domingo, 30 de agosto de 2026

29 anos de pastorado: uma história escrita pela fidelidade de Deus


Hoje celebro 29 anos de pastorado na Igreja Presbiteriana do Brasil. Não consigo olhar para essa data apenas como quem comemora uma conquista pessoal.

Quando olho para trás, vejo uma longa peregrinação. Vejo pessoas, lugares, histórias, lágrimas, celebrações, perdas, amizades e, acima de tudo, vejo a mão do Eterno Deus sustentando cada passo.

No dia 30 de agosto, na IPEM — Igreja Presbiteriana de Ermelino Matarazzo — recebi a imposição de mãos dos pastores e presbíteros. Foi uma noite épica, daquelas que permanecem guardadas na memória.

Naquela noite fiz uma oração simples, mas que continua sendo uma espécie de norte para minha caminhada: Deus, ajuda-me a levar a sério cada momento do ministério pastoral!

Depois de 29 anos, continuo entendendo que esse pedido era muito maior do que eu imaginava. O ministério pastoral é feito de momentos. De uma conversa depois do culto, de uma oração ao lado de uma cama de hospital.

O ministério pastoral é feito de uma visita, de um abraço, de uma palavra de encorajamento, de uma celebração, de uma lágrima. De um nascimento, também de um casamento e de um batismo.

O ministério pastoral é feito do momento de despedida. É nesse cotidiano aparentemente comum que Deus realiza sua obra extraordinária.

Eugene Peterson, em Memórias de um pastor, nos ajuda a recuperar justamente essa visão do pastorado. O ministério não é uma corrida atrás de grandes resultados, títulos ou reconhecimento. O ministério é uma peregrinação de fidelidade. É aprender a estar presente diante de Deus e diante das pessoas que Ele coloca em nosso caminho.

Hoje, olhando para esses 29 anos, percebo que pastorear foi aprender a amar pessoas enquanto Deus também trabalhava em mim.

Nesses 29 anos de pastorado tive a alegria de ver pessoas sendo encontradas pela graça de Cristo. Vi batismos, vi noivados. Fiz 159 casamentos. Fui a centenas de festas de aniversários, de bodas e etc. Vi muitos nascimentos de crianças.

Nesses 29 anos de pastorado tive momentos de gratidão. Vi pessoas começarem a caminhar com Jesus e outras amadurecerem na fé.

Vi lágrimas transformarem-se em esperança e vi famílias sendo reconstruídas e vi amizades nascerem. E descobri que uma das maiores alegrias do pastorado é perceber que Deus nos permite participar de pequenos capítulos da história de pessoas que pertencem a Ele.

Nós não somos os autores dessas histórias. Somos peregrinos que Deus permite caminhar ao lado de outros peregrinos.

Não posso contar esses 29 anos sem falar da minha família. Tive a alegria de ter Erika, minha auxiliadora, ao meu lado durante toda essa jornada. Ela esteve comigo nos momentos diversos desses anos de pastorado. E sei que minha dotação também trouxe privações para sua vida. Minha agenda corrida, os compromissos, as demandas, as preocupações e tantas responsabilidades do ministério fizeram com que ela abrisse mão de muitas coisas.

Por isso, hoje quero agradecer a você, Erika. Obrigado por permanecer, obrigado por caminhar comigo. Obrigado pelas renúncias que muitas vezes ninguém viu. Obrigado por compartilhar comigo as alegrias e os pesos desse pastorado.

E uma das coisas que mais me alegra é perceber que, apesar de tudo, você não perdeu o foco: Cristo continua sendo o centro. Também celebro a nossa filha Isabella, que já está conosco há 17 anos. É uma alegria vê-la crescendo e fazendo parte dessa história. Ela também é parte dessas memórias que Deus está construindo em nossa família.

Nesses 29 anos de pastorado tive a alegria de pastorear algumas igrejas, onde servi e que deixaram marcas profundas em mim:

IPEM — Igreja Presbiteriana de Ermelino Matarazzo: Minha igreja mãe. Ali fui criado desde os 3 anos. Ali estão amizades da infância e da juventude. Pessoas que não ficaram apenas na memória, ficaram na alma. Depois de tantos anos, Deus ainda me concedeu a alegria de servir ali como pastor durante um ano e meio. E foi justamente ali que recebi a imposição de mãos para iniciar essa caminhada pastoral.

IPP — Igreja Presbiteriana de Pirituba: Foram dez anos de pastorado. Dez anos de aprendizado. Dez anos de desafios. Forma dez anos de muitas histórias boas e ruins. Dez anos de amizades que permanecem. Algumas pessoas que conheci ali continuam morando no meu coração até hoje.

IPL — Igreja Presbiteriana da Lapa: Foram três anos de caminhada. Ali também construí amizades preciosas. Entre elas, a amizade com o querido mestre Canelhas, de saudosa memória. Que homem sério com Deus. Virou meu pai. Algumas pessoas passam pela nossa vida. Outras deixam marcas que o tempo não consegue apagar, como o Felipe Morais, Ranulpho, Bia e Léo. Também o grande amigo e parceiro de visitas com sua esposa: Pr. Odilon e D. Lourdes.

IPAlpha — Igreja Presbiteriana em Alphaville: Desde 2012, é onde sirvo no ministério pastoral. É a igreja em que permaneci por mais tempo no pastorado. Aqui tenho construído amizades, vivido desafios, aprendido, servido e continuado minha peregrinação.

Cada uma dessas igrejas foi mais do que um lugar de trabalho. Foram lugares onde Deus trabalhou em mim. Mas, o pastorado também carrega muitas tristezas. A morte é uma dessas realidades.

O pastor encara a morte de perto. Entra em hospitais. Senta ao lado de famílias enlutadas. Participa de velórios. Abraça pessoas que acabaram de perder alguém amado.

E não há como fugir disso, o pastor também sofre. Também chora e fica sem respostas. E, nesses momentos, aprendemos que nem sempre somos chamados a explicar o sofrimento.

Às vezes, somos chamados simplesmente a estar presentes. Há dores que não precisam de uma explicação imediata. Precisam de uma presença amorosa, de uma oração, de um abraço e de lágrimas compartilhadas.

Talvez uma das grandes lições desses 29 anos seja esta: o pastorado não consiste em ter respostas para tudo, mas em permanecer fiel quando não temos respostas.

Nesses 29 anos de pastorado agradeço profundamente pelas amizades que Deus me concedeu. O Projeto Timóteo faz parte do meu coração nesses anos de jornada. Esse grupo de amigos se tornou uma verdadeira válvula divina de escape.

Ali encontrei amizade, conversa, descanso, comunhão e a lembrança de que ninguém precisa caminhar sozinho. Também agradeço à minha turma do JMC, que continua caminhando comigo. São amizades que atravessaram os anos. Amizades marcantes e que resistiram ao tempo. E isso também é graça.

Hoje não consigo olhar para trás dizendo que fiz tudo certo. Sei das minhas limitações e sei dos meus erros. Sei das palavras que poderiam ter sido melhores. Das pessoas que eu poderia ter ouvido mais.

Das vezes em que poderia ter sido mais paciente. Dos momentos em que poderia ter amado melhor. Mas, quando olho para toda essa história, uma verdade se torna cada vez mais evidente: a fidelidade de Deus é infinitamente maior do que a minha capacidade de permanecer fiel.

Se cheguei até aqui, não foi porque fui suficiente. Foi porque o Eterno Deus foi fiel a Ele mesmo. O pastorado não é uma história sobre a grandeza do pastor. É uma história sobre a graça do Deus que chama, sustenta, corrige, consola, usa e continua conduzindo.

Peterson me ajuda a compreender que a dotação pastoral é uma longa obediência no cotidiano. Não precisamos transformar cada dia em algo extraordinário. Precisamos apenas aprender a ser fiéis ao Deus que nos colocou naquele lugar, entre aquelas pessoas, naquele tempo.

E hoje, depois de 29 anos, posso dizer: valeu a pena, não porque tudo foi fácil. Não porque tudo foi bonito. Não porque não houve lágrimas. Mas, porque Cristo esteve presente em cada estação.

Quando olho para trás, vejo uma estrada. Algumas partes foram luminosas e outras foram escuras. Algumas foram marcadas por celebrações, outras por lágrimas.

Houve chegadas e partidas. Houve encontros e despedidas. Houve vida e houve morte. Mas, em todas elas havia uma constante: a fidelidade do Eterno Deus.

Por isso, hoje não celebro simplesmente 29 anos de pastorado. Celebro 29 anos da graça de Deus. E continuo com a mesma oração daquela noite de 30 de agosto: Deus, ajuda-me a levar a sério cada momento do ministério pastoral.

Que eu continue aprendendo a amar pessoas, anunciando Cristo. Que eu continue servindo e continue ouvindo. Que eu continue aprendendo e caminhando.

Como canta o salmista, eu canto também: Render-te-ei graças entre os povos, ó Senhor! Cantar-te-ei louvores entre as nações. Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a tua fidelidade, até às nuvens. (Salmo 57:9-10)

Soli Deo Gloria. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Leituras em agosto de 2026



1. SWINDOLL, Charles. Examinando as Escrituras: Redescubra o alimento que nutre a alma. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2019. Talvez isso já lhe tenha acontecido: você pega uma Bíblia sabendo que a mensagem nela contida é importante e pode fazer grande diferença em sua vida. Mas, por mais que tente, continua sendo um livro difícil e, às vezes, quase indecifrável. Charles Swindoll, pastor renomado e autor de obras de grande alcance, não só compreende a sua frustração como também desenvolveu um método que ao longo dos anos tem ajudado milhares de pessoas a redescobrirem o prazer na leitura da Bíblia. Ao conhecer plenamente a mensagem eterna e aplicá-la ao dia a dia, sua fé em Deus será nutrida e fortalecida como você nunca julgou possível. Contém 224 páginas.

