
Diariamente eu tenho que lidar com a dor das pessoas. É um que está com câncer eu vou ao Hospital visitar. É o outro que está em coma no Hospital. É o irmão que perdeu o emprego, o casal que se separou e tenho de chorar pelas partes rompidas. Enfim, são inúmeros sentimentos que passo na vida diária do trabalho pastoral. Mas, uma dor que tenho vivido é a doença do meu pai.
Ele está no Hospital e acredito que vive os seus últimos dias de vida. Ontem estava com ele numa parte da enfermaria. E é duro demais vê-lo no estado que está. É duro ter de levá-lo ao banheiro, ter que dar a comida na boca dele. É duro ter que vê-lo gemer de dor e muita dor. Ontem eu e minha mãe pensamos que ele partiria porque ficou pálido e com o corpo roxo. Mas, ele passou e ainda está entre nós.
É interessante que uma das formas para abrirmos os caminhos de Deus na vida é pensar em nossa própria mortalidade. Como diz o Dr. James Houston: Qualquer que seja a nossa idade nos recusamos a viver com a consciência da morte (HOUSTON, James M. Meu legado espiritual: Uma jornada de fé na pós-modernidade. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 68).
A nossa cultura não nos permite refletir sobre a morte e isso nos faz ter uma vida meio vazia da nossa pessoalidade e da necessidade enorme de dependermos de Deus sempre. É numa hora dessa que vemos o quanto somos frágeis, fracos e impotentes na vida.
É exatamente nas vésperas da morte de alguém que amamos é que guardamos no fundo do nosso coração a certeza de que a nossa identidade está eternamente sob a proteção do nosso eterno e bondoso Deus.
Como Soren Kierkegaard diz que “a mortalidade não é uma fonte de desespero. É uma verdadeira consciência da presença de Deus como fonte de alegria que é derramada sobre nós”.
Eu e a minha família temos percebido isto. Há um conforto em nós de saber da fé e segurança em Deus mesmo no meio da realidade bem presente da morte. Meu pai também tem este mesma visão, tanto que disse: Deus tem um plano para todos nós. E eu já estou pronto para me encontrar com o Senhor.
Mesmo no meio da dor e tristeza, isto traz conforto. Às vezes, em não consigo mais ficar muito tempo no quarto. Porque aperta demais o coração ver a dor que ele passa. Mas, sem tentar explicar muito, mesmo no meio da morte encontro paz e refrigério diante do Senhor.
É mais ou menos a realidade do que Martin Luther king disse: "A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio".
O importante de tudo é que Deus está sempre ao nosso lado e nos mantém seguros mesmo no meio da dor e da realidade da morte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário