
O crime da letra é muito grave. Jó é um livro que em que a letra tem sido responsável por uma interpretação apaixonada. Normalmente nós somos movidos pelos nossos sentimentos e deixamos de lado a visão do todo. Além disso, os nossos direitos acabam tomando partido. Esse é um livro em que as pessoas de valor presumido tomam sempre o partido de Jó, desconfiando de Deus por causa daquele sofrimento.
Já ouvi pessoas achando que Deus não foi muito adequado com o seu servo, ao permitir aquele transtorno enorme em sua vida. Como é que Deus pega o seu amigo fiel e o expõe numa tragédia do inferno sem nenhuma necessidade? Com certeza os advogados de Jó procuram incriminar a Deus por razões muito pessoais.
Mas a história de Jó é ainda mais tremenda do que sofrimento que ele padeceu e a interpretação da narrativa não pode ser praticada sem a visão global da Bíblia. Deus não passa por mudanças, nem os seus métodos sofrem alterações. Por outro lado, ele não é parcial, nem arbitrário. A questão de Jó era a sua justiça própria e ninguém será salvo, senão pela suficiência da justiça de Deus manifesta em Cristo.
Deus não foi um canalha ao convocar Satanás para prestar um serviço em favor deste seu servo fiel, nem foi injusto ao permitir todo aquele sofrimento. Na verdade, Deus foi extremamente amoroso com Jó e profundamente gracioso ao consentir todo aquele processo que visava libertá-lo do seu maior inimigo: a sua própria justiça num calibre legalista. Ninguém na terra foi mais justo do que Jó, mas essa justiça era exatamente a causa da sua tentação de se justificar.
O apóstolo Paulo fala de um espinho na carne, um estrepe agudo que era mensageiro do Maligno, que lhe fora posto com a finalidade de abatê-lo, a fim de que não se exaltasse. Diante dos acontecimentos elevados que lhe sucedera, a tendência humana é se sentir superior. Então lhe foi enviado um torturador das trevas. Era um emissário de Satanás, mas quem lhe mandou só pode ter sido Deus, pois tudo o que o Diabo mais quer é a exaltação do ser humano.
Acredito que a questão polêmica de Jó também requereria um bico de pua do coisa-ruim para tratar com um homem digno e justíssimo, que havia se apegado à sua justiça, sem querer largá-la. Só um garfo infernal poderia feri-lo no profundo do seu ser.
O ponto central do seu livro é a operação graciosa para desentulhar uma vida saturada de justiça própria. Eliú, um amigo franco, faz o diagnóstico dos sintomas de auto-suficiência e justiça própria na vida do amigo indignado, quando indaga: Disse mais Eliú: Achas que é justo dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus? Jó 35:1-2. Espelho, espelho meu, será que há alguém mais justo do que eu?
Jó, de fato, era justo e achava que a sua justiça deveria ultrapassar a de Deus. A justiça humana é muito atrevida. Ele se via cheio de decência e dignidade e não podia se conformar com o que vinha passando. Sêneca, filósofo romano, dizia que: “o essencial para ser justo é ser indulgente”, mas Jó se tornou acirrado, intransigente e rigoroso em seus julgamentos, achando-se injustiçado.
Havia uma espinha de peixe atravessada na garganta de Jó que o deixava intimamente desconfortável. Afinal de contas, por que esse sofrimento desumano, se eu sou um homem justo? Aonde foi que eu pisei na casca da banana? Quando foi que eu transgredi a lei de Deus? De quem eu perverti o direito? Ora, bolas! Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito. Jó 34:5.
O maior problema do ser humano é a sua teomania, isto é, a insanidade em que se arvora tentando ser como Deus. E a maior demanda da teomania é a justiça própria. Somos uma raça infestada de rebeldia e cheia de direitos, que desfila na passarela da moda com sua arrogância de honestidade e rompante de retidão. Desde Adão até o mais desqualificado delinqüente, todos têm uma tendência marcante em evidenciar a injustiça que estão sendo vítimas, quando são apanhados em alguma infração.
O ser humano tem direito em demasia e a sua justiça é grande demais. Não existe candidato aos cargos políticos que não seja honesto, mesmo aqueles que estão sendo processados por crime de improbidade, e quase nenhum marginal se considera realmente merecedor da pena. De modo geral os bandidos se vêem como injustiçados e poucos são os que se consideram realmente culpados pelas suas transgressões.
