Pular para o conteúdo principal

Trabalhar demais faz mal

“Qual o sentido de trabalhar tanto? Não é um absurdo trabalhar feito um condenado e deixar tudo pra alguém que nunca fez nada?... O que você ganha trabalhando sem parar?” (Eclesiastes 3:20 a 23, versão “A Mensagem de Eugene Peterson)

- Recentemente o Jornal Folha de São Paulo (edição 28/11/11, caderno Mercado, pág 10) trouxe um artigo intrigante sobre uma realidade que nos atinge a todos: “Email e celular estendem jornada de trabalho para casa e até as férias”.
- Nele aborda-se uma realidade que identificamos com facilidade em nossos dias: a tecnologia elevou o número de horas trabalhadas de forma assustadora.
- Essa percepção é de simples constatação. Você observa no trabalho, andando na rua, no restaurante, em casa, como as pessoas estão “plugadas” o tempo todo.
- É assustador como as pessoas não conseguem “largar” o telefone, desligar o laptop, desconectar-se por um instante que seja. Você vai almoçar com alguém e não consegue almoçar com ele, pois ele está o tempo todo atendendo o telefone, respondendo a um email “urgente”. Você não consegue assistir um filme no cinema, uma peça teatral, sem ouvir um telefone celular tocar.
- Não importa mais o ambiente, a hora, o momento, ou outro fator qualquer. Parece não haver limite para nossa conectividade.
- Recentemente me “espantei” com uma adolescente, tendo sua mãe à morte bem à sua frente, em um leito do hospital, agonizando em sua dor terminal. Ela não deixava o seu telefone celular um instante sequer.
- Conforme a reportagem mencionada, uma pesquisa realizada por uma consultoria de recrutamento de executivos com 1090 profissionais, sete em cada dez que ocupam cargo como analista, gerente e supervisor, afirmam que passam mais tempo no escritório hoje do que há 5 anos. Mais da metade diz que o teto da carga horária no escritório saltou de oito para dez horas diárias, e cerca de 80% são acionados nos momentos de lazer e descanso via mensagens no celular.
- Nem as férias escapam, diz o estudo. Mais de 50% respondem a emails de trabalho durante esse período.
- Há algum tempo atrás, conversando com um esposo e pai de família, próximo de experimentar a ruptura de seu relacionamento conjugal e a falência de sua família, fiquei impressionado com a noção de “prioridade” dele, enquanto discutíamos os graves problemas familiares que experimentava e a forma como atendia e respondia quase que compulsivamente aos chamados telefônicos e à mensagens que recebia do seu trabalho.
- Mas o excesso de trabalho tem seu preço e conseqüências: cansaço, estresse, perda da felicidade, decepção com o próprio trabalho. “Temos hoje uma geração de cansados”, diz Nelson Carvalhaes Neto, médico do Fleury Medicina e Saúde.
- Se por um lado a tecnologia permitiu-nos uma jornada flexível e o trabalho à distância, por outro, trouxe implicações terríveis ao nosso bem estar, principalmente quando perdemos a noção de limites.

O TRABALHO COMO MEIO DE EXPRESSÃO E PROVISÃO

- Essa é uma perspectiva descrita nas Sagradas Escrituras. O trabalho dever ser um meio de expressão e provisão, capaz de fazer o ser humano se sentir satisfeito e realizado.
- Quando Deus criou o homem, conforme descrito em Gênesis (2:15) Ele “colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo”.
- J.J.Allmen, no “Vocabulário Bíblico” (ASTE, SP) diz que: “O trabalho é a energia ativa do próprio Deus que constitui o protótipo do trabalho... o trabalho corresponde à ordem divina das coisas. Às obras de Deus correspondem as obras dos homens. O primeiro homem foi colocado no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo. O trabalho é a atribuição normal prescrita para o homem pelo criador. É por meio do trabalho que Deus associa o homem à sua obra criadora. Desta forma, pois, o trabalho do homem é bom, enquanto for a resposta a esta ordem e se inspirar na obra de Deus”.

O PERIGO DO TRABALHO

- A mesma Escritura adverte sobre o perigo de o trabalho transformar-se em fonte de opressão, enfado e infelicidade.
- Um ambiente ou motivações envoltas pelo orgulho, inveja, ganância e corrupção, transformam o ambiente de trabalho em um local gerador de frustrações, perdas de relacionamentos e estresses altamente prejudiciais.
- Numa entrevista com mais de 500 estudantes e 70 administradores, feitas por Estelle Morin (“Os sentidos do trabalho”, em “RAE Executivo”, revista acadêmica da FGV, ago/set/out/2002, pag 73 e 74), ela conclui: “Não é suficiente apenas trabalhar, é preciso que o trabalho seja fonte de sentido e significado, isto é: (1) seja feito de maneira eficiente e gere resultados, (2) seja intrinsecamente satisfatório, (3) moralmente aceitável, (4) fonte de experiências de relações humanas satisfatórias, (5) garanta segurança e autonomia, (6) mantenha as pessoas ocupadas, dando-lhes uma rotina dentro da qual se possa organizar a vida”.