2. NOUWEN, Henri J. M. Uma espiritualidade do viver. São Paulo: Editora Vida, 2018.Qual o segredo para se ter uma vida espiritual? Viver uma vida disciplinada, de acordo com Henri Nouwen. Na vida espiritual, disciplina exige esforço consciente para manter cada área da vida livre, sem ser preenchida, isso significa criar espaço para Deus. Nouwen identifica três disciplinas essenciais para manter uma vida de discipulado: solitude, comunidade e ministério. Este pequeno livro encorajador e cheio de ideias inspira os leitores a praticarem todas as três disciplinas. O resultado, promete Nouwen, é uma vida cheia de fruto, uma vida cheia do Espírito. Contém 72 páginas.

3. GREIDANUS, Sidney. Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2019. As aulas da Escola Dominical para crianças são cheias de pessoas e histórias do Antigo Testamento, e mesmo assim, nos cultos de adoração, essa porção da palavra de Deus é negligenciada ou marginalizada. Querendo proclamar o evangelho, muitos pregadores vão ficar com os textos do Novo Testamento e esquecer que, como lembrou Jesus, o Antigo Testamento também testifica dele. Da lei aos profetas e à literatura de sabedoria, o grande assunto de todas as Escrituras é Jesus. Em seu livro, Sidney Greidanus desafia os pastores a aceitarem o Antigo Testamento e mostrar Cristo às suas congregações. Ele 0gasta vários capítulos, respondendo à questão de como realizar essa tarefa com um som hermenêutico. Em sua revisão da história cristã, ele aponta as deficiências e as forças daqueles que precederam essa geração. Examinando o Novo Testamento, ele extrai princípios para pregar a Cristo e, então, desenvolve um método que mantém o expositor fiel ao texto.São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2019. Contém 432 páginas.

4. KELLER, Timothy. Ego transformado. São Paulo: Editora Vida Nova, 2014. Quais são as marcas de um coração sobrenaturalmente transformado? Essa é uma das questões sobre as quais o apóstolo Paulo trata quando escreve à igreja de Corinto. O interesse real dele não é algum tipo de reparo ou remendo; antes, uma mudança profunda, capaz de transformar a existência. Numa era em que agradar as pessoas, insuflar o ego e montar o curriculum vitae são vistos como os meios para “chegar lá”, o apóstolo nos chama a encontrar o verdadeiro descanso na bênção que é nos esquecermos de nós mesmos. Neste livro breve e contundente, Timothy Keller mostra que a humildade que brota do evangelho torna possível pararmos de vincular cada experiência e cada conversa com a nossa história e com quem somos. E assim podemos ficar libertos da auto-condenação. Quem é realmente humilde segundo o evangelho não se odeia, mas também não se ama é, antes, alguém que esquece de si mesmo. Você também pode conquistar essa liberdade. Contém 48 páginas.

5. WALTON, John. O mundo perdido de Adão e Eva. O debate sobre a origem da humanidade e a leitura de Gênesis. Rio Janeiro: Editora Ultimato, 2016. Durante séculos, a história de Adão e Eva tem circulado nos mais diferentes meios, como a literatura, a arte e a teologia. Porém, até mesmo para os cristãos que querem levar a sério a autoridade das Escrituras, a compreensão “literal” dos primeiros capítulos de Gênesis parece uma ruptura dolorosa entre fé e ciência. Existe um conflito inerente entre as afirmações da Bíblia e o consenso científico atual sobre as origens humanas? Em que contexto Adão e Eva, o jardim, a árvore e a serpente foram retratados? E se estivermos lendo Gênesis – e suas afirmações sobre as origens da humanidade – de forma errada? Contém 256 páginas.

6. HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis, RJ : Vozes, 2015. No livro, o sul-coreano Byung-Chul Han, professor de filosofia e estudos culturais da Universidade de Berlim, parte de uma constatação relativamente comum para o problema das relações entre sociedade e sofrimento psíquico: cada época tem suas enfermidades 1 . Dado que os sofrimentos psíquicos são compreendidos nos dias atuais sobretudo como desvios neuroquímicos, para o autor do livro em tela nossa época se configura como uma “violência neuronal”. Não obstante a expressão, sua explicação passa ao largo de aspectos fisiológicos do sistema nervoso: sofrimentos psíquicos como síndrome de burnout, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e depressão são apreendidos pelo autor em sua relação direta com o modo operatório do capitalismo contemporâneo. Contém 53 páginas.

7. HINN, Costi W. Deus, ganância, e o Evangelho da prosperidade. Como a verdade transforma uma vida construída sobre mentiras. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2026. Em Deus, ganância e o evangelho (da prosperidade), Costi descreve de modo impressionante como pregadores da prosperidade exploram os pobres e necessitados, e o que significou crescer dentro de uma das dinastias mais poderosas desse movimento. À medida que começou a questionar o estilo de vida que levava e a buscar respostas para as injustiças que via, iniciou uma jornada que o levou a abandonar a fé familiar e a descobrir a verdade avassaladora sobre o verdadeiro Jesus Cristo. Contém 192 páginas.