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Falsa humildade

Penso que muitos de nós, quando Cristo nos capacita a superar um ou dois pecados que realmente incomodam, tendemos a achar (ainda que não o expressemos em palavras) que já nos tornamos bons o suficiente.
Deus já fez tudo que queríamos que fizesse, então nós agradeceríamos se ele nos deixasse sozinhos. Como costumamos dizer: “Eu não esperava ser santo, eu só queria ser uma pessoa normal”. E, quando dizemos isso, achamos que estamos sendo humildes.
Porém, esse é um erro fatal. É claro que nós jamais desejamos e pedimos para ser transformados no tipo de criaturas em que ele irá nos transformar. Contudo, a questão não é o que pretendíamos ser, e sim o que ele pretendia que nós fôssemos quando nos criou. Ele é o inventor, nós somos as máquinas. Ele é o pintor, nós somos suas telas. Como poderíamos saber o que ele quer que sejamos? Veja bem, Deus já nos tornou em algo bem diferente do que éramos.
Há muito tempo, antes de termos nascido, quando estávamos dentro da barriga da nossa mãe, passamos por vários estágios. Já fomos parecidos com vegetais e com peixes: foi só em um estágio posterior que nos tornamos bebês humanos. E, se estivéssemos conscientes disso naqueles estágios anteriores, ouso dizer, teríamos nos contentado em permanecer como vegetais ou peixes — não teríamos muita vontade de nos tornar bebês. Mas ele conhecia o plano que tinha para nós o tempo todo e estava determinado a colocá-lo em prática.
Algo parecido com isso está acontecendo agora, num nível mais alto. Muitas vezes nos contentamos em permanecer como “pessoas comuns”; mas Deus está determinado a pôr em prática um plano bem diferente. Fugir desse plano não tem nada de humildade; trata-se na verdade de preguiça e covardia. Submeter-se a tal plano não significa prepotência ou megalomania, e sim obediência (Cristianismo Puro e Simples: Retirado de Um Ano com C. S. Lewis, Editora Ultimato).

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