terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Reconhecendo os limites humanos


Como filhos de Adão em termos de natureza humana caída, temos um conceito dentro de nós que é classificar o outro de acordo com a nossa categoria. Por isso, entender a condição humana é um esforço para não fechar os outros em nossa própria definição, reduzindo os outros ao que parece ser para nós. Explico, eu sou extremamente organizado com as minhas coisas. Gosto de pontualidade e que tudo esteja certinho na agenda. Tenho os rituais do meu dia. Quando encontro alguém com bagunçada na agenda, desligada do mundo, sem noção de agenda, fico bravo e às vezes, irritado. Mas, isso acontece exatamente porque tenho as impressões e opiniões a partir dos meus conceitos e visão da vida. 
A grande dificuldade é que essas classificações criam um problema sério, posso não dar chance e nem abertura para a pessoa se mostrar, e posso emitir um conceito sobre ela, a partir do que quero ver nela, não o que ela é realmente. Bom, a verdade é que nem nós sabemos direito o que somos na essência, somente Deus sabe! 
Acredito que tanto para mim, como para aqueles que são como eu e que pensam como eu, precisamos aceitar cada vez mais a condição humana e perceber que todos nós temos erros, defeitos, debilidades e uma forma de ser ou estilo de viver. Precisamos aprender com Cristo a olhar para as pessoas com mais graça e mais misericórdia. Seria isso uma tarefa fácil? Jamais, para isso, temos que lutar contra o nosso ego, contra o nosso perfeccionismo e o nosso modo crítico de avaliar as pessoas. 
Há tempo para toda complexidade humana e não falo da irresponsabilidade de algumas pessoas, falo do ser mesmo. Necessitamos reconhecer os limites de cada pessoa e amá-la do jeito que ela é, isso sem preconceitos e sem barreiras. Precisamos da sensibilidade de Cristo que soube lidar com uma mulher samaritana de tal forma, que ela se sentiu acolhida mesmo sendo pecadora. Precisamos da sensibilidade de Cristo que soube lidar com Zaqueu, que era um cobrador de impostos ferrenho, que arrancava o dinheiro das pessoas para ter oportunidades. Jesus transforma a vida de Zaqueu num café da tarde. E o aceita por graça, mesmo no meio de uma vida louca. 
Jesus é especialista em lidar com pessoas. Ele olha para nós apesar de sermos pecadores, limitados e manchados pelo veneno do Éden. Ele nos aceita, Ele nos ama e nos restaura no meio das nossas loucuras do ser. Que Ele nos ajude a ser como Ele em todo tempo! (Alcindo Almeida) 

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