Concluindo,

- Espiritualidade no mundo corporativo ocupam artigos e livros em nossos dias. Exemplo é o best seller “O Monge e o Executivo” de James Hunter.
- Como escreveu Daniela Lacerda, jornalista, em “O líder espiritualizado”, Revista VOCÊ S/A, 04/2005: “Ênfase na espiritualidade no mundo corporativo é uma resposta à alarmante crise existencial que assola o mundo corporativo... Muitos profissionais já não se satisfazem apenas com a perspectiva de bater metas e receber um gordo bônus no final do ano. Não querem mais atuar numa empresa que tem valores tão diferentes dos seus. Não estão mais dispostos a abrir mão da vida pessoal... Nesse cenário turbulento, a espiritualidade desponta como um caminho para uma relação mais saudável entre os funcionários e as empresas em que atuam, considerando o trabalho como parte de algo que transcende os aspectos materiais e contempla, também, as dimensões psíquicas, sociais e espirituais”,
- O Verso 24 do mesmo Livro do Eclesiastes diz: “Para o homem não existe nada melhor do que comer, beber e encontrar prazer em seu trabalho. E vi que isso também vem da mão de Deus”.
- Creio que assim encontramos uma posição de equilíbrio que reconhece tanto as alegrias quanto as dores do trabalho.
- Assim, devemos evitar os dois extremos, e buscar uma satisfação realista através do trabalho, evitando-se a armadilha do torná-lo um fim em si mesmo.
- O significado e segurança de nossas vidas não está no trabalho, mas em Deus. Não no que fazemos, mas naquEle que nos fez.
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,

__________
Rev. Hilder C. Stutz

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Estudo 26: A mulher sunamita: generosa e hospitaleira - (II Reis 4.8-37)

Há um cântico que nos ensina muito é o Salmo 37.4-5, a letra diz:
“Agrada-te do Senhor e ele fará aquilo que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, e o mais ele fará. Descansa no Senhor e espera nele. Pois, ele é a tua salvação, ele é o teu castelo e o teu refúgio na tribulação. Confia no Senhor e ele agirá, confia no Senhor e ele agirá“ [1].  É exatamente sobre essa providência de Deus na vida do seu povo que quero falar, usando esse exemplo da mulher sunamita. Esta que foi agraciada por Deus pela instrumentalidade do profeta Eliseu. Sabemos que o significado do nome de Eliseu é: Jeová é salvação. A meu ver combina com sua missão como profeta desse período. Ele foi um dos maiores profetas desse período juntamente com o seu antecessor, o profeta Elias. Ambos foram profetas no Reino do Norte de Israel. Eliseu era filho de Safate, habitava em Abel- Meolá do Vale do Jordão e pertencia a uma família próspera. Quando Elias estava no monte Horebe desanimado e triste, Deus fa…

Emoção X Razão: Mulheres agem de forma emocional, homens se comportam racionalmente

Recentemente li o livro Homens são de Marte, mulheres são de Vênus de John Gray. Ele diz que quando se aborrecem, os homens querem silêncio e solidão. Já entre as mulheres, as preocupações resultam na matraca desenfreada, pois, falando acalmam-se. O ego masculino é movido à base de conquistas, o feminino é pura emoção. Ele deve escutá-la, e ela deve compreender seu silêncio. Conclusão: marido e mulher não falam a mesma língua, não são do mesmo planeta. Na maioria dos processos normais, a mulher age de forma emocional, enquanto o homem se comporta de forma racional. Na nossa cultura costumamos dizer que os homens são insensíveis, durões e bem insensíveis. E com respeito às mulheres que elas são pura emoção e coração. John Gray diz que “quando os homens e mulheres são capazes de respeitar e aceitar suas diferenças, então o amor tem uma grande chance de desaborchar” (GRAY, John. Homens são de Marte, mulheres são de Vênus. São Paulo: Editora Rocco, 1997, p. 24). O grande problema é que convi…

Histórias da vida

A mentalidade dogmática deseja prender a verdade na malha das suas palavras, entendo que ela se equivoca. Acredito que nós aprendemos, falamos e escrevemos interpretando cada ponto da nossa história de vida. Na interpretação passam verdades, mas nunca absolutas, nossa história tem várias facetas.  Temos um quadro da nossa história e ela vai acontecendo com várias interpretações e olhares dentro de nós mesmos. Gosto demais de relembrar a história da minha vida. Lembro-me sempre dos momentos bons e ruins dela. Eu tive momentos de profunda tristeza, mas neles, vi o mover de Deus me ensinando a passar pelos vales dela, com a percepção da graça divina em mim sempre. Vi amigos chegados morrendo, vi amigos conquistando e perdendo. Vi histórias de vidas sendo tocadas por Jesus Cristo de Nazaré. Como é bom poder enxergar o passado com graça e com a noção no íntimo de que Deus esteve presente em cada detalhe.  As histórias serão sempre histórias contadas por nós dentro da alma e do coração. Cada …