O final da lua de mel e o cair na real

Talvez a maior complicação de um casamento é quando os dois voltam da lua de mel e percebem que a realidade chega. Os casados chegam e da lua de mel e passam os seus primeiros 5 meses e a aquela perspectiva de embarcar no casamento com a grande esperança de que duas pessoas serão completamente realizadas como seres humanos e sem maiores conflitos, é irreal.
Alguns eram felizes antes de se casar e esperavam que o casamento apenas melhorasse a vida já alegre. E a maioria casa com este propósito de buscar a felicidade e matar muito da solidão que está no coração.
O grande problema é que todos nós nos casamos com o conceito de queremos ser felizes. Desta forma, que começa desespero, o aperto e as decepções. Neste processo da pessoa querer ser feliz abre-se cada vez mais espaço para o egoísmo, indiferença, mágoas e frustrações. Então depois de pouco tempo começa a fazer parte do vocabulário do cônjuge a palavra divórcio.
No processo de cair na real, as pequenas diferenças se avolumam na relação a dois. A linguagem ríspida e o comportamento agressivo revelam desgastes profundos. Alguns começam a ofender o outro com palavras tipo: Quando você agir como esposa, eu trato você como tal. Sem isso, terá o que merece. A esposa fica irritada com o egoísmo que tomou conta da relação e diz: Eu não agüento mais arrumar sua bagunça, peça para a sua mãe fazer para você e pronto.
Quando a relação em pouco tempo chega neste ponto, os desgastes serão absolutamente profundos e poderão gerar profundas cicatrizes tanto no rapaz como na moça.
O que fazer diante disto? O que fazer para não ficarmos no sonho da lua de mel? Como agir diante da realidade do dia-a-dia no casamento?
Sugiro algumas dicas que tenho tentado usar para o meu próprio casamento:

- Temos a necessidade do amor prático que nos ajuda a vencer o nosso ego:

Qual é o nosso problema de não amarmos?
Acredito que a causa é que não entendemos a dinâmica do amor. Não sabemos nos comunicar de forma eficaz para ver mudanças no cônjuge porque somos pessoas cujo ego não cabe no ser. Queremos tudo para nós mesmos, queremos que as pessoas façam o que é do nosso agrado. Queremos que o marido seja assim, porque crescemos vendo as coisas assim.
As pessoas se irritam com os respingos de pasta no espelho, com as camisas dobradas e não dependuradas, as pessoas se irritam com a toalha na cama ao invés de estar no banheiro. As pessoas se irritam facilmente porque não sabem amar sem obstáculos. Elas querem o que o ego manda e não o que a graça pede.
Os casais que caem na real e percebem que necessitam vencer o ego todos os dias prevalecem e só verão a separação no caixão (um dos lados) ou na segunda vinda do nosso mestre Jesus. As palavras de Paulo sobre o amor são significativas demais para nós como casais: O amor tudo suporta, tudo crê e tudo espera (I Cor. 13.7).
William Shakespeare diz: “O amor só é amor se não se dobra a obstáculos ou curva-se a vicissitudes. O amor é uma marca eterna que sofre as tempestades sem abalar-se. O amor é uma marca eterna".

- Tenhamos conversas com discernimento na Palavra:

Lembro de um pastor me perguntar uma vez: Alcindo, você está disposto a conversar com a Erika pelo resto da sua vida?
Esta pergunta é séria demais para nós, porque muitos não querem resolver suas pendências através do diálogo. Nós precisamos descobrir como ser uma influência positiva sobre nosso cônjuge. Ela vem através das boas palavras. O abuso verbal faz o casal perder a cabeça e palavras duras podem destruir o respeito, a confiança, a admiração e a intimidade. O que precisamos?
De uma palavra importante na relação: discernimento. Discernimento é sinônimo de bom senso, na visão mais profunda e abrangente de todos os acontecimentos que se protagonizam. Mais que conhecimento teórico, o discernimento é uma percepção espiritual que se alicerça no já vivenciado.
É impossível um casal viver uma vida de comunhão, de unidade, de convívio mútuo sem haver discernimento espiritual. Isto é imprescindível na vida daquele que é o cabeça do lar, o homem. Se um homem não for pessoa dotada do discernimento espiritual que a Palavra prescreve para a vida, ele não terá o respeito da sua esposa com submissão, ele não solucionará junto com a esposa os problemas de relacionamento.
Vemos que muitos homens se tornaram uma decepção para as suas esposas, pois, perderam o discernimento para tomar atitudes como pais, maridos e chefes do lar. Portanto, é preciso que haja uma busca da nossa parte como homens desta palavra tão importante no nosso vocabulário conjugal: discernimento.
O que o discernimento provoca?

• Com ele amamos mais,
• Com ele a brigamos menos.
• Com ele compreendemos melhor a esposa e aos filhos,
• Com ele glorificamos ao Pai Celestial.

Quais as dicas para nós?

• Pergunte para seu cônjuge: Que palavras ou atitudes têm sido nocivas?
• Em que tenho me omitido? Diga para o seu cônjuge: Por favor, mostre-me minhas fraquezas.

No livro Desafio de amar de Stephen e Alex Kendrick há uma frase: “O amor requer atenção dos dois lados – o tipo de atenção que constrói pontes da combinação de paciência, bondade e generosidade. Ele ensina a acertar o alvo, a respeitar e a apreciar a maneira única do seu cônjuge” (KENDRICK, Stephen & Alex. Desafio de amar. Bv Films, 2009, p. 18).

- Vivamos intensamente o casamento com o coração:

Há uma palavra de Paulo em Gl. 6.2 profunda demais para nos doar mais para o nosso casamento: Levai as cargas uns dos outros e assim, cumprireis a Lei de Cristo.
Viver intensamente a situação do próximo é levar estas cargas com sinceridade, afeição, amor, entrega, carinho e disposição. Às vezes, queremos ver as pessoas bem, felizes e recuperadas. Mas, falsamente muitos de nós fazemos algo pelo outro em função de nós mesmos. A direção de Deus para a vida é que nos doemos intensamente para o outro.
Acredito que Jacó é um modelo de doação para a sua amada. Ele queria tanto Raquel que a Bíblia diz que o trabalho de mais 7 anos por ela, pareceram poucos dias pelo muito que a amava (Gn. 29.20).
Henri Nouwen em seu livro Viver é ser amado diz: Ser escolhido é a base de ser amado (NOUWEN, Henri. Viver é ser amado. São Paulo: Paulinas, 1999, p. 43). Então somos escolhidos pelo eterno para amar o nosso cônjuge de todo o coração.

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Alcindo Almeida: é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil – formado em 01/07/1997 pelo Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição. É um membro da equipe pastoral da Igreja Presbiteriana da Lapa na cidade de São Paulo.

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