SOZINHO NÃO DÁ?

“ É melhor serem dois do que um, porque tem melhor ganho do seu trabalho ” (Ec 4:9).
 
A solidão é uma coisa esquisita. Alguns a consideram uma epidemia em nossos dias.
Há um interesse crescente de os indivíduos morarem sozinhos (uma casa só para uma pessoa), além do desconforto em acreditar no outro, coberto de nossos medos e receios.
Há uma expressão que ouvia as pessoas comentarem em minha pequena cidade do interior de Minas Gerais, testemunhando sua experiência de mudança para um grande centro urbano, característica aliás predominante na segunda metade do século passado e que parece uma constante até nossos dias:
Essa expressão é:
 
SÓ NA MULTIDÃO

Embora a maioria de nossa sociedade moderna tenha feito a opção por viver em áreas densamente povoadas, isso não evitou que as pessoas se sintam solitárias. Depois de alguns dias morando num grande centro urbano, entendi o que as pessoas estavam querendo dizer com “só na multidão”.
Você já se sentiu sozinho mesmo no meio de um monte de gente, tanto em um ambiente aberto como nas ruas de nossas cidades, como em um ambiente fechado dentro de um salão ou um ambiente de trabalho?
Você se vê esbarrando diariamente em muitas pessoas por todos os lados, porém se sente ilhado dentro de si mesmo. Tantas pessoas por perto, mas tão distantes de seu coração. Cercados, mas estamos sós. Nestes momentos nos sentimos como que fracassados em termos de relacionamentos.
John T.Cacioppo, diretor do Centro de Neurociência Cognitiva e Social da Universidade de Chicago (EUA) autor do livro “Solidão – A Natureza Humana e a Necessidade de Vínculo Social” diz que a solidão “é como a dor ou a fome. É sinal de que algo não vai bem e que precisamos reforçar os vínculos sociais”.
“O homem moderno é prolixo para comentar o mundo em que está, mas emudece diante do mundo que é. Por isso, vive o paradoxo da solidão. Trabalha e convive em multidões, mas, ao mesmo tempo, está isolado dentro de si mesmo”. Augusto Cury Idem, em “O Mestre dos Mestres” - Ed Academia de Inteligência, pág 71.
 

É MELHOR SEREM DOIS

A perspectiva que se apresenta é de um homem moderno que, sentindo-se solitário, isolado dentro de si mesmo e da sociedade ao seu redor, reconhecendo que tem suas fragilidades, inseguranças, temores, apreensões, hesitações, reforça-os não falando sobre eles, não assumindo-os ou reconhecendo-os.
Vemos cada vez mais os indivíduos se fechando, sem alguém com que possam conversar abertamente sobre suas crises e dificuldades, embora reconheçamos que essa seja uma tarefa difícil.
O texto de Salomão em Ec 4:9 nos exorta dizendo que “é melhor serem dois do que um, porque tem melhor ganho do seu trabalho”.
Podemos imaginar que está cada vez mais difícil ficar sozinho, pois, basta um clique, e centenas de “amigos” invadem nossos computadores nas redes sociais. Ficamos até mesmos lisonjeados quando identificamos muitos “seguidores” virtuais.
O que vemos hoje é a tentativa de compensar-se solidão física com centenas de “amigos” virtuais.
Concordo com a observação da psicóloga Sherry Turkle, professora do Massachussetts Institute of Technology (EUA) de que “a interação ali é eletrônica, a pessoa não é parte da vivencia do amigo... Estar conectado dá a ilusão de termos companhia sem as demandas de uma amizade”.
Temos a impressão de que o ser humano está perdendo o apreço por relações significativas e relevantes, esquecendo-se de que a lacuna deixada pela falta dessas relações não podem ser preenchidas por poder, cultura, dinheiro, sucesso ou qualquer outra coisa.
 
CRIADOS PARA ESTARMOS JUNTOS

A verdade é que fomos criados para estarmos juntos. Quando Deus criou o universo e tudo o que nele há, declarou que “tudo era bom”.  Gênesis 2:18 declara que, após criar o homem, observou: “não é bom que o homem esteja só”. E assim, ele cria outro ser humano (a mulher), de maneira que dependessem um do outro.
Essa sensibilidade do Criador mostra-nos o quanto Ele se preocupa com a solidão, e o quanto Ele valoriza os relacionamentos.
É certo de que, em muitos momentos, podemos nos ver indagando:

Por que ninguém me compreende?
Será que alguém se importa mesmo comigo?
Será que se eu morresse, faria isso alguma diferença para alguém?
Será que, se as pessoas me conhecessem de verdade continuariam a gostar de mim?
Eugene Peterson em “A Mensagem” parafraseia o texto de Eclesiastes 4:9-12 dizendo: “É melhor ter uma companhia que caminhar sozinho, para compartilhar o trabalho e dividir a riqueza. E, se um dos dois cair, o outro ajudará, mas, sem ninguém para ajudar, fica complicado! Sozinho, você está desprotegido. Mas, com um amigo, pode enfrentar o pior”.
Gostaria de convidá-lo a se esforçar por estabelecer relacionamentos significativos, amizades sinceras. Certamente, em tempos e épocas difíceis, haverá possibilidade de ajuda.
Pratique a verdade. Não aceite “representar” diante das pessoas.
Reconheça: precisamos mutuamente uns dos outros.
Esteja disposto a assumir o risco de encontrar significado real em relacionamentos satisfatórios em sua vida.
Acima de tudo, estabeleça um relacionamento íntimo, diário, constante e desejado com Deus.
Se há alguém que nunca, jamais o deixará sozinho é Deus. Foi Ele, através de Cristo Jesus quem nos disse: “Eu estarei com vocês sempre, até o fim de todos os tempos” (Mt 28:20).
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,

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Rev. Hilder C Stutz

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