TRANSFORMANDO A TRISTEZA EM ALEGRIA.

A noite escura se aproximava do planeta iluminado pelo Sol, isto é: quando o Sol veio morar no Barraco. As densas nuvens cobriam o horizonte com uma poeira cósmica. O pó soprado ou o andarilho a pé pela terra árida, sim, o pó vivente havia perdido a esperança. O pavor tomava conta dos corações dos discípulos e eles se afligiam sem achar a saída.
Tenebrae fact sunt, diziam os latinos. Os não ladinos traduzem: as trevas são de fato um fato. A morte se avizinhava do Autor da vida e a expectativa de um novo tempo voava para o além. O Salvador encontrar-se-ia refém da sepultura e não havia alternativa para os promissores que aguardavam o alvorecer fulgurante do novo dia.
Cristo Jesus observa: os seus pupilos tinham se perdido no pulo do cão desdentado, por isso abana as brasas da fé que se acham quase apagadas. Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. João 16:20.
Entre a sexta-feira da paixão e o domingo da páscoa há uma festa de arromba no mundo e um funeral arrombando o coração da turma que aguardava a estação florida. Enquanto os primeiros comemoram a morte do Cordeiro, os discípulos lamentam o aparente fracasso do Leão de Judá. Parece que tudo havia acabado. O alvoroço das gargalhadas suplantava o lamento banhado em lágrimas.
Parece que a festa do eu é mais estridente que a morte do ego. A folia do inverno, no final da semana, tenta abafar o rebento que brota na primavera do novo começo. Mas é tarde demais. O poder da vida que vence a morte é insuperável. A ressurreição deixa a sepultura com a boca escancarada e abre também a porta do salão do trono, para que os entristecidos de anteontem bailem na presença do Pai a dança da aceitação incondicional.
O poeta sagrado brada: a tristeza pode durar uma noite, mas a alegria surge pela madrugada. A festa do contentamento é financiada pela redenção e patrocinada pela vida que nasce da morte. O extermínio do ego na sexta-feira da antiga semana do mérito, em que o descanso é consequência do esforço, é apenas o prenúncio de uma alegria eterna que aparece com a ressurreição, no primeiro dia da nova semana da graça.
Quem foi aceito por Cristo não precisa buscar a aceitação dos seus pares. A ausência de aclamação na tarde sombria prognostica os aplausos da madrugada. Dancem filhinhos de Abba, pois em lugar da choradeira há júbilo. Aleluia!

______
Glenio Paranaguá

Comentários

Postagens mais visitadas