenho uma vida totalmente corrida, vários aconselhamentos e visitas. O trabalho pastoral pesa bastante e demanda tempo na vida. Hoje ser pastor na igreja brasileira é bem complicado porque temos de fazer um pouco de cada coisa. Isso demanda uma agenda bem cheia. E sempre tento dar uma adequada, tentando fazer exercícios (caminhadas) para fugir do sedentarismo.
Disciplina envolve tudo na vida: oração, leitura, relacionamentos, trabalho e produção. Nas minhas atribuições na igreja olho para esses itens. Quando estou sob pressão diante de conflitos e problemas busco as soluções através desses itens. Não é algo fácil, mas é possível quando levamos a sério a vida como marido, pai, pastor e escritor. E eu desejo isso para todos os seres normais que buscam a excelência na vida!
 
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Alcindo Almeida é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), membro da equipe pastoral da Igreja Presbiteriana da Alphaville em São Paulo (SP) e autor, casado com Erika e pai da pequena Isabella.

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