Já ouvi pessoas achando que Deus não foi muito adequado com o seu servo, ao permitir aquele transtorno enorme em sua vida. Como é que Deus pega o seu amigo fiel e o expõe numa tragédia do inferno sem nenhuma necessidade? Com certeza os advogados de Jó procuram incriminar a Deus por razões muito pessoais.
Mas a história de Jó é ainda mais tremenda do que sofrimento que ele padeceu e a interpretação da narrativa não pode ser praticada sem a visão global da Bíblia. Deus não passa por mudanças, nem os seus métodos sofrem alterações. Por outro lado, ele não é parcial, nem arbitrário. A questão de Jó era a sua justiça própria e ninguém será salvo, senão pela suficiência da justiça de Deus manifesta em Cristo.
Deus não foi um canalha ao convocar Satanás para prestar um serviço em favor deste seu servo fiel, nem foi injusto ao permitir todo aquele sofrimento. Na verdade, Deus foi extremamente amoroso com Jó e profundamente gracioso ao consentir todo aquele processo que visava libertá-lo do seu maior inimigo: a sua própria justiça num calibre legalista. Ninguém na terra foi mais justo do que Jó, mas essa justiça era exatamente a causa da sua tentação de se justificar.
O apóstolo Paulo fala de um espinho na carne, um estrepe agudo que era mensageiro do Maligno, que lhe fora posto com a finalidade de abatê-lo, a fim de que não se exaltasse. Diante dos acontecimentos elevados que lhe sucedera, a tendência humana é se sentir superior. Então lhe foi enviado um torturador das trevas. Era um emissário de Satanás, mas quem lhe mandou só pode ter sido Deus, pois tudo o que o Diabo mais quer é a exaltação do ser humano.
Acredito que a questão polêmica de Jó também requereria um bico de pua do coisa-ruim para tratar com um homem digno e justíssimo, que havia se apegado à sua justiça, sem querer largá-la. Só um garfo infernal poderia feri-lo no profundo do seu ser.
O ponto central do seu livro é a operação graciosa para desentulhar uma vida saturada de justiça própria. Eliú, um amigo franco, faz o diagnóstico dos sintomas de auto-suficiência e justiça própria na vida do amigo indignado, quando indaga: Disse mais Eliú: Achas que é justo dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus? Jó 35:1-2. Espelho, espelho meu, será que há alguém mais justo do que eu?
Jó, de fato, era justo e achava que a sua justiça deveria ultrapassar a de Deus. A justiça humana é muito atrevida. Ele se via cheio de decência e dignidade e não podia se conformar com o que vinha passando. Sêneca, filósofo romano, dizia que: “o essencial para ser justo é ser indulgente”, mas Jó se tornou acirrado, intransigente e rigoroso em seus julgamentos, achando-se injustiçado.
Havia uma espinha de peixe atravessada na garganta de Jó que o deixava intimamente desconfortável. Afinal de contas, por que esse sofrimento desumano, se eu sou um homem justo? Aonde foi que eu pisei na casca da banana? Quando foi que eu transgredi a lei de Deus? De quem eu perverti o direito? Ora, bolas! Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito. Jó 34:5.
O maior problema do ser humano é a sua teomania, isto é, a insanidade em que se arvora tentando ser como Deus. E a maior demanda da teomania é a justiça própria. Somos uma raça infestada de rebeldia e cheia de direitos, que desfila na passarela da moda com sua arrogância de honestidade e rompante de retidão. Desde Adão até o mais desqualificado delinqüente, todos têm uma tendência marcante em evidenciar a injustiça que estão sendo vítimas, quando são apanhados em alguma infração.
O ser humano tem direito em demasia e a sua justiça é grande demais. Não existe candidato aos cargos políticos que não seja honesto, mesmo aqueles que estão sendo processados por crime de improbidade, e quase nenhum marginal se considera realmente merecedor da pena. De modo geral os bandidos se vêem como injustiçados e poucos são os que se consideram realmente culpados pelas suas transgressões.
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GLENIO FONSECA PARANAGUÁ
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